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O PRINCÍPIO DO COMEÇO

Posted in cycle of sighns with tags , , on 17 de Outubro de 2009 by Humberto

Findas as campanhas eleitorais, deitados nos contentores azuis os panfletos coloridos e cheios de amanhãs solarengos, arrumadas na memória esquecida as promessas repetidas, a vida retoma o seu dia-a-dia ritmado e metódico, qual cadência da pedalada numa bicicleta velha, enferrujada e desafinada.

A última eleição reorganizou o poder mais democrático de todos, o poder autárquico. Mais democrático porque mais curtas são as distâncias entre os que votam e os votados, tendo os segundos feito das questões da mobilidade assunto charneira das suas propostas apresentadas aos primeiros. Mesmo que por vezes a viragem tenha sido anunciada timidamente, as diferentes campanhas valeram-se de túneis, ciclovias e saca-rolhas para conseguir o nosso voto.

O transporte pendular das populações espalhadas por Portugal está, como em poucos países, dependente principalmente do transporte particular, ou seja do carro. Na área metropolitana de Lisboa a situação vivida diária e infernalmente por centenas de milhar de pessoas é insustentável e a solução não passará infelizmente apenas pelo recurso à bicicleta.

Mais que o cumprir de promessas, algumas avulsas quando não mesmo contraditórias, torna-se imperioso que os agora eleitos assumam a responsabilidade dum projecto moderno e sustentável. É urgente que as várias Câmaras da AML coincidam em políticas integradas de mobilidade. Isto dito assim parece um chavão. E é. Mas há que ter esperança que nos vários elencos camarários exista coragem política e massa crítica suficientes para cortar com este caminho de asfalto que nos trouxe a um beco sem saída.

Por aqui se anunciou, e se mostra agora, que a CDU de Grândola promoveu uma caravana de bicicleta. Cerca de quarenta pedalantes percorreram outros tantos quilómetros e pelo resultado da corrida se percebe que não os bastantes para chegarem à meta das urnas em primeiro lugar, mas ficou o pioneirismo da iniciativa. Nem sempre as melhores ideias obtêm o fins a que se propõem. O povo tem sempre razão.

Quatro anos é tempo que chegue para os autarcas mostrarem trabalho, definirem opções, realizarem obra. Em dois anos conseguirão, por exemplo, provar aos comerciantes que valeu a pena suportar a empreitada, calando o cepticismo mais militante. Olímpica tarefa a de pôr o engenho ao serviço da arte de fazer bem, que é como quem diz limpar e olear a bicicleta, ajustar os travões, substituir a corrente, trocar os pneus carecas. Haja vontade que a chegada valerá bem a viagem!

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CADA UM PEDALA A SUA BICICLETA

Posted in cycle of sighns with tags , , , , , on 24 de Setembro de 2009 by Humberto

Foi com a frase do título que o velocípede sem motor entrou muito cedo na campanha eleitoral para as eleições legislativas do próximo domingo. No dia em que a Quercus fez a análise da pegada deixada pelas diversas candidaturas na atmosfera, soube que a CDU de Grândola tem prevista uma caravana de bicicletas, naquilo a que será provavelmente a acção de campanha mais sustentável e sustentada desta contenda.

Se a imagem de cada um a pedalar a sua bicicleta é uma boa imagem no contexto em que foi proferida, não deixa de ser verdade que se todos pedalássemos mais acabaríamos por subverter um pouco o sentido que foi dado originalmente

Ernesto Che Guevara, ca. 1950

. Confuso? Não me surpreende…

Cada macaco no seu galho poderia ter sido a frase empregue em substituição da da bicicleta, mas não contribuiria muito para o bom ambiente entre São Bento e Belém. A verdade é que pedalar contribui para um mundo melhor, pelo que não é só o nosso galho a ficar mais verde, é toda a árvore que ganha, é todo o bosque que floresce.

A bicicleta é muitas vezes usada como moleta política, seja declaradamente em campanha ou como acessório, a bicicleta transformou-se num elemento incontornável na realidade portuguesa. Foi louvável a ideia de incluir à última da hora uma bicicleta na corrida entre um Porsche e o Metro, mesmo que tenha sido feito à revelia e para surpresa da organização. E o melhor de tudo foi que a bicicleta ganhou!

Amanhã, sexta-feira, a bicicletada é mais uma excelente oportunidade para continuarmos a pedalar cada um a nossa bicicleta. Para as pedalarmos com gosto e com um objectivo comum: surpreender pela positiva, mostrar que é possível cada um fazer mais por si, fazendo muito por todos, por um futuro melhor, de rotura com paradigmas gastos e poluentes.

E já agora, pedalem no domingo! Digam de vossa, de nossa justiça! Votem porque… o voto é uma arma!

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