Arquivo de segurança

BORRACHINHA FURADA

Posted in cycle to know with tags , , , , , , , , , , on 10 de Julho de 2011 by Humberto

Um furo no pneu é seguramente um dos azares mais tremidos por quem sai por aí a pedalar. Não é prático transportarmos uma roda sobressalente com um pneu montado para o caso de alguma eventualidade desagradável ocorrer mas se uma roda não cabe no alforge, alguns pequenos artigos podem de lá sair caso a tal eventualidade surja pontiaguda no caminho. Um ciclista que comute regularmente sabe que a melhor maneira de evitar um furo é a prevenção. E como é que se previne um furo? Olhando à volta quase que me apetece dizer que a maioria dos ciclistas escolhe à partida bicicletas de montanha, equipadas com pneus grossos e cardados, com perfis capazes de enfrentar o mais agreste tapete faquir e ficar a rir das cócegas, pelo que a prevenção de furos está, aparentemente, no topo das prioridades. Se é verdade que os pneus de btt são mais resistentes que os outros, também é verdade que a resistência ao rolamento é uma grande desvantagem.

Com o aumento das bicicletas de cidade e outras mais versáteis, são também mais frequentes os pneus finos, oferecendo melhor rendimento e conforto. Contrariamente ao que possa parecer, uma faixa de rolamento lisa pode ser mais segura que um perfil com relevo. Por exemplo, pequenas pedras de gravilha, ao ficarem retidas entre as ranhuras do perfil, podem originar um furo muito tempo depois. Prevenir os furos passa inicialmente por escolher pneus reforçados na zona de contacto. Manter os pneumáticos com a pressão recomendada e usar uma câmara de ar indicada para a medida do pneu, bem instalada de forma a evitar vincos que possam originar rasgos mesmo a rolar em pisos seguros, é igualmente importante. Claro que evitar pavimentos com muitas arestas, como a calçada portuguesa ou zonas onde o álcool da noite anterior se transformou em cacos de vidro, ajuda e muito, à -parafraseando Paulo Bento- tranquilidade.

Nestas coisas de prevenção não há seguro que valha e que eles acontecem, lá isso acontecem, pelo que não fica mal a nenhum ciclista, por muito ocasional que seja, saber que reparar um furo on the road não é nenhum berbicacho desde que, claro está, disponha de ferramentas e não tenha problemas em sujar as mãos. Nos meus tempos de cidadão da invicta cidade, não poucas vezes, ao rolar pelo macadame do nobre Parque da Cidade fui traído pela resistência da borracha tailandesa. Se numa primeira vez subi a avenida da Boavista com a Trek pela mão, das outras desmontei, remendei e montei o pneu sob o olhar curioso dos passeantes portuenses. Soubessem que o desafortunado ciclista era mouro e outro olhar faiscaria…

A bicicleta é um meio de transporte que convida à evasão, à contemplação, à calma, à aventura. Quando o furo acontece é bom que nos lembremos disto! Vamo-nos atrasar, teremos que analisar o problema serenamente e preparar-mo-nos para a tarefa. O processo é simples: Tirar a roda do quadro; procurar no pneu a razão do furo, desmontar o dito cujo e a câmara de ar; caso não seja ainda visível o furo, vistoriar a câmara; colar o remendo; remontar o conjunto e repor a roda no lugar. Se tudo correr bem poderá não demorar mais que trinta minutos, a maior parte deles à espera que a cola seque. Conhecer as lojas de bicicleta que ficam nas imediações dos nossos trajetos habituais pode também servir de ajuda. Mas então o que convém ter dentro do alforge?

  • um conjunto de desmontas
  • uma câmara de ar
  • um kit de remendos
  • uma bomba
  • um conjunto de ferramentas
  • toalhetes

Einstein's Patch Kit

Park Tool Pre-Glued Patches

Continental Tour 28 Slim

Wrench Force & SKS

Chave de luneta 8 & Kit Ferramentas Scott

Ferramenta Multi-funções Leatherman Wave

Muita coisa? Depende da perícia. Esmiucemos então as bugigangas. Um par de desmontas em plástico duro ou metal pesa pouco e não ocupa espaço. A câmara de ar é para o caso do furo ser irreparável na estrada para além de permitir não perder tempo com os remendos. É muito prática se o azar chegar com jackpot, isto é, com chuva ou à noite. Os remendos podem ser de dois tipos. Os clássicos que envolvem um tubo de cola e um pequeno pedaço de borracha e os mais recentes remendos autocolantes. No dia a dia confio nos segundos mas para os passeios não dispenso o método ortodoxo. Bombas há muitas, embora também se possam dividir em dois tipos: as de dar ao braço e as de garrafinha de ar comprimido. Por ser mais rápida e prática mantenho sempre à mão a de recarga, mas prefiro sem dúvida a outra até porque tem um fiável  manómetro. O conjunto de ferramentas pode ser dedicado a estas coisas das duas rodas a pedais ou uma coisa mais elaborada. Preciso esmiuçar os toalhetes? Bem me parecia…

Então e a tal perícia? A relação que se estabelece entre nós e a bicicleta assumirá tantas formas como binómios houver. Embora possamos encarar a máquina como um simples e utilitário objeto, a bicicleta retribuirá todo o carinho e atenção que lhe dedicarmos. Trocar um pneu pode não ser pêra doce mas é seguramente uma bonita prova de dedicação. E quem não tem uma história de furo para contar? Você aí. Sim, o caro leitor -ou leitora que este blog é contra a discriminação por género- já remendou um furo? E quer partilhar essa experiência? Que tal essa perícia?

À BEIRA DO LANCIL

Posted in cycle of sighns with tags , , on 13 de Abril de 2011 by Humberto

Sergei Gerasimovs, "Collective Farm Harvest", 1937

Tenho perguntado aos meus botões nos últimos dias e não poucas vezes, qual o efeito que terá na cabeça dos cidadãos este bombardeamento constante e sistemático com discursos de sentido único. A toda a hora e em todos os media podemos ouvir ou ler opiniões de eminentes figuras do poder instalado velho de trinta anos, que nos ameaçam e nos empurram para as mesmas opções políticas que tornaram Portugal um país não só totalmente dependente do exterior no que consumimos mas também agora de recursos financeiros. Qual será o efeito desta terapia de choque a que diariamente somos sujeitos? Ex-ministros, gestores, banqueiros, presidentes de institutos (os tais que dizem deviam acabar), professores, analistas políticos, comentadores (uma casta moderna que teima em dizer-nos o que pensar sobre tudo, não fôramos nós criar opinião própria), toda uma trupe de gente que nos acena com o caos, com o mal menor, que nos incute medo do futuro, nos espolia do direito de sonhar. Qual é o efeito desta conversa na cabeça dos cidadãos do meu país?

Pessoas que em boa verdade não servem de exemplo a ninguém, pois a sua prática política, as suas opções de desenvolvimento para o país, o respeito pelos direitos dos outros, não deixam margem para dúvidas sobre ao serviço de quem é que estiveram nos últimos trinta anos e ao de quem continuam agora, são as mesmas que nos vêm garantir que a solução está em continua a escavar o fundo do buraco que cavaram para nos enfiar dentro! Ouvir o líder dum partido popular falar de responsabilidade quando é graças às suas decisões que temos submarinos mas não temos hospitais é o derradeiro exemplo do descrédito a que se entregaram certos actores políticos. Além de ser um exercício de resistência pacífica à vontade justiceira do ouvinte.

O exemplo e a coerência dos nossos actos são observados sejamos ou não figuras públicas ou políticas. Os princípios pelos quais guiarmos a nossa acção é a imagem que queremos transmitir de nós aos demais. Não que mais importante que ser seja parecer, ditado popular bastante condescendente com práticas menos exemplares, mas somos muito de imagem feitos. E por dentro da imagem? Num fórum de activistas destas coisas das bicicletas e da mobilidade, activou-se recentemente uma recorrente discussão sobre a forma como os ciclistas devem comportar-se em matéria de respeito pelas normas do Código da Estrada. Um código que, lá está! por decisão política manteve regras negativamente discriminatórias para os utilizadores de bicicleta e, se algumas das suas regras forem levadas à risca, põem o ciclista em perigo sério em várias situações. Ou seja, o legislador produziu normas que não só não protegem os mais vulneráveis como os obriga a enfrentar situações que põem em risco a segurança do próprio e de terceiros.

Todos os ciclistas que andam nas ruas das nossas cidades sabem que não podem pedalar junto aos passeios porque as tampas de esgoto estão em mau estado ou não permitem ser transposta em segurança, conhecem o risco que representa a porta de um carro que se abre de repente, já experimenta ram o susto dum “gancho da direita”, estão atentos aos ângulos mortos dos retrovisores dos autocarros e mastodontes semelhantes, não percebem porque raio têm de ceder passagem num cruzamento a um automóvel que se apresenta pela esquerda, sabendo que este automóvel -porque se aproxima dum cruzamento- deve reduzir a velocidade e ceder passagem aos outros veículos. Enfim, o CE tem tantas incongruências que não se percebe como pôde sequer ser redigido. Mas se pensarmos que o senhor então ministro da tutela que o assinou, embuçado autarca se tornou num fervoroso defensor das… bicicletas, percebemos que muita desta gente em quem votamos não percebe patavina do que tem de fazer!

Até se conseguir alterar o CE é nele que estão as regras que todos os utilizadores da via pública devem observar, com a devida ressalva de não porem em risco a sua segurança ou a dos demais. Por exemplo, se um carro em viagem por autoestrada tiver uma avaria e for obrigado a parar, deve cruzar o traço contínuo e encostar o mais possível na berma, assinalar com o triângulo e procurar ajuda. No entanto é-lhe vedado a transposição do dito traço em normal circulação. Existem duas razões para quebrar o respeito pelas regras de trânsito, necessidade por razões de segurança ou interesse individual, egoísta. Circular no corredor destinado aos transportes coletivos é uma questão de segurança, mas será que passar um sinal vermelho na Almirante Reis às 6 da tarde não será apenas uma demonstração de desrespeito pelos outros? E onde é que fica o exemplo dado a quem nos observa? E se os nossos filhos nos observassem sentados na beira do lancil?

Creio que a responsabilidade dos ativistas das bicicletas ainda para mais envolvidos na formação de novos utilizadores da bicicleta obriga a que seja marcada muito bem a diferença entre as atitudes responsáveis e cívicas e as outras. O ganho que algumas das mais frequentes violações ao CE aportam à viagem não é de todo compensador da má imagem que passa para quem as observa, não resolvem o problema da lei nem são bons exemplos. Por muito que o CE necessite de ser revisto, são as mentalidades que precisam de se elevar. Somos todos nós que andamos na estrada a pedalar os verdadeiros embaixadores dum futuro certo. Somos nós que transportamos o sonho de cidades mais amigas dos cidadãos, mais respeitadoras das nossas vontades mas sobretudo das necessidades de cada um e de todos. Num tempo onde os valores são corrompidos e espezinhados, quando a selva lá fora fica mais densa e sombria, são os bons exemplos, é a pedagogia pela ação, os comportamentos socialmente positivos que farão com que o nosso país, nas mais diversas áreas, se liberte e possa de novo ser governado pelo Povo e para o Povo!

Agora vá lá fora e pedale com juízo! Há um mundo inteiro a olhar para si.

Alexander Deineka. "Collective Farm Worker on a Bicycle", 1935

FORMOSA E… SEGURA?

Posted in cycle to know with tags , , , , , , on 30 de Setembro de 2010 by Humberto

O artigo sobre o cubo de mudanças Shimano Alfine 11 motivou um simpático comentário, comentário que motivou por sua vez este artigo. E assim se prova que bicicletas e pescadinhas-d’rabo-na-boca têm tudo a ver.

A questão do parqueamento seguro da nossa bicicleta é muito relevante. Para quem se faz deslocar regularmente, o mais certo é dar um pouco mais de atenção à escolha da máquina que utiliza, ou seja, é normal que não a tenha comprado no hipermercado suburbano mais à mão. Não que aí não se encontrem bicicletas dignas desse nome, mas a maioria dos pares de rodas que cruzam a linha da caixa registadora, estão condenadas a dar bastante trabalho aos seus felizes proprietários e, ao fim de meia dúzia de voltas ao quarteirão, parecem que se vão desmanchar todas a cada pedalada.

Se dividirmos o valor a que são vendidas a maioria dessas biclas, por todos os componentes que as compõem, facilmente chegamos à conclusão que não há economia de escala que aguente uma relação honesta qualidade/preço. Embora, obriga a verdade que se diga, muito do que é vendido em lojas da especialidade enferma igualmente do mesmo mal. Mas cada um sabe de si -apenas o Teixeira dos Santos quer saber de todos,- e como diria um anglo-saxónico “you pay what you get”.

Vamos então tomar por adquirido que alguém que faz da bicicleta veículo de transporte espera segurança e fiabilidade da sua montada. Da mesma forma que alguém que conduz um carro (apre, lá vem a comparação!) reza para que toda aquela tecnologia paga mensalmente ao banco responda de acordo com as promessas do vendedor, o ciclista quer ter travões em condições, pneus resistentes, um quadro rigido e confortável, um selim cómodo e por aí fora. Ou seja, o mais certo é que tenha investido uns cobres na sua menina (bicicleta é uma palavra feminina). Ora se há coisa que ninguém gostaria que lhe acontecesse é ouvir da sua própria boca, aquele relato do dia em que já-lá-não-estava.

Montar, por exemplo, um cubo Alfine 11, significa acrescentar ao valor que transportamos entre as pernas, umas belas notas de euros. Encontrar uma forma de proteger esse investimento de forma eficaz será seguramente preocupação não muito acessória. Com base nas minhas escolhas , tomadas após estudos de mercado e testes nos mais reputados laboratórios alemães (wher’else?), deixo duas sugestões das mais práticas mas infelizmente não das mais baratas. Nestas coisas dos cadeados, há até marcas que aconselham os diversos modelos de acordo com o valor que se pretenda prender ao poste.

Primeiro, vamos então trocar os eixos das rodas vulgarmente chamados de quickrelease, por eixos fixos com porcas que só podem ser apertadas ou desapertadas com uma chave mestra única, com forma irregular e protegida por uma túlipa de modo e prevenir que se possa usar um alicate. Segundo, vamos trocar a abertura fácil do espigão do selim, por um grampo com parafuso e porca idêntica à dos eixos das rodas. A Pitlock disponibiliza diversos kit com este tipo de segurança, podendo trocar-se todos os parafusos da bicicleta alvos de indesejada cobiça, por parafusos e porcas deste sistema, utilizando todos a mesma chave mestra. Com o primeiro conjunto é enviado um código com o qual se podem pedir mais parafusos e porcas, pelo que podemos ir gastando o dinheiro aos bochechos. Eu comprei há mais de dois anos o primeiro conjunto, via internet claro, e dou-me por muito satisfeito. Tenho é de andar sempre com a porca atrás…

Por fim, toca lá a escolher um cadeado a sério! Não aquelas coisas pesadas, parecidas com mangueiras, mas que se cortam com uma tesoura de poda ou abrem com uma esferográfica Bic. Optemos por um cadeado em forma de U, seguro e robusto. Eu uso um Kriptonite modelo New York Lock SDT, considerado dos mais eficazes. Tem no entanto dois grandes inconvenientes: é caro e pesado, mas (e há sempre um mas) faz o que lhe compete. Já apreciei de longe a minha menina a ser convidada por um estranho a dar o passeio da vida dela. Ao fim de aturada tentativa de convencimento, quando me resolvi a aproximar, ouvi um rasgado elogio… ao cadeado.

Estas duas medidas de segurança passiva, como diria o tal vendedor de automóveis, são garantia quase total, porque não há nada que tempo e esforço não se consiga quebrar, que a nossa bicicleta e todos os seus componentes lá estão no sítio esperado à porta do cinema.

_______________

Luís Vaz não terá tido o prazer de andar de bicicleta, mas deu-me o título para o artigo acima por isto:

Descalça vai para a fonte
Leonor, pela verdura;
vai formosa e não segura.

Leva na cabeça o pote,
o testo nas mãos de prata,
cinta de fina escarlata,
sainho de chamalote;
traz a vasquinha de cote,
mais branca que a neve pura;
vai formosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
cabelos de ouro o trançado,
fita de cor de encarnado…
tão linda que o mundo espanta!
chove nela graça tanta
que dá graça à formosura;
vai formosa, e não segura.

Luís de Camões

LEITURA DE FIM-DE-SEMANA ou APRENDER, APRENDER SEMPRE

Posted in cycle of sighns with tags , , , , , , on 19 de Dezembro de 2009 by Humberto

A VIDA NUM ANO E NUMA BICICLETA

Posted in cycle of sighns with tags , , , , , on 16 de Dezembro de 2009 by Humberto

SERÁ QUE VAI CHOVER?

Posted in cycle to work with tags , , , on 29 de Outubro de 2009 by Humberto

A próxima quarta-feira está já aí à porta e o Outono ameaça novamente entrar por ela dentro, pela porta e pela quarta-feira, e como no último SIC by BIKE day o risco de chuva afastou muito boa gente do caminho do bem, vamos, antes que se faça tarde, dizer à gente como se pode bem preparar para o caminho.

Com alguma informação positiva e os adereços essenciais, pedalar numa quarta-feira de chuva é tão fácil e, quem sabe mais prazenteiro que numa quarta-feira de sol radioso e quente.

Como ao pedalar aquecemos mais depressa, convém que usemos roupa respirável, que não acumule a humidade da transpiração. Contrariamente à ideia geral, o algodão não é muito eficaz nessa tarefa, ao contrário da lã que deixa o corpo respirar melhor.

As fibras sintéticas têm aqui grande vantagem, mas o importante é que usemos camadas finas que possamos tirar ou voltar a vestir no caso do tempo variar ao longo do percurso.

Um anoraque leve e que se dobre é uma boa peça para enfiar na mochila ou no alforge. Se for de cor clara tanto melhor e melhor ainda se for dos que têm umas tiras fluorescentes nas mangas e nas costas. Dar nas vistas na estrada, particularmente quando o céu se cobre a prometer chuva, é um seguro extra.

Até à próxima quarta, e para evitar surpresas, dê umas voltas lá pelo bairro ao lusco-fusco e mesmo de noite, para se habituar e confirmar como a noite é boa conselheira também a pedalar.

Na terça anterior, leve uns sapatos para a SIC e deixe-os na gaveta. Assim vai ter sempre o que calçar na quarta e não carregou peso extra na viagem. Calce umas meias quentes e use luvas porque pés e mãos quentes fazem toda a diferença!

Com o piso estiver molhado tenha cuidado reforçado na estrada. É muito importante que adapte a condução ao estado do piso e verifique os travões -onde é que eu já ouvi isto?

Se alguma das viagem for de noite, é essencial que monte luzes na bicicleta, de preferência alimentadas por dinamo, mas o mais provável é que arranje umas a pilhas. Ao menos que sejam recarregáveis. A luz de frente é tão importante com a de trás, pois a sua função é tornar-nos visíveis. Uma excelente solução para nos tornar também vistosos é o colete auto.

Mesmo quando chove, vem mais água do chão que do céu, pelo que um par de guarda-lamas ajuda e muito a manter-nos secos. Se a sua bicicleta não tem, está aqui uma boa oportunidade para passar a ter.

Por último, pare a sua bicicleta longe da chuva para que continue a funcionar bem. Se isso não for possível, um saco de plástico manterá o selim seco até à hora de regressar.

Depois de todo este investimento existem mais umas quantas razões para não se ficar apenas pelas quartas-feiras…

… lembrem-se o que custa é começar!

A SEGURANÇA É UM DIREITO

Posted in cycle of sighns with tags , , , on 22 de Outubro de 2009 by Humberto

Vem este texto a propósito de duas reportagens do NÓS POR CÁ da SIC. A questão do seguro de responsabilidade civil para quem circula de bicicleta chegou às parangonas e, como seria de esperar, não  foi por boas razões, infelizmente também não da melhor maneira. Por favor, pause a leitura agora e, para perceber o porquê, veja as peças aqui.

Todos nós, utilizadores das vias públicas nas diversas qualidades, como condutores de veículos a motor, a pedais ou carrinhos de bebé, peões a caminho do trabalho ou acompanhantes de animais domésticos, temos responsabilidades e podemos ter de responder por elas em caso de algo correr fora da dita normalidade.

Pela lei da probabilidade, quem conduz uma máquina com algumas dezenas de cavalos de potência, mesmo que o faça dentro das velocidades permitidas, corre riscos de, em caso de acidente, provocar maiores danos que alguém que circule por seu próprio pé. Ainda que o acidente não seja falta sua.

A mesma lei dirá que uma desatenção pode levar um peão a tropeçar no guarda chuva doutro peão, cair para a estrada e um carro, ao desviar-se, entrar por uma mercearia cheia de clientes. De quem seria a responsabilidade? Que seguros se teria que accionar?

O ciclista que alegadamente provocou o acidente referido na reportagem é responsabilizável pelos factos prováveis e apenas se provados. E existem autoridades para investigarem e autoridades para julgarem. Se as autoridades legítimas a quem compete derrimir litígios entre cidadãos são lentas ou até inoperantes, isso não é razão para obrigar todos os que saem à rua com receio duma carga de água a fazerem um seguro ao seu guarda chuva.

Pela segunda reportagem ficamos a saber que “apenas” dezasseis mil cidadãos fizeram de forma voluntária um seguro junto da federação de cicloturismo. Mas 16 mil não são poucos! Dezasseis mil ciclistas é muita bicicleta. A repórter falou com ciclistas e não encontrou nenhum desses miles, arrisco a dizer que se calhar não procurou no sítio certo. Tenho para mim que custa compreender a diferença entre dar umas pedaladas no Guincho e pedalar como meio de transporte. Da mesma forma que é diferente ir para Évora andar de kart e conduzir um táxi no meio do trânsito da cidade.

Circular de forma segura é um direito de todos. Ao Estado compete criar essas mesmas condições de segurança. Seja pela construção, ou adaptação das infraestruturas  necessárias para as nossas deslocações, seja pela legislação que proteja os mais vulneráveis contribuindo dessa forma para a segurança de todos e duma maneira equitativa. Por exemplo na Alemanha as ciclovias são estruturantes na rede viária e o código de estrada tira aos automóveis a prioridade para as bicicletas, da mesma forma que os biciclos a perdem sempre para os peões.

Enviar mais clientes para as seguradoras não resolve o problema, quanto muito pode facilitar de forma circunstancial a vida a alguns eventuais lesados. A segurança dos ciclocidadãos, e dos outros todos, tem de ser encarada de forma integrada, estrutural e de preferência longe dos interesses comerciais.

NÃO HÁ MAU TEMPO, APENAS MÁ ROUPA

Posted in cycle to work with tags , , on 6 de Outubro de 2009 by Humberto

A previsão meteorológica para os próximo dias é de chuva, pelo que esta quarta-feira pode bem vir a ser o primeiro SIC by BIKE day molhado!

É frequente que a primeira pergunta feita a alguém que elegeu a bicicleta como meio de transporte seja “então e quando chove?” embora não raras vezes a pergunta dê lugar ao espírito mais derrotista de “quero ver se vens quando começar a chover!”

Mas na verdade qual a relação entre andar de bicicleta e a chuva que motive assim tanta atenção, que quase se fica com a ideia que cada ciclista tem a sua nuvenzinha invernosa dedicada e exclusiva?

Será que a chuva atormenta tanto e de maneira tão severa a vidinha das pessoas que as mantenha sempre à tabela? Ou será por ser de tal maneira rara, que se torna imprevisível a traiçoeira?

Esta obsessão com a chuva tem de ter uma justificação qualquer, ou uma carrada delas em alguns casos. Eu creio ser apenas uma simples razão encontrada facilmente por quem não acredita ser capaz de dar uma oportunidade à bicicleta no seu dia-a-dia. Tipo “bastava eu começar a pensar em sair de casa de bicicleta e era logo o dilúvio!”

Nos últimos dois anos foram poucas as vezes que aumentei a minha patada poluente e apenas por uma vez cheguei ao destino encharcado. Já pedalei com a cabeça molhada, os pés salpicados, a cara a escorrer, mas uma verdadeira molha, apenas uma vez. Em dois anos!

No mesmo período, e enquanto trabalhava no exterior, já estive debaixo de grandes cargas de água, sem escapatória ou sequer a ideia de quanto tempo o céu me iria continuar a cair na cabeça. E depois? Qual é o problema?

O ditado diz que quem à chuva andar, molhado acaba por ficar, mas não diz quão molhado se fica. Todos já saltámos poças, mais não seja quando do regresso da escola, tirando partido dos botins de borracha novos. Já apanhamos molhas de surpresa por uma chuvada tropical ou à saída do Metro num dia que até parecia soalheiro. E então? foi trágico?

O nosso clima mediterrâneo é generoso não só em horas de sol, como também em dias secos e uma das razões para a bicicleta ser bem vinda de regresso às nossas vidas é, por ambíguo que pareça, suster as alterações climáticas provocadas consumo excessivo de petróleo, ou seja poluir menos, ou seja chover mais.

Uma capa de chuva leve, preferencialmente amarela para nos tornar bem notados, uns calções para a viagem e umas calças na mochila, um par de meias extra e uns sapatos impermeáveis, são suficientes para tornar a chuva suportável e até prazenteira.

Andar à chuva é, para mim, uma das melhores e mais agradáveis maneiras de desfrutar da bicicleta. Se pedalar é uma maneira de viajar próximo dos lugares de todos os dias, a chuva oferece-me como que um manto mais silencioso, mais íntimo, e ao mesmo tempo mais real. Poesia à parte, a chuva funciona como um perfume que nos envolve e à nossa cidade no mesmo casulo.

Posto isto, agarrem na bicicleta e vão lá fora ver se chove!

AREIA NA CICLOVIA

Posted in cycle of sighns with tags , , , on 3 de Setembro de 2009 by Humberto

Na passada terça-feira experimentei finalmente percorrer duma ponta à outra a recém inaugurada ciclovia ribeirinha de Lisboa. Este blog teve um enviado à passeata que marcou a conclusão dos trabalhos e já nessa altura aqui se deixaram escritas algumas imperfeições da emblemática obra.

O que ali se mandou fazer deixou muito a desejar. Se antes não havia uma ciclovia, agora tão pouco há. Entre o Cais do Sodré e a Torre de Belém foi feita a marcação no pavimento, especialmente no passeio, de um traçado dedicado em exclusivo ao trânsito bidireccional de bicicletas. Mas isto não é uma ciclovia. É apenas um trajecto. Como aqueles trajectos que são marcados em espaço não urbanos, para que os praticantes da bicicleta todo o terreno se possam orientar.

Como na Serra da Arrábida, na Serra de Grândola ou na costa Algarvia. Tal como em alguns desses trajectos foram feitas pequenas passagem sobre ribeiras, ou alargado um caminho para contornar um cerro, em Lisboa foram feitos desvios para ladear parques de estacionamento e edifícios, foram feitas protecções para os carros não invadirem o espaço ciclável ou marcações de aviso aos peões mais distraídos.

Quando se marca no chão um trajecto, como se fez entre o rio e o Museu da Electricidade, em cima de paralelo de granito, e se chama a isso uma ciclovia, algo está errado! Alguém imagina a CML a abrir uma estrada, daquelas só para automóveis, e a deixar troços em areia, outros em cimento, outros em cascalho e mais não sei quantos pavimentos e depois a chamar àquilo estrada?

A discussão que se gera, dispersa por vários blogues, sobre o utilidade das ciclovias é, regra geral, entre quem é contra e quem é a favor. Mas será que esse tipo de posturas contribui para algum avanço positivo na defesa da bicicleta? O oito-ou-oitenta leva-nos a algum lugar, ou mantém-nos neste marca-passo tão reaccionário quanto injusto?

Imaginemos uma verdadeira ciclovia, mesmo que fosse bidireccional, que unisse Belém ao Parque das Nações. Uma estrutura desenhada para servir quem se quer deslocar em bicicleta entre estes dois extremos da nossa capital. Uma pista pavimentada como devem ser pavimentadas as ciclovias,  e separada quer dos carros, quer dos peões, quando se justificasse. Uma via pensada para ser usada por quem quer ir do ponto A ao Ponto B, sem ter de andar a passear pelo meio de restaurantes e pontões. Imaginemos ainda que em paralelo se combatia o estacionamento anárquico, as velocidades excessivas, a falta de passadeiras, os passeios tão estreitos que se tornam claustrofóbicos. Imaginamos isto tudo e lembramo-nos de quê? De várias cidades europeias onde as ciclovias fazem parte da rede viária. Ou não?

Não desci propositadamente ao rio para pedalar na ciclovia, o meu destino era uma ida e volta à Portela, com passagem pela zona do Parque das Nações. Nem vale a pena dizer, mas claro que o regresso não foi pela ciclovia! E o regresso foi mais rápido e, arrisco-me a dizer, mais seguro. Não porque não tenha usado a ciclovia, mas porque não usei um trajecto mau e feito à pressa.  Um trajecto que não serve os interesses de quem precisa de se deslocar ao longo do rio em bicicleta, nem sequer os interesses de quem para ali vai dar uma volta com os filhos.

Deixemo-nos de lérias: mesmo quando Lisboa for uma cidade gerida por gente de fibra, com capacidade política para fazer as revoluções necessárias. Mesmo quando o blog Passeio Livre não passar dum arquivo morto de zeros e uns e a Avenida de Liberdade for um espaço livre de poluição, mesmo na Lisboa ideal, haverá lugar e razões para traçar ciclovias bidireccionais e unidireccionais, exclusivas e partilhadas, enterradas e aéreas. Simplesmente da mesma maneira que haverá sempre passeios, estradas, rotundas, cruzamentos.

SOBRE AS RAZÕES DO NÃO

Posted in cycle to know with tags , , , , on 30 de Agosto de 2009 by Humberto

Quase metade das pessoas que responderam ao inquérito, deram como principal razão para não virem a pedalar, a distância que teriam de percorrer até Carnaxide. As duas outras razões apontadas como maior factor de dissuasão, foram o receio de partilhar a estrada com o trânsito automóvel e as obrigações com o transporte dos filhos entre casa e a escola.

Das três causas maioritariamente escolhidas, a que mais objectiva solução tem é a que se prende com a dificuldade de encarar o estrada como um espaço seguro. Para além de se poder trabalhar os receios individuais através de aulas de condução de bicicletas em espaço urbano, como as que já existem tanto promovidas por instituições públicas como privadas, a reduzida amostragem revela-nos ainda assim, como é importante a implementação de medidas que reduzam a velocidade máxima permitida, aumentem as áreas reservadas aos peões e às bicicletas e regulem e disciplinem o estacionamento automóvel.

Se transpusermos estes resultados para o geral da população, fica-se com uma ideia de como um espaço urbano melhor arrumado, é a solução para o problema da mobilidade, no que tem a bicicleta como alternativa ao carro, duma percentagem não desprezível da população. No caso da SIC 16% dos funcionários.

O factor distância encerra uma certa subjectividade, na medida em que, para a avaliação dessa distância, contribui bastante em que condições é que ela teria de ser percorrida. E isto leva-nos de novo à questão do planeamento urbano. Melhores e mais seguras vias “encurtariam” as distâncias.

Estamos demasiado longe de cidades onde a enorme maioria dos alunos chega ou é levada de bicicleta à escola. A solução para este problema passará, no melhor  dos casos, pelo “sacrifício” de um dos pais para que o outro possa prescindir do carro.

De referir ainda que 8% da respostas referiram que a razão para não virem de bicicleta é que simplesmente não possuem uma. O Governo Inglês adoptou recentemente medidas fiscais bastante benéficas para as empresas que incentivem os seus trabalhadores a utilizarem velocípedes. As empresas poderão reaver o valor do IVA, além de adquirir a bicicleta em regime tipo aluguer, como se de um carro de serviço se tratasse. O trabalhador, por seu lado, escolhe a bicicleta, dentro de determinado plafond, pagando um pequeno valor mensal. No fim do tempo de aluguer poderá optar por liquidar o residual ou trocar de bicicleta e prolongar o regime de aluguer. O valor total pago ficará sempre muito abaixo do preço normal em loja. Foi recentemente aprovado pela Assembleia da República um projecto lei do PEV que cria um regime de incentivo fiscal à aquisição de bicicletas. Um pequeno passo, pouco publicitado, mas dado no caminho certo.

Se pelo menos metade das pessoas que responderam, passassem a vir diariamente pedalando para o trabalho, o efeito seria significativo. Como dizia um colega nosso que trocou recentemente as quatro pelas duas rodas “Como é que eu não me lembrei disto mais cedo! Mas o melhor vai ser quando recomeçar o trânsito depois das férias, é que chego mais depressa à SIC de bicicleta que de carro!” Quem se desloca em bicicleta contribui, de forma um pouco paradoxal, para a qualidade de vida dos automobilistas, deixando-lhes mais espaço livre…

Tendo estas perguntas sito feitas a pessoas que trabalham num órgão de informação, podemos avaliar o efeito que tem no nosso próprio bem estar a atenção que resolvamos dar aos temas da mobilidade sustentável das cidades em geral e à questão da bicicleta em particular.

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