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LUZ, CÂMARA, BICICLETA!

Posted in cycle to know with tags , , , , , on 25 de Setembro de 2011 by Humberto

A Federação de Cicloturismo, a Câmara Municipal de Lisboa e a Produtora Retina Azul uniram-se e realizaram três pequenos filmes com informações úteis sobre a utilização da bicicleta na cidade.

Como cruzar os carris do eléctrico e circular na faixa de rodagem, sobre cadeados e segurança e a bicicleta nos transportes públicos são questões abordadas de forma clara com recurso a imagens exemplificativas.

Podendo considera-se os primeiros trabalhos que põem em imagens um conjunto de recomendações válidas não só para quem está a começar mas também para quem já por aí anda, é seguramente um contributo importante para a divulgação da bicicleta como meio de transporte.

Participante modesto desta empresa, convido o caro leitor a assistir ao que abaixo se mostra e a deixar a opinião. Qualquer que ela seja.

JANTAR COM O INIMIGO

Posted in cycle of sighns with tags , , , , , , on 24 de Maio de 2011 by Humberto

Não houve ainda vez nenhuma que fiz referência ao facto da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta ser associado da Fédéracion International de l’Automobile, globalmente conhecida pela sigla FIA, que o interlocutor não faça um ar de admiração ou até de dúvida. Então mas como é que a associação dos doidivanas das bicicletas faz parte da mesma respeitada organização que os formula um e os carros de rali? As razões para as coisas serem como são, são muitas vezes muito mais simples que parecem e se nos dermos ao trabalho de descobrir como foi que nasceu a FIA há já mais de 100 anos, talvez a presença da FPCUB deixe de ser assim tão estrambólico.

Muitas das mais de duzentas organizações membros da FIA são clubes de touring, caravanismo e campismo, não representando exatamente utilizadores do automóvel mas quem usa um qualquer meio, a motor ou não de transporte particular para as suas deslocações de lazer e turismo. É fácil de perceber que em vários países europeus a importância da bicicleta enquanto meio de transporte rivalizou durante muito tempo com o automóvel. A bicicleta é, direi mesmo cada vez mais, usada como veículo para ir de férias mesmo pelos caminhos de Portugal. Há até um excelente novo incentivo! Provavelmente também aqui a situação geográfica de Portugal limitou o alcance da pedalada mas todos conhecemos, mais não seja pelo eco nos média, compatriotas que fazem viagens a pedalar, algumas até paragens distantes.

Nalguns países os atuais clubes de automobilistas, porque são tão antigos que à data da sua fundação ainda não existiam automóveis, herdaram a tradição dos amantes do touring (não confundir com tuning) em bicicleta e, mais tarde em motorizada. Sair de casa com uma roulotte atrelada ou ao volante duma auto-caravana é muito comum no centro da Europa e é vê-los descerem até à nossa costa atlântica com aquele ar de reformados sortudos. Muitos países têm vários clubes na FIA, sendo que normalmente apenas um agrega a componente de desporto, ou se quiserem, de competição. A França tem como associados na FIA três clubes de automobilistas, um clube de campismo e outro de campismo e caravanismo, mais um de desporto motorizado. De Portugal estão representados, para além da FPCUB, o Automóvel Clube de Portugal e a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting. Mas para ver que as coisas não são mesmo como parecem, sabia por exemplo que o ACP promove o montanhismo? Nem eu! É caso para dizer que no ACP antes trepar que pedalar…

Vem este relambório a propósito de ter eu sido arrastado para um jantar que fechou a Conferência Internacional de Clubes da FIA, que decorreu no Estoril há meia dúzia de dias. Chegado ao repasto, já com um significativo atraso, sentado e devidamente apaparicado com um colorido prato e um desejado copo de vinho, como se exige de semelhantes convívios, deparo-me com a questão do dito cujo propriamente dito: o convívio. De que falar com comensais que passam a vida a ver o mundo pelo para-brisas dum mais que provável topo de gama luzidio e rocinante? Deu-se o caso do casal à minha direita ter vindo do norte da Alemanha, dum burgo perto de Bremen, cidade imortalizada pelos irmãos Grimm e os seus quatro amigos músicos. E por aí foi a conversa até que o fado interrompeu os diálogos com a sua exigência de silêncio -muito gostamos nós de dar a plateias que nada percebem da língua lusa, uma música onde a palavra é fundamental!

Quando a crua realidade do presente nos dá pouco espaço para a fantasia, esta fábula dos quatro amigos que fogem para Bremen em busca do futuro e da liberdade, fala-nos de como objetivos comuns podem ser a alavanca que une quem é tão diferente como um burro, um cão, um gato e um galo. Ao contrário do que se afigura no nosso horizonte enquanto país, em que não nos dizem sequer para onde nos querem  empurrar, embora apenas nos prometam pedras pelo caminho, os quatro músicos de ocasião sabiam que era em Bremen onde encontrariam a solução para os seus problemas. Ou seja, moviam-se com um objetivo, concordando com o destino.

Afinal o jantar, mesmo descontando a singela refeição e a bando sonora da praxe, acabou por me dar mais umas boas razões para continuar a ser criterioso e até um pouco sectário nas fábulas e histórias de fantasia que escolhemos cá em casa para ler ao V. Mesmo rodeado de apaixonados pelas máquinas que me oprimem enquanto defensor duma mobilidade integrada, onde todos caibamos de acordo com as nossas necessidades, é possível encontrar caminhos para percorrermos a par. Cada vez mais cansado das vozes que nos garantem que os políticos são todos iguais, sei que é nas diferenças -escondidas?- das propostas, mas sobretudo da ação, que é possível e necessário trilhar um caminho novo para o meu país. Para que depois do dia 5 de Junho não tenhamos todos de ir por aí a caminho de Bremen.

A BICICLETA NA VIA LENTA

Posted in cycle of sighns with tags , , , , , on 19 de Agosto de 2010 by Humberto

Passou já um bom bocado desde o furor pré-eleitoral e da necessária conquista de todos os votos necessários para a tão desejada eleição, a bicicleta ganhou papel de estrela no debate sobre a cidade e quem nela vive. Relembro que gosto de pensar na cidade de Lisboa como um espaço bem mais para lá das fronteiras administrativas sob a alçada do gabinete presidencial da Baixa Pombalina. Quase um ano depois do frenesim das ciclovias, do pânico aos capacetes, das promessas partilhadas, o que temos?

Quando o The New York Times deu destaque à produção de energia limpa em Portugal, fê-lo  como uma provocação, como um desafio. Nos Estados Unidos da América, país onde as energias sustentáveis contam apenas 5% do total, vir dar como exemplo uma Nação mergulhada numa grave crise estrutural, com índices de desenvolvimento em regressão e números de desemprego que não deixam muita margem ao optimismo, mas que mesmo assim conseguiu um feito numa área tão relevante como a produção de energia, foi visto também como um abanão da consciência do uncle Sam.

Se os decididos governantes conseguem ser exemplares na área da produção energética, porque são tão incompetentes a resolver os problemas do gasto? A maior factura, desequilibradora da balança externa, é a energética e paga-se pelo que gastamos para movermos o nosso rabo gordo dum lado para o outro, leia-se de e para o trabalho. E é aqui que a nossa amiga bicicleta poderia entrar como verdadeira estrela da companhia. Não que seja ela a solução, sequer uma solução para toda a gente, já que é muito mais fácil, por exemplo, sentarmos o rabo gordo dentro dum autocarro que em cima dum selim. Mas a regulação da cidade,  no bom sentido, continua a ser um objectivo adiado.

Não será por acaso que no recente estudo European Green City Index, Lisboa -a “pequena” Lisboa alfacinha- aparece nos dez primeiros lugares apenas no item “Energia”, surgindo em décimo oitavo da geral, num universo de 30 Capitais Europeias! Quantas bicicletas serão precisas mais, e respectivamente menos carros, nas ruas da grande cidade para subirmos no top 30? Nesta corrida, onde tanto temos a ganhar, muito mais que medalhas, não somos capa de jornal. Aliás, os periódicos de cá ligam quase nada a estas questões e os de lá não encontram por aqui razões exemplares. Quem tem a sorte de ir conhecendo um pouco deste mundo, sabe bem como estas matérias estão a ser tratadas por urbes que, apesar de não serem capitais, se assemelham muito à Lisboa do Tejo.

Copenhaga foi palco da grande conferência pela bicicleta, a primeira global, a mais participada de sempre! Desde associações locais a patrões dos maiores fabricantes de bicicletas, todos quiseram marcar presença. Do que lá se disse e ouviu chegou eco à Europa, EUA, América do Sul, Oceania, até na Ásia onde a bicicleta tem o seu habitat mais favorável. E por ? Bem, adiante…

A próxima edição da Velo-City é em Março de 2011 e mesmo aqui ao lado, em Sevilha. Será que se vai poder ouvir falar Português com sotaque europeu na Capital Andaluza? Sem verdadeira mobilização, organização, objectivos e estratégia, continuaremos a ser alguns pedaladores, mais ou menos militantes, solitários e à margem dos destinos da cidade, das cidades. Silenciosos e nada incómodos andaremos por aqui, até que os senhores do costume vejam em “nós” um nicho interessante onde vir pescar uns votos.

A SEGURANÇA É UM DIREITO

Posted in cycle of sighns with tags , , , on 22 de Outubro de 2009 by Humberto

Vem este texto a propósito de duas reportagens do NÓS POR CÁ da SIC. A questão do seguro de responsabilidade civil para quem circula de bicicleta chegou às parangonas e, como seria de esperar, não  foi por boas razões, infelizmente também não da melhor maneira. Por favor, pause a leitura agora e, para perceber o porquê, veja as peças aqui.

Todos nós, utilizadores das vias públicas nas diversas qualidades, como condutores de veículos a motor, a pedais ou carrinhos de bebé, peões a caminho do trabalho ou acompanhantes de animais domésticos, temos responsabilidades e podemos ter de responder por elas em caso de algo correr fora da dita normalidade.

Pela lei da probabilidade, quem conduz uma máquina com algumas dezenas de cavalos de potência, mesmo que o faça dentro das velocidades permitidas, corre riscos de, em caso de acidente, provocar maiores danos que alguém que circule por seu próprio pé. Ainda que o acidente não seja falta sua.

A mesma lei dirá que uma desatenção pode levar um peão a tropeçar no guarda chuva doutro peão, cair para a estrada e um carro, ao desviar-se, entrar por uma mercearia cheia de clientes. De quem seria a responsabilidade? Que seguros se teria que accionar?

O ciclista que alegadamente provocou o acidente referido na reportagem é responsabilizável pelos factos prováveis e apenas se provados. E existem autoridades para investigarem e autoridades para julgarem. Se as autoridades legítimas a quem compete derrimir litígios entre cidadãos são lentas ou até inoperantes, isso não é razão para obrigar todos os que saem à rua com receio duma carga de água a fazerem um seguro ao seu guarda chuva.

Pela segunda reportagem ficamos a saber que “apenas” dezasseis mil cidadãos fizeram de forma voluntária um seguro junto da federação de cicloturismo. Mas 16 mil não são poucos! Dezasseis mil ciclistas é muita bicicleta. A repórter falou com ciclistas e não encontrou nenhum desses miles, arrisco a dizer que se calhar não procurou no sítio certo. Tenho para mim que custa compreender a diferença entre dar umas pedaladas no Guincho e pedalar como meio de transporte. Da mesma forma que é diferente ir para Évora andar de kart e conduzir um táxi no meio do trânsito da cidade.

Circular de forma segura é um direito de todos. Ao Estado compete criar essas mesmas condições de segurança. Seja pela construção, ou adaptação das infraestruturas  necessárias para as nossas deslocações, seja pela legislação que proteja os mais vulneráveis contribuindo dessa forma para a segurança de todos e duma maneira equitativa. Por exemplo na Alemanha as ciclovias são estruturantes na rede viária e o código de estrada tira aos automóveis a prioridade para as bicicletas, da mesma forma que os biciclos a perdem sempre para os peões.

Enviar mais clientes para as seguradoras não resolve o problema, quanto muito pode facilitar de forma circunstancial a vida a alguns eventuais lesados. A segurança dos ciclocidadãos, e dos outros todos, tem de ser encarada de forma integrada, estrutural e de preferência longe dos interesses comerciais.

E SE AMANÃ FOSSE DE BICICLETA?

Posted in cycle to work with tags , , on 1 de Setembro de 2009 by Humberto

Às páginas da FPCUB fomos buscar um exemplo que se espera incentive mais umas quantas primeiras vezes.

A mudança radical de certos hábitos pode ser fruto de uma simples alteração de pequenas rotinas, de um olhar alternativo sobre o nosso dia-a-dia, do encontro de novas harmonias e diferentes níveis de conforto.

Aceitem a oportunidade de, em grupo e por um dia apenas, experimentar a capacidade de nos libertar da ditadura do automóvel. Ou, posto de outra maneira, de que estão à espera para darem uma oportunidade ao futuro?

PROTOCOLOS DE GAVETA

Posted in cycle of sighns with tags , , , on 23 de Agosto de 2009 by Humberto

A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta em Maio de 2009 publicou no seu sítio, um protocolo celebrado com a Câmara Municipal de Lisboa em Março de 2000. Quase uma década antes!

No Preâmbulo do acordo lê-se que, partindo do reconhecimento do aumento dos utilizadores de bicicletas de “lazer“, as duas entidades propunham trabalhar na criação de condições para uma maior utilização da bicicleta enquanto meio de transporte. Fala-se dos trajectos que sirvam “escolas, locais de trabalho, serviços públicos, zonas de lazer” e de um tal “etc”. Et cetera incluí seguramente todos os outros destinos possíveis, na cidade de Lisboa onde essas condições vão ser criadas. Digo eu…

Encara-se a bicicleta como “modo de transporte privilegiado” e acredita-se no seu papel na “diminuição da poluição e do ruído e na redução do congestionamento automóvel.” Para além de “melhorar a saúde pública, poupar energia e concorrer para a implementação de um desenvolvimento sustentado nas Cidades.” Tudo isto achava a CML em 2000!

Mas achava mais. Achava que era “urgente (!) criar condições de segurança para o número crescente de cidadãos que utilizam a bicicleta na Cidade de Lisboa.” E por isso pretendiam, com a ajuda deste protocolo, pôr em prática uma Resolução da Assembleia da República, cuja data desconheço, mas que é necessariamente anterior a 2000, e aprovada por unanimidade, relativa à “… criação de condições de segurança para a circulação de peões e velocípedes sem motor e de qualidade de vida nas ruas e cidades portuguesas”. Tudo isto de acordo com as recomendações da Agenda XXI, saída da Conferência da ONU para o Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro em 1992(!!).

Lendo para além do Preâmbulo, percebe-se que já em 2000 havia um plano. Pretendia a edilidade chamar o segundo outorgante a dar “apoio adequado, na área do aconselhamento técnico” para a “implementação de ciclovias e parques de bicicletas“; “marcação de circuitos de interesse turístico”; acções de formação em prevenção rodoviária direccionada para os ciclistas de Lisboa; elaboração do “Guia da Bicicleta em Lisboa” com informação útil aos utilizadores de bicicleta e organização de passeios regulares como forma de dinamizar a “bicicleta enquanto forma de lazer e como meio de transporte urbano“. É verdade, está lá escrito!

Seguem-se uma série de cláusulas que visavam operacionalizar o protocolo e inclusive comprometiam a CML de então a financiar as acções levadas a cabo pela Federação no Concelho de Lisboa. O texto e o compromisso foi validado por dois anos, renováveis automaticamente, pelo então vereador Rui Godinho e pelo já na altura presidente da FPCUB, José Caetano. Depreende-se que para ter sido agora (re)publicado no site da Federação, não tenha sido denunciado por nenhuma das partes e se mantenha ainda em vigor. Mas em dez anos muita coisa mudou na Cidade de Lisboa. Muita coisa mesmo! Pelo que talvez devesse ter sido feita uma, digamos, actualização do documento?

Em anexo ao protocolo vem a “descrição das acções a implementar” previstas pela CML de então. Custa até a acreditar que em 2000 houve alguém que se propôs ao que lá vem escrito! Deixo a vossa curiosidade obrigar-vos a irem ler no documento original e…

vejam bem o tempo que se andou a perder!

CICLOVIA DO TEJO

Posted in cycle of sighns with tags , , , , on 2 de Agosto de 2009 by Humberto

No dia 1 de Agosto foram dados por findos os trabalhos e “aberta” à circulação a ciclovia ao longo do rio Tejo entre o Cais do Sodré e Belém numa extensão de sete quilómetros.

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa e o presidente da FPCUB, José Caetano acompanharam ciclistas durante o percurso e tiveram oportunidade de constatar o desrespeito de alguns automobilistas para com a sua cidade. Além das infraestruturas é necessário também um grande investimento na alteração das mentalidades mais egoístas. A Polícia Municipal poderia começar por dar o exemplo, não percorrendo a ciclovia de velocípede… a motor!

O percurso não conta com um piso uniforme e há mesmo algumas partes em calçada e em “paralelo”. Sendo duas superfícies bastante desconfortáveis para os ciclistas, a calçada é particularmente  perigosa quando molhada e pouco amiga dos pneus mais finos.

Depois de anos em que Lisboa foi uma das únicas capitais totalmente dominada pelo espírito do carro, neste período pré-eleitoral são boas as notícias para quem quer desfrutar mais das duas rodas a pedal. Esperemos que brevemente se comece a sentir uma nova atitude na gestão do trânsito e do estacionamento.

Fica aqui o convite para quem precisa de mais um pretexto para sair de casa de bicicleta.

FF/HC

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