BICICLETA DO POVO


A razão para o antigo blog ter derivado para esta coisa do commuting, foi por eu achar que a solução para os problemas de mobilidade só se poderem resolver com soluções integradas, que incluam todos os que “comutam” diariamente. Façam-no por não importa que meios. Não tenho, ou pelo menos procuro não ter, uma visão sectária e redutora da bicicleta.

Tenho para mim que compete a quem planifica e implementa os diverso sistemas de transportes, quem gere e ordena o espaço para estacionamento e quem regula as vias de comunicação, criar condições para todos nós encontrarmos uma alternativa para as nossas deslocações regulares em condições sustentadas e sustentáveis.

Tirar ao veículo privado o papel preponderante nas nossas cidades não é a mesma coisa que ser anti carro, porque isso seria, para lá dum erro, uma impossibilidade prática, da mesma forma que imaginar uma cidade moderna sem considerar a bicicleta é uma grandessíssima asneira com dispendiosas consequências. Tirar o carro do centro da nossa vida é, acima de tudo, contribuir para que todos, incluindo os empedernidos dependentes dele, tenhamos uma melhor qualidade de vida.

O carro, tal qual como o conhecemos hoje e os que aí hão-de vir, fará parte da nossa mobilidade durante muito tempo. Avaliando o que se passa nas cidades onde as políticas de mobilidade são mais progressistas, o carro continua a ser uma presença massiva. Apesar das grandes restrições à circulação de carros particulares, Londres não ficou sem engarrafamentos, nem muito menos Copenhaga é propriamente um exemplo de cidade com pouco automóveis, para lembrar apenas duas urbes tão na berlinda.

A bicicleta que a Volkswagen apresentou na China -e que melhor lugar para apresentar uma bicicleta!- é um veículo pensado para um determinado e muito especifico utilizador. Uma bicicleta exclusivamente eléctrica, sem propulsão a pedal, dobrável e arrumável no espaço da roda sobresselente do carro, é ideal para quem queira, e possa! levar o carro até determinado ponto da viagem e daí continuar sentado num selim. A marca promete que não se trata apenas dum prototipo.

Este tipo de proposta ao mercado é bem reveladora do valor que a mobilidade em duas rodas assume mesmo para o “inimigo”. Uma empresa globalmente capitalista, o grupo VW, seguramente que não desperdiça uma boa oportunidade de negócio sempre que ela surja, nem que para isso tenha de dizer aos seus clientes para aderirem à moda do pedal.

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