Arquivo de peugeot

UMA DAMA FRANCESA

Posted in cycle of sighns with tags , , on 20 de Janeiro de 2011 by Humberto

A bicicleta transporta a cada pedalada várias revoluções técnicas desconhecidas de quase todos incluindo os que lhe carregam nos pedais. Os pneus ocos e as câmaras de ar, os rolamentos de esferas, as correntes de elos alternados e a roda de raios tangenciais, são alguns dos avanços tecnológicos que estão hoje presentes em praticamente todas as máquinas que usamos. E mesmo quando assim não é são componentes essenciais das máquinas que fabricam o mundo à nossa volta.

Desde que o homem começou a usar ferramentas a fonte de força exclusiva para as operar foi a das mãos, braços e costas. Embora o uso de roldanas e alavancas fosse já muito antigo nunca passou pela cabeça que poderiam ser impulsionadas pelos mais fortes músculos que temos: os das pernas. Além de ter tornado a bicicleta realmente utilizável, o sistema de transmissão tal qual hoje o conhecemos -pedais, pedaleira, corrente e carreto- é uma das mais eficientes forma de usarmos o nosso corpo.

Para alguns a bicicleta é uma forma divertida de se deslocarem, de se exercitarem, de serem apenas mais cada um, sem nunca lhe dedicarem muito pensamento para além do sentido meio inconsciente que é manter o equilíbrio sem esfolar os joelhos, cumprindo assim mesmo e já função para que cada par de rodas foi montado num quadro, equipado com uns quantos cabos e umas rodinhas dentadas que rangem a cada pontapé.

Para outros a bicicleta é uma máquina fantástica que representa o alcance da capacidade do homem em se transcender. À medida que as máquinas fabricaram a industrialização da vida e a cada dia punham novos desafios ao engenho do homem, a bicicleta ocupou um papel injustamente esquecido. Num tempo em que a par do lucro o que movia as ideias era a busca de melhores condições de vida e ainda antes das duas grandes guerras e do seu legado de destruição, a bicicleta foi motor de aspirações e libertações. Um pouco como volta a ser hoje.

Dificilmente darei a volta ao mundo a pedalar e tampouco seria o primeiro, muito menos o derradeiro mas quando vou ao mercado é também o mundo que gira por baixo dos pneus, sou também eu que parto um pouco por todas as estradas do mundo. Sou dos que para quem a bicicleta representa ambos os parágrafos anteriores e muito mais! E por isso lá vou coleccionando pequenos pedaços da história, símbolos belos e engenhosas máquinas de outrora. Agora foi a vez duma dama francesa elegantíssima como é a dama portuguesa que a vai vestir.

Uma Peugeot dos início dos anos oitenta senhora dum quadro mixte em aço Carbolite 103 azul celestial e com 10 velocidades. Luz de dínamo, grade traseira e uns lindos guarda lamas cromados. Está muito bem recuperada e original exceptuando alguns “consumíveis”, mas sobretudo em perfeito estado de utilização que é como as bicicletas, e já agora também as damas, se querem. Com tanto apelo às exportações sinto-me um pouco em contra corrente com mais esta aquisição em terras de sua majestade mas que raio… um homem não é de pau!

A RAINHA DA SELVA

Posted in cycle to know with tags , , , on 7 de Outubro de 2010 by Humberto

Muito do que se escreve neste blog, e em muitos outros onde a bicicleta é rainha, é fruto dum interesse, direi, militante sobre o mundo à nossa volta. Vivemos, andamos, trabalhamos, partilhamos e queremos conhecer os caminhos por onde pedalamos. Somos pessoas interessadas nos problemas da nossa contemporaneidade. Mesmo quando divergimos na opinião, na análise que fazemos do presente, nas formas como antevemos o provir, temos um interesse, pelo menos declarado, comum. E temos sempre tanto a aprender, porque não há melhor maneira de carregar a mente com dúvidas do que esgravatar por respostas.

O nosso sentido crítico tempera os artigos publicados na blogosfera tentando que fiquem mais agradáveis ao paladar de quem nos lê. Creio acertar se sugerir que nada nos deixa mais realizados do que saber que a s modestas palavras e as simples ideias que animam estes espaços chegam a leitores ainda não evangelizados. Escrever para dentro, alertar quem já atento está, fe char o circulo não será bem a vocação dum blog que tenta piamente encher as nossas vidas de vontades múltiplas de pedalar, que almeja a conversão de indústria automóvel em fábricas de velocípedes. E isso nem seria coisa nova, sequer.

Celebra este ano o segundo centenário uma das mais emblemáticas marcas europeias. O fabricante francês de moinhos de café e de pimenta, de automóveis, utensílios de cozinha, ferramentas, lambretas, bicicletas com motor e sem motor Peugeot completa 200 anos. Milhares de pessoas espalhadas um pouco por todo o mundo trabalharam, construíram, desenvolveram, investigaram, venderam produtos que transportam um dos mais célebres leões. Muitas o continuam a fazer hoje e esperemos por muitos mais séculos. Muitas mais pessoas fazem desses produtos parte integrante do seu dia a dia, alguns deles têm o prazer de pedalar numa bicicleta Peugeot.

Quanto haverá dos diferentes produtos em cada um? O que tem um moinho de pimenta que ver com uma bicicleta ou uma batedeira com uma scooter ou um serrote com um automóvel? Quanto é que foi inventado e aproveitado, quantas ideias a Peugeot desenvolveu e nunca aproveitou, qual é a verdadeira importância da marca para o progresso da humanidade? E daqui a duzentos anos, onde haverá um leão com sotaque francês? Será um leão com os olhos em forma de bago de arroz? Esperemos pelos menos que no próximos duzentos anos a Peugeot contribua mais para a sobrevivência dos leões verdadeiros. E já agora -modéstia bem à parte, que quem escreve em blogs vá fazendo a sua parte.

Aqui fica um raminho de hortelã para temperar a sua próxima ida à loja de bicicletas do bairro.

 

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