Archive for the cycle to know Category

Aufsteigen, bitte!

Posted in cycle to know with tags , , , on 11 de Novembro de 2013 by Humberto

mercedes_bike

A Alemanha pode ser o motor da Europa por algumas boas e algumas más razões. É sobretudo um país onde se tenta fazer sempre melhor. Um país grande e diverso em que a bicicleta há tempo ganhou o estatuto de primeira escolha. Os índices de transporte urbano em duas rodas podem não ser os mais altos mas são bastante invejáveis. Nuremberga desenvolve desde 2009 um ambicioso projecto de promoção da bicicleta. Em quatro anos Nuremberga é mais ciclável e muito mais ciclada.

Os responsáveis alemães pelo projecto foram recentemente até Copenhaga e fizeram um filme inspirador. Copenhaga é a cidade que mais se tem afirmado como líder da promoção da bicicleta urbana. Pelo cruzamento de vertentes paisagísticas e arquitetónicas, do planeamento urbano alicerçado numa gestão sustentada do espaço público e das redes de transporte, e sobretudo pela colocação do Homem enquanto ser social, como centro do desenho urbano, Copenhaga tornou-se num verdadeiro berço e laboratório de ideias, um bebedoiro de modernidade onde todo o mundo vai beber um pouco de saber.

O filme está narrado e algumas entrevistas são em Alemão. Eu não encontrei nenhuma versão legendada em Português ou sequer em Inglês, mas como as entrevistas feitas na capital Dinamarquesa foram respondidas no idioma de Bradley Wiggins, vale bem a pena ouvir. E ver já que as imagens duma cidade submersa em bicicletas é sempre muito refrescante! Imaginem se eles tivessem este nosso fantástico clima! Os entrevistados são Camilla van Deurs, Partner Gehl Architects, Mikael Colville-Anderson do Copenhagenize e a Andres Røhl, Manager of Cycling em Copenhaga.

E já agora, alguém que daí desse lado saiba como, faça o favor de fazer chegar este filme às vereações municipais. Quem dera que valesse a pena fazer chegar até ao Governo mas como o filme passa o tempo a falar em diferentes formas de investimento público, o mais certo era o actual secretário de estado dos transportes (com letra pequenina, muito pequenina de propósito) fazer logo um dos seus discursos, com as habituais doses de desconhecimento, lugares comuns e demagogia barata!

A BICICLETA ESTÁ A PASSAR POR AQUI

Posted in cycle to know with tags , , , , on 8 de Novembro de 2013 by Humberto

fotografia

Está a nascer a mais fantástica loja de bicicletas de Lisboa e arredores! Tal como uma bicicleta, tem três pontos de apoio.

Os pedais do projecto são a RCICLA que mudou as armas e as bagagens de Algés para a 24 de Julho. Bicicletas com personalidade, montadas ao gosto de cada cliente mas mais importante, de acordo com o bolso de cada um. Além de bicicletas completas, há bicicletas às peças -literalmente! acessórios vintage e uma oficina onde a experiência se alia à boa disposição.

Dia 24 de Novembro abre, por assim dizer o guiador: a RCICLA RENTALS. Um projecto único porque não permite concorrência no preço nem no serviço. Bicicletas perfeitas para conhecer Lisboa a um preço imbatível: 5€/dia! A ideia veio do país das bicicletas e se é verdade que Lisboa não é Amesterdão, mais verdade é que há ideias que podem e devem ser replicadas com garantia de sucesso. A RCICLA RENTALS é para quem quer conhecer a cidade e ficar com trocos no bolso para a bucha.

A terceira novidade, que podemos considerar o assento desta bicicleta, é a reabertura do GRÉMIO, o saudoso café para quem tem pedal (eu escrevi mesmo isto?). Um espaço aberto à partilha, onde a bicicleta será o ponto de partida para a conversa, exposições, livros, música, Le Tour, e o mais que houver.

Independentemente dos caminhos por onde as ciclovias e outras minudências nos levarem, a bicicleta está de certeza a passar por aqui!

… E AGORA, ALGO DIFERENTE

Posted in cycle to know with tags , , , , , on 18 de Outubro de 2013 by Humberto

Os níveis de debate têm sempre a ver com o estado em que os debatentes se encontram. Por isso é que há sempre, em matérias que digam respeito a tudo o que gira à volta das bicicletas, alguém que está tantos anos, ou mesmo mundos, à frente do nosso dia-a-dia ciclista.

Da mesma forma que podemos aprender muito sobre como resgatar a soberania e a independência para Portugal com a história recente de tantos países da América do Sul, podemos percorrer pedalando outras longitudes para, pelo menos tentar não repetir erros e, quem sabe, ser até inovadores.

Aqui fica um pequeno exemplo elucidativo, bem elucidativo até, do nível da “coisa”.

QUE O BENFICA TRAGA A BICICLETA

Posted in cycle to know with tags , on 15 de Maio de 2013 by Humberto

Há muitas esperanças concentradas em Amesterdão para o jogo de logo à tarde.

Eu acrescento mais uma: que os Portugueses que conseguiram reunir os carcanhois para ir ao Arena, olhem com olhos de ver como os Holandeses se divertem muito mais em cima duma bicicleta que dentro dum carro.

Que apreciem a cidade -e não estou a pensar apenas na Rode Lichten Straat ou nas variedades das Coffeeshops. Uma cidade desenhada para o peão, à dimensão do peão.

Que tenham a oportunidade de perceber as diferenças entre a vida numa cidade pensada não só em função do automóvel mas duma mobilidade sustentável.

Que a viagem a Amesterdão seja uma festa pelo jogo e se possível pelo resultado também.

Porque se há 23 anos que o Benfica não jogava uma final duma competição europeia, o atraso nacional em questões de urbanismo e planeamento é muito superior a duas décadas.

Que da viajem à Holanda tragam um novo olhar para a importância que a bicicleta tem na construção duma melhor cidade.

Por fim, que experimentem uma verdadeira Omafiets e se misturem na multidão numa cidade onde mais de 60% das deslocações são feitas a pedalar.

Aqui fica um pequeno vídeo inspirador…

What pleases a Dutch girl?? from VANMOOF BICYCLE on Vimeo.

PETER GABRIEL E UMA BICICLETA

Posted in cycle to know with tags , , on 11 de Maio de 2013 by Humberto

Para um fim-de-semana em tons de azul.

HET IS AL OVER DE RIJWIEL *

Posted in cycle to know with tags , , , , on 1 de Dezembro de 2012 by Humberto

rciclaCada um tem as suas paixões. Vamos coleccionando, acumulando, trocando de paixões e assim vamos vivendo: apaixonados. Umas paixões são tão gigantescas e arrebatadoras que nos cegam, podendo até fazer esquecer outras. Temos de certeza dentro do corpo um órgão, como o fígado ou o estômago, onde guardamos as paixões. Nesse apêndice que teima em esconder-se ali por detrás do coração, cabem as nossas paixões todas. Nuns será maior, noutros mais acanhado mas é aí que vamos arrumando as paixões. As paixões às vezes, de tão novas e indomadas, saem a transbordar do saco das paixões. Apertam o coração, sufocam os pulmões e é aquele aperto no peito, respiração ofegante, nó na garganta como só os apaixonados sentem. Tudo nas paixões é bom. Mesmo quando é mau, é um mau-bom. E isso é o bom das paixões!

Amadurecemos e as paixões amadurecem em nós ou vice-versa que sobre isto ainda não cheguei a uma conclusão. Há paixões que nos vão conquistando aos poucos, lentamente. Outras haverá que nos colhem com tal estrondo que num instante mudam(os) o rumo do Mundo. Há paixões que entram em nós sem querer e só nos abandonam montadas no último suspiro. Cada qual é um e as suas paixões. É os seus amores, e ninguém as tem de igual modo. No fim de contas somos pouco mais do que a maneira como vivemos as nossas paixões. Assim como o sangue que nos corre nas veias, as paixões são só nossas e sentimo-las cada qual à sua maneira. Por isso é que as bicicletas são adoradas de tantas maneiras e feitios, tantas como ciclistas houver.

As paixões alimentam-se por dentro e por fora e há sempre alguém disponível para servir um apaixonado. É ver a quantidade de lugares onde hoje se pode apreciar, avaliar, experimentar, comprar, alugar, amanhar bicicletas. À medida que foi crescendo a quantidade de apaixonados pelas bicicletas, os lugares dedicados a eles e a elas -apaixonados e bicicletas- foram deixando de ser montras frias e homogéneas, onde as bicicletas eram arrumadas como gado barato, para se transformarem em espaços amplos, limpos, bem iluminados, chiques. As bicicletas foram ganhando mais e mais estatuto de objecto único pela cor e as suas formas valorizadas, os detalhes realçados. Acessórios simples como uma campainha é encarada como um autêntico anel de brilhantes no dedo da amada -para quem gosta de anéis, claro. Cestos de vime são importados de terras longínquas porque são os melhores e a nossa bicicleta só merece o melhor!

A bicicleta é uma paixão e as paixões também são às vezes modas. Em Lisboa já podemos entrar num café com bicicletas penduradas nas paredes e outras dobradas em prateleiras. Já é possível sentarmo-nos numa mesa rodeada de acessórios de bicicleta com um quase apelo sexual e bebermos um café vulgar. Em Lisboa já se encontram à venda algumas das mais emblemáticas marcas nascidas com o boom da paixão pela bicicleta que vai arrebatando corações por este mundo adentro. Finalmente já não somos obrigados a viver com uma bicicleta todo-o-terreno a vida inteira! A identidade da bicicleta passou a não estar apenas ligada à sua juventude mas sobretudo ao estilo que transporta. Literalmente.

Ainda há meia dúzia de anos, mesmo nos encontros e passeios urbanos de ciclistas, a grande maioria de bicicletas presentes tinham sido compradas em lojas de desporto e os seus ciclistas eram pouco mais que amantes da tecnologia e quase todos obcecados com a magreza -pelo menos com a magreza das suas meninas. Foram os tempos do domínio dos valores da competição desportiva, caminho mais fácil encontrado pelos fabricantes (que vivem de fabricar e alimentar algumas paixões) para tirarem à bicicleta o seu aspecto mais infantil, efemininado quase. Não quero com isto dizer que a Cannondale SuperSix EVO ou a Trek Super Fly são desprovidas de carácter ou incapazes de provocar paixões. Acho é que a coisa será muito menos platónica. Deslizar por um trilho sentado em cima de uns bons milhares de euros tem muito de carnal. Tem que ter! Claro que o tacto ao carbono mais rígido, o som da corrente a rolar com precisão aeronáutica pelos carretos, a souplesse do par bailador estrada fora, podem ser vividos com verdadeira paixão. Mas também sabemos que daqui a alguns meses, seremos servidos com novas Super-qualquer-coisa muito mais tudo que a Evo ou a Fly.

O movimento Cycle Chic e o Passeio de Bicicletas Clássicas são autênticos chás dançantes dos tempos actuais. Lugares onde vamos passear a nossa paixão e onde o estilo passou a ser traje de etiqueta. Qualquer estilo, desde que permita que a bicicleta seja exibida como mais um acessório, ou mesmo como O acessório, condicionando o conjunto homem/máquina mas sem o transformar em algo de totalmente excêntrico, (a)berrante. Até porque há momentos para diferentes paixões. Por exemplo, não passará pela cabeça do mais saudoso amante das pistas nevadas que, só porque é inverno e está a cair neve no Alto da Torre, ir de esquis passear para a Baixa. A paixão por pedalar tem tudo a ver com a bicicleta. Digamos que o prazer de pedalar pelas ruas da cidade pode ser vivido não importa o que se tiver no meio das pernas, mas há sensações de prazer diferentes de acordo com a montada.

Claro que o alvo da paixão pela bicicleta é a própria bicicleta. Ninguém pedala virtualmente sem um determinado quadro onde estão montados uns componentes e não outros. A bicicleta é que importa. É por ela que pedalamos porque sem ela somos apenas peões. É a bicicleta que nos transforma e transporta. São as características da bicicleta que nos definem enquanto ciclistas. É a personalidade da bicicleta de cada um que o enquadra num tipo específico de utilizador de bicicleta, que o faz membro de uma tribo ou de outra ou de nenhuma. É a bicicleta que nos leva a escolher a loja ou até a forma de comprar. Fazemos uns amigos e não outros de acordo com a bicicleta que pedalarmos. Tudo tem que ver com a bicicleta.

Podemos viver a vida inteira apaixonados sem nunca perceber com funciona o objecto da nossa paixão. Alguém percebe os homens ou as mulheres? Percebem onde quero chegar? A maioria dos apaixonados pelas bicicletas não fazem ideia como se ajusta um desviador ou qual a diferença entre travões v-brake e cantilever mas isso não os impede de pedalar ou sequer gostam menos de bicicletas. Gostam é de forma diferente. E nunca vão poder gostar tanto como se… A bicicleta pode perfeitamente ser apenas mais uma coisa nas nossas vidas, até mesmo mais uma das paixões que levamos no tal saco das paixões mas nesse caso nunca chegará a moldar-nos a forma. Para estes de nós a bicicleta será sempre uma peça inteiriça, mais ou menos decorada, mais ou menos atraente, mais ou menos prática. Desde que seja capaz de nos fazer apenas rodar o olhar ou ao ponto de nos virar a cabeça e mudar-nos o pensamento -o dia-a-dia? já a bicicleta cumpriu grande parte da sua função. Porreiro!

No entanto a bicicleta é muito mais que isso. Houve quem a tenha classificado como a maior das invenções e deve ter tido muito boas razões para isso. A simplicidade da bicicleta contrasta com a quantidade de detalhes históricos em que nos podemos perder. Desde as primeiras tentativas de fazer andar um par de rodas postas em linha, até às mais radicais variações permitidas pela tecnologia actual, a bicicleta é um mundo. Basta entrarmos em qualquer loja para ver a parafernália de peças e acessórios que podemos comprar. Alguns embalados como se fossem bombons outros com preços que mais parecem jóias. Últimos modelos de tudo e mais alguma coisa, o derradeiro design e a melhor tecnologia são anunciados qual santo graal. Um mundo onde a paixão é tudo menos casta!

Todos os móveis à venda em antiquários já foram novos um dia e ganharam, pela forma como resistiram à passagem do tempo, todo o valor que custam. Todos os objectos começam a envelhecer no momento em que são feitos e as bicicletas não são excepção. Poucos são os móveis, assim como raras as bicicletas que chegarão a ter estatuto de antiguidade, mas há monos que podemos sem arriscar muito, dizer qual o fim que terão. Até há pouco tempo não se encontravam bicicletas antigas à venda em bom estado, o que é normal já que as lojas preferem alimentar a paixão duma maneira digamos, lucrativa. Normal e compreensível. Para a maior parte dos apaixonados pela bicicleta, as coisas estão bem assim e nem podiam ser doutra forma. Ou será que podem?

Felizmente que podem! E o Vítor está disposto a provar isso mesmo na nova -verdadeiramente nova- loja que abriu em Algés. Com contentores de experiência e paletes de bicicletas inteiras ou às peças que trouxe da sua outra loja de Amesterdão, o Vítor abriu a primeira loja de bicicletas para quem gosta da bicicleta no seu todo, na sua essência. Para quem tem uma paixão maior por bicicletas. Para quem gosta de falar bicicletas. Para quem quer construir uma bicicleta, como dizem os ingleses, desde o rascunho. Para quem quer ter uma roda única na sua fixie. Para quem quer uma cor única ou um quadro Reynolds por medida. Para quem sonha pedalar uma senhora holandesa, pesada e com apenas três mudanças ou quer somente ver de perto uma Batavus. Uma verdadeira loja de bicicletas, cheia de órgãos usados mas ainda com muita vida para darem à nossa alma! Os apaixonados pelas modernas BTT não precisam fazer toda a Marginal mas quem procurar uma rígida old school para os trilhos da Arrábida, uma estradista em aço Colombus que já conheceu mundo ou uma BMX verdadeira, é na Rcicla que se vai perder de amores.

Poucas vezes aqui me senti a pisar o risco da publicidade gratuita e nunca aceitarei a outra, um pouco até à revelia da normal e também legítima união que existe entre a defesa da bicicleta e lojas ou marcas que vivem de e para a paixão pelas bicicletas. A Rcicla não é mais uma loja de bicicletas a fazer um esforço de originalidade para conseguir melhor vender as coisas do costume. A Rcicla é um conceito maior que um espaço comercial, onde se vai trocar dinheiro por qualquer coisa. Na Rcicla podemos até ver o nosso problema resolvido sem nunca gastarmos um euro. Há duas sensações comuns e frequentes quando entramos numa loja de bicicletas: sermos olhados como um porta-moedas recheado ou com tal indiferença que pomos em causa quem faz um favor a quem. Na Rcicla é diferente. É mesmo diferente! Na Rcicla o nosso problema é só mais um desafio.

A Rcicla não é um hotel de cinco estrelas onde levamos a nossa paixão uma vez na vida. A Rcicla é toda uma forma de viver a paixão, todos os dias. A Rcicla é uma escola para conhecermos a nossa paixão e nos conhecermos a nós mesmos. À Rcicla não se vai mostrar, vai-se para ver, para partilhar. Vai-se para discutir BikePolo e a felicidade. Na Rcicla há bicicletas para todos porque qualquer um pode fazer a sua própria bicicleta, como se fosse um alfaiate de bicicletas. Ali não há café nem queques mas há alguns dos melhores lugares para umas bifanas, b’jecas & afins. Não há carros por perto e há espaço com fartura para os miúdos correrem. Há o comboio à porta e autocarros de várias cores. Há vendedores de castanhas e às vezes um mercado do livro. A Rcicla é toda bicicletas. Finalmente abriu a Rcicla!

* É tudo sobre a bicicleta.

APRENDER, APRENDER SEMPRE!

Posted in cycle to know with tags , on 20 de Novembro de 2012 by Humberto

Porque o saber não ocupa lugar, este pequeno filme é um dos muitos disponíveis na rede que fazem jus à máxima Leninista, e provam que a bicicleta é o verdadeiro veículo ao alcance de todos, mesmo na sua construção.

A simplicidade da bicicleta reside no facto de ter poucas peças mas muitas delas são de desgaste mais ou menos rápido, dependendo do tanto de uso que se lhe dê. Uns bons pneus durarão no máximo cinco mil quilómetros e menos que isso sobreviverá uma corrente e já sabemos que nessa altura trocaremos também os carretos, eventualmente a pedaleira e o desviador traseiro.

A verdade é que um ciclista habitual torna-se também um cliente regular, mesmo que se fique pelo essencial, sem falar nos ditos melhoramentos ou acessórios mais ou menos fashion. Num mercado pequeno -em crescimento mas ainda pequenino, como o nosso, o cliente nem sempre encontra o que procura e eu, como já sabem, recorro frequentemente a lojas estrangeiras, sobretudo no Reino Unido e na Alemanha.

Há pouco tempo precisei de comprar um espigão de selim e descobri que o importador apenas o mandava vir se eu garantisse que ficava com ele. Porque é um tipo de peça que não costumam ter em armazém por ser cara, foi-me dito. Pois bem, mas eu é que não posso comprar uma peça -ainda por cima cara! sem a certeza que me serve. E lá voltei à net! Até porque na net aceitam trocas… Enfim, nada a que não esteja habituado.

Mais recentemente, porque eu e um colega ciclista, precisávamos de substituir algumas peças gastas, pusemo-nos ao telefone com um par de lojas e visitámos outras quantas. Em alguns casos ainda estamos à espera que nos liguem a dizer se arranjam o que precisamos. “Não, não quero esse cubo, quero este“, “Esse é o modelo em preto, quero o cromado”. Porque raio tenho de comprar o que o vendedor quer e não o que preciso? Nem estávamos à cata de nada muito transcendente mas não havia uma só loja que nos arranjasse tudo.

Claro que prefiro comprar cá. Aliás, prefiro comprar português! Até já comprei punhos de cortiça portuguesa. Tive foi de os mandar vir da Califórnia! Desta vez encontrei uma loja Alemã, que tem a vantagem de não apresentar problemas de imposto, pois está dentro o espaço euro. Bons preços e sobretudo baixos custos de envio, ainda mais compensadores se a encomenda for grande. Oferta muito variada e fácil navegação com informação também em inglês. Pode ser visitada aqui e tem um serviço de apoio ao cliente eficientíssimo. Enviam por correio expresso e até aceitam devoluções!

O MAU DA FITA

Posted in cycle to know with tags , , , , , on 27 de Agosto de 2012 by Humberto

Um dos quatro temas mais debatidos pela tribo das bicicletas dá mote ao texto que pode ler hoje. No seguimento deste e como anunciado, publico agora algumas considerações sobre a relação entre o carro e a bicicleta. Brevemente ainda me vão ouvir falar das ciclovias e a terminar a saga, dos capacetes.

O carro é o mau da fita. Tem sempre que haver um mau da fita: é o carro. Só os fósforos perdem mais valor que o carro com o uso. O carro é insaciável. O carro é exigente. O carro dita-nos os destinos, os quandos e os ondes. Nada nos dá mais estatuto social que o carro que levamos nas mãos. Nada nos detém por detrás do para-brisas! Quando estamos protegidos dentro do carro, somos indestrutiveis! Somos cativos do conforto do carro, apaixonados pelo som do motor, sonhamos com o cheiro a novo, ávidos de tecnologia de ponta. Há muito que o carro faz o mesmo que o Viagra, com versões também para mulher. O carro representa nações, povos, regimes, épocas. O carro alimenta paixões e gera ódios. Transporta a vida e leva a morte. Vai à guerra e é a guerra. Há carros para todos gostos, para todas as algibeiras, de todas as cores e feitios. O carro é o mau da fita perfeito!

O carro está por tudo o lado e não parece que esteja com vontade de ir embora. Apesar te ser uma máquina relativamente simples e até algo arcaica, o automóvel tem sido o mais bem conseguido objecto de consumo da indústria da publicidade. Desde que nascemos que vivemos rodeados e carros. O carrinho de bebé e os carrinhos do bebé. O carro do supermercado e o carro de mão. Nos desenhos animados os animais da selva têm rodas e no cinema nunca vi um actor a fazer de carro mas já vi carros a fazer de actor… O carro é o rei! Não há artista da música ‘róh que viva longe dos carros e no futebol o jogador é o carro com que chega ao treino. Se a imagem dos deuses não andasse hoje em dia tão desvalorizada, diria que o carro é um deles. Verdadeiramente omnipresente.

Não são só os combustíveis e óleos que alimentam o carro mas praticamente tudo nele gira à volta do petróleo. O carro reflecte melhor que tudo, a dependência em que a sociedade de consumo vive da indústria do ouro negro. Esta dependência é por vezes voluntária e noutras nem tanto. Um cidadão pode querer depender do carro ou pode não ter escolha. E é aí que bate o ponto! É possível que muitos cidadãos encontrem alternativas ao automóvel, mas pensando numa emancipação social em relação à dependência do quatro rodas, ela só chegará quando isso for entendido pela sociedade em geral como uma necessidade. Quando a política de transportes, rodoviária, educativa, fiscal, quando as prioridades de  desenvolvimento (?) passarem por diminuir essa mesma dependência.

Cada um de nós que opte, por exemplo, pela bicicleta em detrimento do carro, está a contribuir de várias maneiras para reduzir a famigerada dependência do carro. Mas a bicicleta, porque não é opção para a maioria dos transeuntes, não é o santo graal da mobilidade. Pode ser que um dia venha a ser mas esse dia ainda está longe. O grande predador do automóvel é o transporte público e será por essa via que se reduzirá a dependência do carro. Outras formas de reduzir o impacto do automóvel nas nossas vidas têm que ver com a gestão do espaço alocado ao estacionamento, com a limitação ou eliminação total do acesso por carro a áreas sensíveis das cidades, com a maior e mais efectiva responsabilização do automobilista pelos impactos negativos que pode causar, quer de forma activa -velocidades excessivas, quer de forma passiva -estacionamento em passadeiras.

O homem move-se para trabalhar, conviver. Andamos dum lado para o outro por tudo e por nada. A mobilidade é vital. Uma vez que foi dado às pessoas “o direito” a acederem a todo o lado de carro, uma vez que se pretende, e bem, cortar esse “direito”, é forçoso que duas coisas aconteçam. Primeiro que sejam convencidas das vantagens desse “corte”; segundo que lhes sejam dadas alternativas. Valorizar o trânsito pedonal, melhorar as redes de transportes colectivos e (hélas!) incentivar a utilização da bicicleta, são necessidades imperiosas para requalificar as cidades, promover o desenvolvimento económico e social mas sobretudo para diminuir a dependência que Portugal padece do carro. Será que é nesse sentido que se tem caminhado? Como sempre há de tudo. A nível local tem havido algum progresso e podem citar-se felizmente bons exemplos que nos dão esperança que há uma nova mentalidade a tomar conta de algumas cadeiras com poder. E a nível do Governo? O Governo está a fazer o seu melhor para nos pôr a todos a andar a pé e de bicicleta ou não andar mesmo. Com os preços galopantes dos transportes e dos combustíveis estamos perante o mais forte impulso de sempre dado à bicicleta. Já para não falar que à velocidade que fecham empresas, em muitas estradas do país foi substancialmente reduzido o trânsito nas horas de ponta!

Por vezes confunde-se a fome com a vontade de comer. É fácil -e cada vez mais comum nos exemplos que nos chegam de cima- encontrar soluções populistas para problemas estruturais. Institui-se universalmente a teoria do utilizador-pagador e aquilo que é um problema de todos, merecedor duma solução global, passa a ser um problema de cada um, a ser resolvido de forma individual. Tenho a certeza que o aumento do custo de vida tem levado muitas pessoas a considerar alternativas na sua vida. Há seguramente quem tenha descoberto a bicicleta por causa do aumento do preço da gasolina. Daí até se concluir que aumentar o preço dos combustíveis é resolver os problemas da mobilidade, ou que por essa via se promove a bicicleta, vai um grande engano. Quando ouço vozes a pedir aumentos ainda maiores para a gasolina, pois dessa forma as pessoas deixariam de vez o popó parado, creio que o essas vozes esquecem é que o pão que lhes cala a boca, o leite dos petizes, a saladinha que levam na lunch box tão cool, não chegam montadas num burro!

Ver no automobilista um inimigo, alguém que vive nas trevas, que polui só porque quer, que odeia a vida, alguém que vive empenhado em destruir a Terra, ver em cada automobilista a personificação do mal, um Barbodemo! não nos leva muito além do ponto a que chegámos. Talvez ver em quem está sentado ao volante um possível-futuro ciclista, seja meio caminho para se conseguir transformar mentalidades. Não é por eu andar de bicicleta que tenho uma qualquer superioridade moral, nem foi por via dos pedais que adquiri o direito de julgar os outros apenas pelos meus interesses. Lá porque quando me desloco de bicicleta não gasto petróleo, não me nascem verdades absolutas na cabeça. A minha opção de vida, a minha escolha velocipedista é um exemplo de mobilidade mas tem de ser também um exemplo de cidadania, de respeito, nunca um motivo de conflito.

Ninguém contesta a imagem de ser o carro muito mais potente que a bicicleta. O mundo do carro quero eu dizer. Enfrentar um mundo tão vasto e poderoso como o do carro requer mais que um par de punhos. Requer perceber bem o que está em jogo do lado de lá. Que interesses se fazem transportar de carro, quem se alimenta desta dependência. Quem ganha com as PPP rodoviárias e quem lucra com o fecho da linha férrea. Quem enriquece com os lucros da GALP e quem constrói parques nos centros das cidades. Quem tem ganho com o atraso da rede de bicicletas partilhadas em Lisboa. Quem encolhe a barriga em cima da bicicletas de frente para os fotógrafos mas não mexe uma palha para punir quem estaciona no passeio? Sim, porque aqui como em quase tudo, há a quem apontar dedos. Ou não há? O que foi que tornou possível que em países com muito mais poder de compra, os cidadãos optem por limitar a dependência do automóvel? Pode ter acontecido que os cidadãos desse lugares tenham perdido a paciência e tenham punido quem lhes tolhia a qualidade de vida. Pode ser que se tenham tornado exigentes. Lutar contra o poder do carro requer que se escolha bem os aliados, que não se acabe a dar armas aos que nos garantem um futuro em quatro rodas. Mas implica também olhar do lado de fora do pára-brisas e perceber que quem vai lá dentro é sobretudo vítima.

Porém o mundo gira e as coisas mudam. No império do carro, nos Estados Unidos da América, um recente estudo deu conta que pela primeira vez o carro deixou de ocupar o primeiro lugar no sonho americano dos jovens gringos. Na última década e pela primeira vez a industria automóvel dos EUA vendeu marcas e a capital do carro Detroit, quase que desapareceu do mapa. O preço dos combustíveis e o fim dos apoios federais aos SUV levou ao primeiro lugar das vendas, marcas asiáticas e o diesel entrou no léxico dos automobilistas. Marcas alemãs publicitam os modelos de topo com base nos baixos consumos. Os motores já não se medem apenas em cavalos mas sobretudo em quilómetros por litro. Tornaram-se blue e green. Novos motores eléctricos podem-se recarregar como um vulgar telemóvel. O carro é cada vez mais um electrodoméstico. Acabar com a supremacia do carro nas nossas cidades passa seguramente por escolhas pessoais que vão muito para lá das questões da mobilidade.

VIVA O PASSE SOCIAL!

Posted in cycle to know with tags , , , , on 21 de Agosto de 2012 by Humberto

Decidi dar a cada um dos quatro temas recorrentes enunciados no artigo anterior, um texto. Hoje escrevi sobre os transportes públicos, o próximo artigo será dedicado ao automóvel, o seguinte às ciclovias e por último escreverei sobre o capacete. Sempre com a perspectiva de quem vai no selim da bicicleta.

—§—

A empresa que não queira ter de pagar aos seus funcionários os custos da depêndencia do carro particular para ir trabalhar não será tão sensível aos chamados “bons acessos rodoviários”. A empresa à qual os seus trabalhadores chegam por transporte público sabe que têm mais qualidade de vida. Têm custos de mobilidade muito inferiores aos do trabalhador que necessita do automóvel, têm mais rendimento disponível. São melhores consumidores, porque consomem mais.

O transporte colectivo é o meio mais eficiente de mobilidade urbana. Partilhando um vértice do triângulo com o automóvel e com a bicicleta, oferece o conforto dum e a liberdade do outro. A integração dos  sistemas de transporte duma cidade numa rede intermodal reveste-se duma importância muito para lá da quantidade de passageiros que transporta. Mais que mover multidões em barcos, eléctricos, autocarros, metros e comboios, o sistema de transportes conduz o crescimento da urbe, marca o ritmo, recria paixões. Os percursos e os horário são as ferramentas com que a rede molda a forma e o conteúdo da cidade.

Dentro duma carruagem há livros, música, encontros, assaltos, drama, destruição, ideias, soluções, compra e venda. Da janela do eléctrico encomenda-se o almoço, entra o jornal, dá-se um calduço, ouve-se os bons dias e atira-se um piropo. Pela janela do eléctrico entra o cheiro do rio e do pregão. Da janela do eléctrico vê-se a paragem, e a puta, o turista, o bancário, o carteirista, o soldado e o polícia.  Dentro dum autocarro vai um bairro que passa por outro bairro e por outro, até que se enche de toda uma cidade. Todas umas vidas. E é esta cidade cheia de vidas, a despertar com os primeiros raios de luz, que vê quem vem e atravessa o rio. Há lá vista mais bonita?

O papel chave que os transportes públicos têm na vida de milhões de cidadãos e a importância enquanto geradores e dinamizadores de actividade económica, tornam-nos presa dos ultra-neoliberais que têm gerido e gerem os destinos da Europa. Por cá há muito que, ao mesmo tempo que os transportes públicos são conduzidos por avenidas onde apenas circula o interesse comercial, é desvalorizada a importância social dos serviços e arrasada a imagem pública dos funcionários. Após a aplicação das mais recentes decisões políticas na rede de transportes nacional, os transportes colectivos de Lisboa perderam passageiros mas aumentaram as receitas.

Embora haja menos pessoas a andar de transportes públicos -e isso deve-se a diversas razões, houve um aumento significativo no valor cobrado pelos bilhetes. Foram suprimidos horários e fechadas carreiras, a qualidade do serviço de alguns operadores diminuiu significativamente a par da redução dos incentivos a grupos específicos de passageiros. E o resultado qual foi? Menos utentes pagam mais. No Reino Unido, três décadas depois da choque privatizador tatcheriano, discute-se a re-nacionalização dos caminhos de ferro britânicos, numa altura em que se anunciam aumentos de mais de 6% nos bilhetes.

O transporte colectivo é de tal forma vital que os seus destinos têm de se manter na esfera pública. Só dessa forma preservam a sua posição de vanguarda na obra que é fazer a cidade. O transporte público é o grande aliado dos meios suaves por ser o verdadeiro predador do automóvel. Os utilizadores de bicicleta, mesmo que não sejam utentes, são dos maiores beneficiários duma boa rede intermodal. E a eficiência da rede de transportes é conseguida, não com um redutor deve-a-haver de mercearia mas pela capacidade que tem de irrigar de carne e sangue humano as artérias, ruas e avenidas, levando vida a todo o corpo da cidade!

AGAIN AND AGAIN

Posted in cycle to know with tags , on 9 de Agosto de 2012 by Humberto

A abertura de estabelecimentos comerciais e outras chafaricas dedicadas às duas rodas a pedal tem sido inversamente proporcional à minha actividade escrevinhadora.

Não quero no entanto deixar de me associar ao espírito empresarial em prol da bicicleta e aqui fica um pequeno filme a lembrar que a história por vezes se repete.

E poderíamos ficar agora a falar de muita outra coisa…

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