Arquivo de Londres

PARA ONDE FOI O SORRISO DE ÁLVARO?

Posted in cycle to know with tags , , , , , , , , , , on 18 de Outubro de 2011 by Humberto

É normal que uma pessoa fique razoavelmente deslumbrada quando atinge certos patamares na sociedade. Ainda para mais quando aceita dirigir todo um Ministério e logo o da Economia! O Álvaro, como familiarmente pediu para ser tratado o então fresquíssimo académico empossado, esbanjava sorrisos e emanava uma verdadeira áurea de felicidade. A minha expectativa na governação dos novos ocupantes dos gabinetes da Horta Seca nunca foi optimista sequer ao ponto de achar que a jovialidade ministerial se devesse a qualquer solução milagrosa para o estado do país, da economia nacional. Não sou dos que vissem em tanto sorriso e boa disposição sinais de profundas certezas que estariam apenas à espera do momento em para serem reveladas -que, diga-se de passagem e vindo daquele ministério, nem sequer seria original: o fim da crise. Existem tantos tipos de pessoas que até deve haver umas que aceitam tarefas sobre as quais não conhecem realmente nada. Pessoas que viveram até então afogadas em livros e nas suas teorias e teorizando sobre páginas de teorias teorizadas afastam-se tanto da realidade que se por um lado a pensam com certezas provadas, por outro o mundo realizado nas suas cabeças simplesmente não existe.

Tenho andado numa de vídeos. Nem percebo bem porquê mas a verdade é que tenho encontrado muitos vídeos que me dão vontade de trazer para aqui. Não sou dos que acha que na Assembleia da Republica não se faz nada para além de gastar o nosso dinheiro nem tenho para mim que os políticos sejam todos iguais. Tenho no curriculum umas boas horas de sessões parlamentares, no hemiciclo e nas comissões, e se algumas se resumiram a secas monumentais, outras foram momentos que, pela vivacidade dos deputados ou pela relevância e elevação dos temas foram horas muito bem gastas. Acontece por vezes sairmos de lá -por mais estranho que isto possa parecer- mais esclarecidos, com questões aos pinotes na cabeça, com vontade de aprofundar ideias, com uma visão mais abrangente do que está em jogo, com novos elementos para formar opinião e julgar a acção de quem nos governa e representa. É na AR e pela vontade de quem para lá é mandado pelo Povo que são tomadas todas as decisões que nos comandam a vida. Duma maneira ou de outra é ali que tudo se decide. Até é ali que se decide o que se passa a decidir noutros lugares.

A recente ida ao Parlamento, por sua própria iniciativa note-se, do ministro da Economia para, segundo estava anunciado, apresentar aos deputados o Plano Estratégico para os Transportes, teve na comunicação social bastante realce no episódio triste que foi afinal não ter o ministro levado nada para apresentar aos deputados. Mais uma vez o folclore entreteve o pagode enquanto o que lhe importa realmente para a vidinha de todos os dias passou para segundo plano. Pedaços do confronto verbal exaltado que bramia contra a oportunidade da audição fizeram as delicias dos jornalistas de serviço. Mas sobre o tão necessário Plano, nada! Se o automóvel tem o peso que se conhece na vida do meus concidadãos é também, não apenas mas também, graças ao fraco investimento em Transportes Colectivos e à deficiente integração entre os diversos sistemas metropolitanos de transporte. Têm sido vertidos recentemente pela comunicação social verdades -que na verdade não passam de meias verdades- sobre a situação em que se encontram as empresas públicas de TC, sobre as suas dívidas, as regalias dos trabalhadores, os salários, e mais um par de botas, duma forma que legitime na cabeça do contribuinte que é no interesse dele, contribuinte, que os interesses de quem vê nos TC um bom negócio, vinguem.

Claro que o Ministro não levou o Plano porque não o tem escrito. Nem precisa! Foi apresentado o verdadeiro plano do Governo para os transportes e está inscrito no Orçamento de Estado: fundir as empresas metropolitanas de transportes; separar a infraestrutura que é de onerosa manutenção e requer elevados investimentos e mantê-la na esfera pública; despedir e sobrecarregar a dívida com mais pensões e indemnizações; vender o monopólio de transportes urbano assim criado aos privados que, pelo indispensável financiamento do Estado ficarão com os lucros. Confrontado com a acutilância e imerso nas imagens claras transmitidas pelas perguntas do deputado Bruno Dias, imagens duma realidade em total choque com a virtualidade das teorias neoliberais, o ministro da economia perdeu definitivamente o ar cândido, cai-lhe a máscara patusca. O seu olhar parecia que procurava no ar o plano, mas um plano que o tirasse dali para fora. Quase que dava pena se ainda sobrasse disso para esta gente que nos depena, come a carne e se prepara para roer os ossos! Independentemente de ser um excelente jovem deputado da bancada do Partido Comunista, o que me leva a escarrapachar aqui o vídeo da sua intervenção são as várias perguntas que põe ao senhor ministro. Quando queremos debater o Transporte Público, sejamos deputados, ciclistas ou ministros, devemos conhecer um pouco mais sobre esta realidade para além do folclore com que se anda a entreter o pagode. Este vídeo -que na verdade são dois- é um contributo para o debate, para levantar questões e procurar respostas. Um apelo ao conhecimento e à informação que quem por aqui passa. Para que possamos todos decidir melhor.


TENHAM UMA BOA SEMANA!

Posted in cycle of sighns with tags , , , on 9 de Outubro de 2011 by Humberto

Porque amanhã é segunda-feira e voltamos todos à estrada nas várias qualidades. Porque a estrada deve ser inclusiva e não continuar exclusiva de apenas alguns mais fortes e mais rápidos.

Porque o respeito que nos merece um peão é o mesmo que merece um automobilista e que merece um ciclista, a capacidade de coabitarmos é fundamental e deve estar à cabeça da transformação das mentalidades.

Aqui fica um pequeno filme que dá que pensar no papel que cada um assume lá fora, na rua.

Road hug from Dominic Latham-Koenig on Vimeo.

TWEED RUN LONDON 2011

Posted in cycle photos with tags , , , , on 10 de Abril de 2011 by Humberto

Dia 9 foi dia de Tweed Run na capital inglesa. Aqui estão algumas fotos num rigoroso exclusivo para Portugal deste desfile urbano com uma pitada de estilo.

Bem e muito vestidos, centenas de ciclistas londrinos mantém o que hoje é já uma tradição, uma passeata de gente feliz. A originalidade da ideia é realmente o segredo para o sucesso.

 

UMA RALEIGH A CAMINHO, 2

Posted in cycle of live with tags , , , on 3 de Outubro de 2010 by Humberto

Depois duma agradável viagem até Londres, em que deu para verificar que travões e mudanças funcionam sem problemas, foi preciso desmontar e arrumar tudo numa caixa de cartão gentilmente cedida pela CycleSurgery de Camden. Agora a Raleigh está pronta para atravessar a Mancha de avião.

A TAP facilita, à semelhança do que é prática noutras companhias de aviação, o transporte de uma bicicleta por passageiro. Para além dos habituais 20 quilos incluídos no bilhete de classe turística, pagando mais 35€ por cada percurso, pode levar-se uma bicicleta. Basta que a empacotemos devidamente acondicionada e protegida, a TAP recomenda no site que se torça o guiador e desmonte os pedais.

No caso da Randonnee houve que desmontar também ambas as grades e o espigão do selim, já que se usou uma caixa de cartão duma bicicleta de estrada moderna. Como se pode ver pela foto, deu muito jeito tantas horas a brincar com LEGO na meninice!

Mais fotos à chegada.

UMA RALEIGH A CAMINHO, 1

Posted in cycle of live with tags , , on 29 de Setembro de 2010 by Humberto

A minha mais recente aquisição já começou o caminho para a nova casa, desde Lee, sudeste de Londres.

Uma Raleigh Randonnee de 1980 e picos.


Callum diz "So Long!" à sua velha Raleigh

Logo que chegue, aparece por aqui. Fica prometido!

BICICLETA DO POVO

Posted in cycle to know with tags , , , , , on 28 de Setembro de 2010 by Humberto

A razão para o antigo blog ter derivado para esta coisa do commuting, foi por eu achar que a solução para os problemas de mobilidade só se poderem resolver com soluções integradas, que incluam todos os que “comutam” diariamente. Façam-no por não importa que meios. Não tenho, ou pelo menos procuro não ter, uma visão sectária e redutora da bicicleta.

Tenho para mim que compete a quem planifica e implementa os diverso sistemas de transportes, quem gere e ordena o espaço para estacionamento e quem regula as vias de comunicação, criar condições para todos nós encontrarmos uma alternativa para as nossas deslocações regulares em condições sustentadas e sustentáveis.

Tirar ao veículo privado o papel preponderante nas nossas cidades não é a mesma coisa que ser anti carro, porque isso seria, para lá dum erro, uma impossibilidade prática, da mesma forma que imaginar uma cidade moderna sem considerar a bicicleta é uma grandessíssima asneira com dispendiosas consequências. Tirar o carro do centro da nossa vida é, acima de tudo, contribuir para que todos, incluindo os empedernidos dependentes dele, tenhamos uma melhor qualidade de vida.

O carro, tal qual como o conhecemos hoje e os que aí hão-de vir, fará parte da nossa mobilidade durante muito tempo. Avaliando o que se passa nas cidades onde as políticas de mobilidade são mais progressistas, o carro continua a ser uma presença massiva. Apesar das grandes restrições à circulação de carros particulares, Londres não ficou sem engarrafamentos, nem muito menos Copenhaga é propriamente um exemplo de cidade com pouco automóveis, para lembrar apenas duas urbes tão na berlinda.

A bicicleta que a Volkswagen apresentou na China -e que melhor lugar para apresentar uma bicicleta!- é um veículo pensado para um determinado e muito especifico utilizador. Uma bicicleta exclusivamente eléctrica, sem propulsão a pedal, dobrável e arrumável no espaço da roda sobresselente do carro, é ideal para quem queira, e possa! levar o carro até determinado ponto da viagem e daí continuar sentado num selim. A marca promete que não se trata apenas dum prototipo.

Este tipo de proposta ao mercado é bem reveladora do valor que a mobilidade em duas rodas assume mesmo para o “inimigo”. Uma empresa globalmente capitalista, o grupo VW, seguramente que não desperdiça uma boa oportunidade de negócio sempre que ela surja, nem que para isso tenha de dizer aos seus clientes para aderirem à moda do pedal.

CYCLE FIXIE & CHIC

Posted in cycle of sighns with tags , , , on 5 de Setembro de 2010 by Humberto

Há quem veja as fixie como a ligação perfeita entre homem e máquina, reduzindo ao elementar a tecnologia. Duas rodas, um quadro, pedais e corrente.

Derivadas das bicicletas de pista, são mais que um meio de transporte, são toda uma filosofia, uma maneira única de viajar no tempo e no espaço.

Londres, bem como muitas mais cidades, têm visto não só aumentar o número de commuters, mas sobretudo aqueles que escolhem bicicletas de carreto fixo ou single speed.

Embora auto-proclamados gurus da moda nos adocem a boca com risengrød enquanto nos tentam impor estilos mais de acordo com a sua agenda, a verdade é que se há coisa que nunca muda, são os clássicos.

Porque não importa o que vestimos, mas o que somos, aqui deixo um vídeo (mais um!) onde se invertem papeis. Com muita pinta!

O SEU A SEU DONO

Posted in cycle of sighns with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 20 de Setembro de 2009 by Humberto

Embora não tenha dados estatísticos, arrisco dizer que sair de casa-entrar no carro-deixar-se conduzir pelo fluir do trânsito-estacionar, é, grosso modo, a rotina matinal e diária de muito de nós.

Com pouco esforço e usando uma expressão da moda, facilmente se consegue esmiuçar cada um destes passos e perceber por exemplo que, no particular da vida de cada uma, entrar no carro pode ser no abrigo duma garagem ou ao relento em cima da passadeira que há noite ninguém multa, e que a viagem duns é feita por ruas frias e cinzentas e a doutros encandeados do sol nascente lá longe no Tejo oriental. E que estacionar pode ser tarefa mais ou menos fácil, não dependendo isso apenas da destreza do condutor, mas sobretudo da hora a que se chega e do destino onde se arriba.

Pearl Street Triangle Plaza, DUMBO, Brooklyn

O espaço necessário para deixar parados todos os carros que entram na cidade de Lisboa, ou noutras que isto de carros está o país muito bem servido, não é pouco e se pensarmos no valor que tem o metro quadrado de terreno urbano percebemos quantos euros de terra ocupa um estacionamento. Imaginemos que cada pessoa que não se faz chegar ao trabalho de carro, exige o mesmo espaço à Câmara para estender uma espreguiçadeira ou montar uma mesa de piquenique e almoçar com os colegas. Poderia sempre argumentar que não polui e humaniza a cidade. Porque raio haveria de ter menos direito ao estacionamento?

O transporte público, a bicicleta e outros meios de transporte suave (adoro esta expressão e lembro-me de certos troços deixados em “paralelo” da ciclovia do Tejo) são as opções que as cidades devem incentivar.  São opções democráticas porque tratam todos da mesma maneira e devolvem aos cidadãos o poder sobre as suas ruas. Os espaços pedonais que sirvam todos os cidadãos, quer sejam condutores ou não, os espaços verdes, os bancos onde podemos parar e descansar, as esplanadas, são sinais de cidades democráticas onde o valor da terra -um bem de todos que é único e que não se fabrica mais- é justamente repartido por todos.

Continuar a construir túneis, avenidas pretas e largas, alamedas de quatro faixas, perímetros listados de laranja e branco, despejar contentores aos milhares no centro da cidade, é continuar a entregar o espaço que a todos pertence a apenas alguns, os quais, as mais das vezes, nada pagam por esse privilegio. É continuar a investir os fundos escassos e valiosos num modelo de cidade que tem os dias contados, e que nos condena a viver numa urbe que nos grita aos ouvidos: Não vos quero aqui! Cidade com muros e ameias onde não somos bem vindos, a não ser que nos apresentemos revestidos de plástico e chapa.

Copenhaga, Amesterdão, Melboourne, Nova Iorque, Almada, são algumas das cidade exemplares no que à sustentabilidade concerne e isso deve-se a trabalho intenso e persistente ao longo de anos. Quando as decisões políticas começaram a encurralar o carro e a tirar-lhe o protagonismo houve o mesmo tipo de resistências que por cá se ouve por parte dos homólogos protagonistas. A sensação que menos um lugar à porta da loja deixará mais um consumidor fora do negócio, é um entendimento normal, mesmo quando visto longe da luta partidária pelo poder autárquico. Em Copenhaga esse entendimento mudou.

As cidades de Bogotá, Dublin, Londres, Praga, Roterdão, Zurique, Milão, Malmö , Sevilha, dizem-nos que é possível reivindicar o espaço que por tempo demasiado nos foi subtraído. Basta apenas que se faça por isso. Duma vez por todas!

LEITURAS PARA O FIM DE SEMANA

Posted in cycle of sighns with tags , , , , , on 29 de Agosto de 2009 by Humberto

As férias do presidente dos EUA, capacetes, Londres e o exemplo da capital dinamarquesa, são motivo de reportagem no Los Angeles Times e na BBC.

Independentemente do interesse factual das notícias aqui referidas, estas peças, algumas apenas disponíveis no sítio da televisão inglesa e servindo de complemento à que foi emitida, dão uma ideia da seriedade com que são abordadas as questões da bicicleta inseridas no contexto da mobilidade.

A escolha destes temas revela qual o entendimento que os jornalistas, bem como as linhas editoriais, fazem da sua importância na actualidade informativa e do peso que julgam ter estes assuntos no interesse e nas vidas das respectivas audiências.

Los Angeles Times

  • Entrevista com o director da London Cycling Campaign, Koy Thompson. BBC
  • Can London be a cycling cityBBC
  • Entrevista com Andreas Rohl, city’s bicycle programme manager, Copenhagen. BBC
  • Copenhaga lançou um plano para se tornar a melhor cidade do mundo para os ciclistas. BBC

E tenham um muito bom fim-de-semana!

AS BICICLETAS NÃO SÃO O CENTRO DO MUNDO

Posted in cycle of sighns with tags , , , , on 7 de Agosto de 2009 by Humberto

Saíram quinta-feira notícias na imprensa dando conta de um diferendo entre a Câmara de Lisboa e a Junta de Freguesia de Carnide sobre a construção da ciclovia.

Ler que uma ciclovia é ponto de discórdia deixa-me triste, mas a verdade é que não me surpreende. Lisboa é uma cidade que tem sofrido muito tempo perdido. Conhecendo um pouco de algumas cidades onde a bicicleta tem ganho  recentemente relevo, verificam-se pelo menos dois factores comuns entre elas. Por um lado as medidas tomadas contam sempre com resistências e são, muitas vezes, criadoras de novos problemas que é preciso resolver.

Em Barcelona, por exemplo, certos troços de passeio na avenida Diagonal ficaram cheios de bicicletas estacionadas porque não foram instalados parques suficientes. Em Londres houve que redesenhar a intrincada rede de corredores BUS de modo a não atirar os ciclistas para o meio das ruas. Outro factor em comum é o estado em que se encontra a gestão do trânsito automóvel e seu estacionamento já não se pôr num nível tão básico como se põe em Lisboa.

As ciclovias são uma infraestrutura necessária para incentivar a utilização da bicicleta, disso não acredito que se discorde. Já não acredito é que a pressa seja boa conselheira. Envolver as populações é fundamental porque com o diálogo que se abre sensibiliza-se e mobiliza-se quem vai ser, positiva e negativamente, afectado. Na discussão são levantadas dúvidas e avançadas soluções, confrontam-se experiências e saberes e podem evitar-se erros de projecto que custarão muito a corrigir. Como seja o  facto dos stands da Feira da Luz, em Setembro, serem instalados em cima do traçado previsto da ciclovia.

No futuro não muito distante todas as ruas e avenidas das cidades modernas serão ciclovias por excelência. Os carros não serão mais os donos do espaço urbano, terão de ser conduzidos a velocidades inferiores, existirão mais passadeiras e passeios mais largos. As ciclovias são só uma parte, eventualmente bastante vistosa, de solução, mas não se pode nunca construir começando pelo telhado.

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