EVIDENTEMENTE

Posted in cycle of sighns with tags on 20 de Maio de 2013 by Humberto

happy bike riderTudo tem uma razão para ser como é e encontrar as razões e os porquês das coisas serem como são é talvez o verdadeiro sentido da vida. O que descobrimos depende não só de onde procuramos mas sobretudo da capacidade, da abertura, para compreender o descoberto. A bagagem com que nos fazemos à viagem de busca, até o porto de partida determinará as razões e os porquês que encontraremos pela vida fora. Na vida toda ou na vida dum só dia. Leva não leva e lá anda alguém a perguntar se conheço quem tenha tomado a bicicleta numa troca de circunstância, pela crise ou pelo preço da gasolina. Se sei de quem tenha abandonado a dependência do carro pelo vício da bicicleta. Alguém que se tenha convertido num monge cicludista para salvar o planeta do aquecimento global ou pura e simplesmente combater o poder da indústria dos perfumes com ataques maciços de odores corporais.

Há mais gente a pedalar, por todo o lado isto é uma evidência mas mesmo as evidências quando nascem não são para todos. Um cidadão pode perfeitamente fazer a sua vidinha sem nunca aprender a pedalar nem sequer ver como por aí anda tanta gente de rabo no selim, e mesmo assim ser feliz. Os outros, os que reparam e que podem também ser felizes, os para quem não lhes bastavam as motos a ultrapassar pela direita, agora também andam os malucos das bicicletas, para os que apanham um susto de cada vez que se cruzam com um cavaleiro da calçada, para esses a tal evidência poderá provocar incómodo, curiosidade, irritação, sorrisos, vontade de experimentar, inveja, indiferença, ou outro qualquer cocktail de sensações e sentimentos. Quem olha a bicicleta que passa pode muito bem ou pode não, muito bem também, pensar sobre isso.

É muito mais cómodo quando as coisas são fáceis de perceber, ou melhor, quando as percebemos facilmente. A bicicleta, fruto sobretudo do markting que a utiliza como maneira que chegar mais até a quem a não usa, é um veículo ecológico. Logo, quem usa a bicicleta é uma pessoa com preocupações ambientais, logo usa-a porque acha que assim protege o ambiente. A bicicleta é aceite como um veículo barato -que horror, esta bicicleta custa 500€!?- porque não gasta combustível e, com o aumento em flecha dos preços da gasolina, quem opta pela bicicleta quer poupar, logo optou pela bicicleta por razões económicas. Pedalar é uma saudável actividade, de tal maneira que há quem o faça sem sair duma sala cheia de vapores hormonais, música de discoteca e espírito de recruta. Logo, quem anda de bicicleta, fá-lo por desporto.

Vistas bem as coisas tudo isto é assim, só que não desta exacta maneira, objectiva, simplista. A bicicleta e quem a utiliza são tantas vezes eles próprios veículos para abordar de mais uma maneira, os temas ambiente e economia. Mesmo na cabeça do tal cidadão que até já reparou que andam mais bicicletas a passar lá na rua, existe a tentação de compreender esta evidência à luz duma simples equação de causa-efeito. Quem tem de se aproximar um bocadinho mais das bicicletas, jornalistas por exemplo, muito raramente o faz sentado no selim e é certo que terá o estigma ambiente-poupança-desporto por cartilha. Ver a bicicleta como um veículo que serve para transportar uma pessoa do lugar A ao lugar B, porta a porta, sem nenhum dos problemas do carro ou do transporte público, é quase uma impossibilidade material. Como pode alguém não preferir o conforto do estofo e do choffer? E o cheiro a suor que esta gente tem?

O filme no fim do texto diz o me faltou pôr por palavras mas antes que o veja, responda-me a uma perguntinha só assim em jeito de inquérito aos leitores, e pode usar a caixa de comentários que é grátis: se pedala, porque é que pedala? A bicicleta é um assunto de mobilidade, logo de ambiente, logo de saúde pública, logo de economia. Dito isto é muito fácil imaginar a quantidade de caminhos que se podem percorrer se nos deixarmos envolver pelo seu corpo e embrenharmo-nos na sua alma. A quem se propuser fazer essas viagens e ir compreendendo um bocadinho as razões da tal evidência, terá que primeiro entender a mais simples das coisas: a primeiríssima razão porque se vê por aí gente em cima de delas é porque andar de bicicleta é divertido!

The Holstee Manifesto Lifecycle Video from Holstee on Vimeo.

QUE O BENFICA TRAGA A BICICLETA

Posted in cycle to know with tags , on 15 de Maio de 2013 by Humberto

Há muitas esperanças concentradas em Amesterdão para o jogo de logo à tarde.

Eu acrescento mais uma: que os Portugueses que conseguiram reunir os carcanhois para ir ao Arena, olhem com olhos de ver como os Holandeses se divertem muito mais em cima duma bicicleta que dentro dum carro.

Que apreciem a cidade -e não estou a pensar apenas na Rode Lichten Straat ou nas variedades das Coffeeshops. Uma cidade desenhada para o peão, à dimensão do peão.

Que tenham a oportunidade de perceber as diferenças entre a vida numa cidade pensada não só em função do automóvel mas duma mobilidade sustentável.

Que a viagem a Amesterdão seja uma festa pelo jogo e se possível pelo resultado também.

Porque se há 23 anos que o Benfica não jogava uma final duma competição europeia, o atraso nacional em questões de urbanismo e planeamento é muito superior a duas décadas.

Que da viajem à Holanda tragam um novo olhar para a importância que a bicicleta tem na construção duma melhor cidade.

Por fim, que experimentem uma verdadeira Omafiets e se misturem na multidão numa cidade onde mais de 60% das deslocações são feitas a pedalar.

Aqui fica um pequeno vídeo inspirador…

What pleases a Dutch girl?? from VANMOOF BICYCLE on Vimeo.

AS FORMIGAS E OS CARREIROS

Posted in cycle of sighns with tags , , , , , , , , on 14 de Maio de 2013 by Humberto

Os transportes públicos ou colectivos, o carro particular, as ciclovias e os capacetes são os lados que marcam o perímetro dentro do qual a bicicleta tenta encontrar o seu espaço. Sobre os TC escrevi um texto, seguido de outro sobre o automóvel e o que se segue é sobre ciclovias. Fica a faltar o lado dos capacetes.

Os transportes colectivos e o automóvel são o que todos temos de mais certo quando pensamos em sair de casa. Tanto Lisboa e Porto como outras cidades de dimensão têm bons ou razoáveis serviços de transporte urbano. Não sendo a solução para todas as necessidades de deslocação e cada vez mais com preços pouco competitivos com o carro, os TC são um factor determinante de desenvolvimento urbano e medidor da qualidade de vida dos cidadãos. O carro particular é o rei & senhor das nossas cidades e só muito aos poucos e em casos sempre pontuais que se lhe tolhe os movimentos. É efectivamente possível aceder a toda a cidades de carro. Eventualmente não de todos os carros, mas há sempre um carro que lá consegue entrar. Tomemos aqui em Lisboa o Terreiro do Paço. Dizer-se que a Praça do Comércio está fechada ao trânsito é um pouco exagerado olhando o exclusivo parque de estacionamento em que na realidade se transformou.

A bicicleta, esforçada e sempre prestável, consegue adaptar-se para ser complemento tanto dos TC como do carro. É já comum verem-se transeuntes com uma bicicleta numa mão e um bilhete na outra. Para quem vive numa zona menos central e menos servida de TC, tem por exemplo de levar os miúdos à escola, pode mesmo assim contar com a bicicleta como solução complementar, se não de todos os dias pelo menos quando não chove. O capaceteduque davial antiga -ao qual voltarei um destes dias mas sobre o qual pode ir lendo alguma coisa– representa um pouco como cada cabeça encara a bicicleta e de dentro do qual se podem tirar todas as discussões, as ciclovias são o lado mais prático, ainda que apenas virtualmente, e seguramente mais mediático da bicicleta urbana. As ciclovias ou faixas cicláveis ou como quiserem chamar aos carreiros específicos para bicicletas, são sempre o lado mais visível e transformador do (re)aparecimento da bicicleta na cidade. As ciclovias introduzem um elemento novo na paisagem, infelizmente quase sempre, no passeio.

Sendo certo que as estradas não foram construídas para os carros, hoje existem exclusivamente para eles e tantas vezes contra tudo o resto. É compreensível que os maus da fita não abram facilmente mão de tamanho privilégio. Direi que estamos no ponto em que ganha consciência a necessidade de tirar o domínio ao carro. Depois virá o dia da manifesta “vontade política” de fazer, o que já se sente por aí… Mais tarde virá a “decisão” a que se seguirá o “pôr em prática” realmente.  Nas economias ditas emergentes o aumento do poder de compra de maiorias até há pouco tempo afastadas do grande consumo, leva à concretização do sonho legítimo de ser proprietário dum automóvel. Lá como cá o carro é o mais apetecível sinal social de sucesso. Lá como cá abre-se o livro das contradições comuns tão conhecidas no velho mundo ocidental. Globais são também os erros e as soluções. Tal como cá, constroem-se milhares de quilómetros de asfalto ao mesmo tempo que se renovam os transportes colectivos. Agora que esses países se deparam com a queda do número de ciclistas e de peões, aplicam-se os mais avançados conhecimentos de planeamento urbano. O mundo inteiro está a mudar, é só olhar à volta.

As ciclovias são uma das formas de tirar ao carro algum do totalitarismo de que tem beneficiado nas últimas décadas. O automobilista que circula nas cidades onde as ciclovias estão por todo o lado, sente-se mais como um “par” no espaço público e não como “dono”. Quando é construída uma via que segrega positivamente qualquer meio de transporte, há uma imposição da partilha, não só em termos do espaço concreto mas sobretudo em termos de direito ao espaço. A questão que persiste por ser esclarecida é, numa cidade como Lisboa, qual o papel reservado à bicicleta no contexto dos problemas mais abrangentes da mobilidade. Vamos por momentos situar-nos na zona de Campo de Ourique. Bairro residencial, com muito comércio e alguns serviços, bem servido por transportes públicos e simpáticos locais de paragem e convívio.

Quais os problemas de mobilidade que existem em Campo de Ourique? Arrisco a dizer que todos estão relacionados com o excesso de automóveis. Não apenas dos que circulam mas sobretudo dos que páram. Ou seja, o carro é literalmente dono de Campo de Ourique, o rei, e como é tratado o rei para além de ser tratado com toda a impunidade? Vamos agora olhar para o estado da Rua Ferreira Borges. Poderia ser outra das tantas que Lisboa tem nas mesmas condições. Conheço muitas estradas de terra-batida em melhores condições que a Ferreira Borges! Se os carros, os donos da estrada, os senhores de Campo de Ourique são servidos desta maneira, acredita alguém que as ciclovias sejam solução para a circulação de bicicletas em Lisboa? Porque é que se vê tantos ciclistas nos passeios da Avenida de Roma? Porque não há ciclovia ou porque não há segurança no asfalto?

Lisboa é pequena mesmo para quem a faz a pedalar, como deixou claro o Paulo Guerra dos Santos. Quando ouço que Lisboa tem um problema de trânsito costumo responder que sim, que tem, mas é um pequeno problema. Paris, Londres, Madrid, Berlim têm problemas de trânsito! O que Lisboa não tem, o que Portugal não tem, é a vontade política de pegar pelos cornos a besta. Timidamente introduz-se as zonas de 30km/h mas continua a ser permitido a total anarquia no estacionamento. No tempo da realidade aumentada vivemos uma verdadeira mobilidade reduzida tal o número de barreiras arquitectónicas, autênticas ratoeiras como as esferas de mármore nos passeios. Basta ver o que foi feito na Duque d’Ávila. No papel a coisa prometia mas quando olhamos ao nível o peão, o que encontramos? Uma floresta de pilaretes, canteiros, carros estacionados e uma ciclovia que é por onde toda a gente anda, com ou sem rodas, porque é o único caminho a direito.

Neste vídeo está tanto de Lisboa que quase dói!

Tirado daqui à Bicicleta Voadora

Ficou melhor? Sem dúvida, mas a questão não é apenas essa. Resta saber que tipo de melhor é que se anda a construir. As ciclovias não fazem falta nenhuma na Lisboa de hoje. Se amenizar a paulada que já está a pensar em dar-me, acrescento: salvo poucas excepções -nenhuma contemplada até agora. Quem tem beneficiado com as ciclovias são os peões que assim podem evitar as escorregadelas e tropeções da velhinha calçada. O que fará muito melhor que as ciclovias, a peões e a ciclistas, serão medidas muito mais urgentes como a acalmia de velocidade, a regulação efectiva do estacionamento e a proibição absoluta de estacionamento selvagem, nivelamento de passeios e elevação de todas as zonas de atravessamento, restauro dos passeios de forma a que seja possível andar a pé, com um carrinho de bebé ou cadeira de rodas.

As minhas excepções são uma ciclovia no eixo Liberdade/Fontes Pereira de Melo/Republica; Alcântara/Algés; Martin Moniz/Relógio; Baixa/Parque das Nações; na Marginal da Linha. Que dizer das ciclovias de Telheiras e de Benfica? Voltamos à mesma conversa do excesso de liberdade dada ao carro. Ambas são em bairros e os bairros não precisam de ciclovias para nada! A não ser que Telheiras e Benfica sejam bons mercados eleitorais… Tenho muita curiosidade em ver como vai resultar a requalificação do Bairro do Charquinho, em Benfica, já que finalmente alguma coisa de verdadeiramente relevante pode ser iniciada. É um projecto que mistura coragem política com envolvimento das populações mas sobretudo uma verdadeira transformação da estrutura. Vai sair caro em tempo perdido, o dinheirão que se tem gasto em meter ciclovias onde mal cabe um passeio, a fazer percursos que mais se assemelham às gincanas políticas dalguns autarcas. Apesar do fervor tantas vezes visto nas discussões que as ciclovias geram entre facções do activismo a pedal, as ciclovias têm sido pouco mais que uma artimanha para pescar votos e conseguir a simpatia dalguns militantes da causa ciclista.

BROCHURA INSEGURA

Posted in cycle of sighns with tags , , , , , on 12 de Maio de 2013 by Humberto

Se há frases completamente esbatidas, a “que uma imagem vale mais que mil palavras” é uma. Mas é também uma frase com um certo grau de, digamos, imprecisão. Uma imagem pode necessitar de mais de mil palavras para ser descrita ou ser até impossível de traduzir por adjectivos e subjectivos e preposições. Uma imagem é sempre uma mensagem e a mensagem é palavras. Comunicamos por imagens e palavras, associando sempre umas às outras. Reflectimos enclausurando imagens em palavras e socializamos a escolher as palavras que melhor transmitem as imagens pretendidas.

A escolha das imagens que usamos como mensagem é um acto voluntário e consciente e essa escolha é a construção da imagem que queremos de nós. Nós somos a mensagem porque somos comunicação. Uma imagem serve de ilustração ao texto da mesma forma que pode o texto ser completado pela imagem. A coerência de cada um é uma linha viável que une o discurso -pensamento, valores, ideais- e a acção -a parte visível de cada um aos demais.

O Ministério da Administração Interna através da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, da Polícia de Segurança Pública e da Guarda Nacional Republicana, a FPCUB e a SportZone, protocolizaram (grande palavrão) a campanha de segurança rodoviária que deu um cartaz, uns autocolantes e até um filme simpático. Chama-se tudo “Duas ou Quatro Rodas, Há Espaço Para Todas”. É uma iniciativa importante já que marca o reconhecimento tácito pelo Governo da relevância que a bicicleta ganhou enquanto veículo de transporte. Esta campanha é um muito bom exemplo duma série de mensagens que remetem constantemente para imagens.

cartaz_campanha_2_4_rodasAs campanhas do tipo “partilhe a estrada” são sempre úteis para quem tenta dia-a-dia ganhar algum espaço, num meio tão desfavorável como são as estradas vistas e sentidas do selim. Recordar que a estrada é de todos e que um ciclista é tantas vezes um automóvel a menos no engarrafamento e a roubar o precioso estacionamento, lembrar que a bicicleta é um veículo perfeitamente viável em grande parte das deslocações urbanas, além de ser uma excelente forma de fazer exercício, são ideias muito positivas e especialmente bem vindas olhando às necessidades particulares e colectivas dos tempos actuais.

Embora ressaltem algumas imprecisões objectivas na brochura, como por exemplo afirmar que os automobilista e os ciclistas partilham os “mesmos direitos e deveres” ou argumentar que numa rotunda o ciclista se deve comportar “como qualquer outro veículo”, a campanha tem mérito também pela oportunidade de re-centrar a discussão na necessidade de adoptarmos todos, independentemente da quantidade de pares de rodas que usamos, comportamentos mais tolerantes e seguros. Claro que conseguir a disponibilidade do MAI e das Polícias, todos fundamentais na definição das políticas, da novas e desejadas políticas, que regulem, em lugar de desregular a estrada, é um feito relevante e que deve orgulhar a federação ciclo-turística. Ainda que seja tudo pago em publicidade.

Não seria particularmente motivo de admiração se os governamentais subscritores do referido protocolo, defendessem a obrigatoriedade do uso de capacete para quem se faz à estrada de bicicleta. Já estar a FPCUB associada a uma campanha em que o capacete aparece obrigatoriamente em todas as imagens, poderá aos mais incautos -escriba presente à cabeça- oferecer um travo de surpresa. Pois não é que todos os “bonequinhos” da brochura têm ou a cabeça bicuda ou uma semi-circunferência no alto do cocuruto? Pois é, a bonecada saiu toda pelo bico da caneta de capacete na carola! Vai-se a ver e as duas fotografias pespegadas no dito flyı -e aqui acrescento: uma menina numa e um menino na outra, tal qual manda o figurino, com ar de estranjas na certa! são de felizes ciclistas com a moleirinha bem aconchegada. Está tudo de capacete!

Leio com novidade que para os subscritores da dita brochura, FPCUB incluída, o uso do capacete é “altamente recomendável”. A ver se me faço entender: eu aceito a posição expressa na campanha com toda a naturalidade. A recomendação do uso do capacete é legitima desde que não envolva a defesa da submissão dos que assim não pensam a essa opinião. Ou seja, todos somos livres de opinar, mas cada um é livre de decidir. Mas quando se põe, numa brochura sobre a segurança dos ciclistas na estrada, todos de capacete, faz-se objectivamente uma declaração política. Ou não? E agora vamos tentar encaixar nesta posição a que diz “eu não uso capacete, pergunte-me porquê”.

Desconheço em que é que se baseia essa alta recomendação. O capacete será tão recomendável como um par de joelheiras e outro de cotoveleiras e já agora uma protecção de coluna e uns calções almofadados. E o capacete é fechado ou aberto e com protecção de queixo. A imagem que está escarrapachada na brochura é que um ciclismo seguro passa “obrigatoriamente” pelo uso do capacete. E disso há tantas provas que sim como há que não. O que há é a colagem da “obrigatoriedade” do uso do capacete à imagem da FPCUB. Será isso um investimento na segurança dos ciclistas?

PETER GABRIEL E UMA BICICLETA

Posted in cycle to know with tags , , on 11 de Maio de 2013 by Humberto

Para um fim-de-semana em tons de azul.

A GRANDE VIGARICE

Posted in cycle of sighns with tags on 7 de Maio de 2013 by Humberto

bicycle_thief

Este é um texto muito atrasado. Na verdade este blogue está com um atraso significativo em relação ao mundo à minha volta. Aos poucos a coisa foi-se entranhando. Uma dormência digital, uma abstinência critica, uma apatia militante, até mesmo um desencanto em equilíbrio.

E contudo ela move-se! Para começar move-se a Terra e com ela os homens que por cá andam ao mesmo tempo que eu. E ao moverem-se estes e outros homens, vão deixando umas marcas que às vezes até são capazes de fazer mover a tal da Terra. Outras apenas, e às vezes os mesmos homens, apenas fazem umas mijinhas na tentativa de marcarem um território.

Há já demasiado tempo que foi um sujeito, de nome Sérgio, empossado, emproado, montado no alto do cavalo neo-liberal, de lança em riste ainda pingando sangue do ataque sem tréguas ao transporte público de que é excelso capital-mor, com aquela voz estridente que o anuncia, proclamar a libertação da bicicleta do jugo medieval imposto por um Código da Estrada forjado desde sempre nas teias dos interesses que o mandam, a ele Sérgio e a outros cruzados de igual estandarte, combater.

Pelo meio de aplausos e vivas perdeu-se a besta -o cavalo- e deixou o bestial “cavaleiro” cair no escrutínio imparável do tempo, a máscara de menino aprumadinho. A verdade é que desde esse promissor anúncio, feito perante a mais extasiada das plateias, nada mudou. Nada! Recusaram-se projectos lei e aprovaram-se recomendações. Nada! Re-baixou do Plenário à respectiva Comissão Parlamentar uma salganhada legislativa que mete bicicletas e tudo… Nada! Tudo metido num saco do qual basta apenas ler os pareceres, por exemplo o enviado pelo Conselho Superior da Magistratura, para termos a certeza do que move o voraz privatizador Sérgio.

Sim, o autor destas linhas é um opositor às políticas de empobrecimento e retrocesso aplicadas pela tróica domestica a mando da tróica ocupante. Dissociar as políticas macro da micro importância da bicicleta é um erro porque não há política de mobilidade nem alteração de paradigmas sem um forte investimento público. E esse onde está? Nada!

Vamos com certeza continuar à espera que o legislador legisle no cumprimento da sua obrigação, no interesse da maioria dos cidadãos. Que o legislador legisle na protecção dos mais fracos e vulneráveis, não só no que convém à mobilidade mas em todo o resto. Eu seguramente que continuarei pouco esperançadamente à espera, sentado no selim da bicicleta. Mas não parado! E aqui me declaro de novo envolvido em fazer com que quem daí se der à vontade de me ler, se lembre que isto anda tudo ligado!

HET IS AL OVER DE RIJWIEL *

Posted in cycle to know with tags , , , , on 1 de Dezembro de 2012 by Humberto

rciclaCada um tem as suas paixões. Vamos coleccionando, acumulando, trocando de paixões e assim vamos vivendo: apaixonados. Umas paixões são tão gigantescas e arrebatadoras que nos cegam, podendo até fazer esquecer outras. Temos de certeza dentro do corpo um órgão, como o fígado ou o estômago, onde guardamos as paixões. Nesse apêndice que teima em esconder-se ali por detrás do coração, cabem as nossas paixões todas. Nuns será maior, noutros mais acanhado mas é aí que vamos arrumando as paixões. As paixões às vezes, de tão novas e indomadas, saem a transbordar do saco das paixões. Apertam o coração, sufocam os pulmões e é aquele aperto no peito, respiração ofegante, nó na garganta como só os apaixonados sentem. Tudo nas paixões é bom. Mesmo quando é mau, é um mau-bom. E isso é o bom das paixões!

Amadurecemos e as paixões amadurecem em nós ou vice-versa que sobre isto ainda não cheguei a uma conclusão. Há paixões que nos vão conquistando aos poucos, lentamente. Outras haverá que nos colhem com tal estrondo que num instante mudam(os) o rumo do Mundo. Há paixões que entram em nós sem querer e só nos abandonam montadas no último suspiro. Cada qual é um e as suas paixões. É os seus amores, e ninguém as tem de igual modo. No fim de contas somos pouco mais do que a maneira como vivemos as nossas paixões. Assim como o sangue que nos corre nas veias, as paixões são só nossas e sentimo-las cada qual à sua maneira. Por isso é que as bicicletas são adoradas de tantas maneiras e feitios, tantas como ciclistas houver.

As paixões alimentam-se por dentro e por fora e há sempre alguém disponível para servir um apaixonado. É ver a quantidade de lugares onde hoje se pode apreciar, avaliar, experimentar, comprar, alugar, amanhar bicicletas. À medida que foi crescendo a quantidade de apaixonados pelas bicicletas, os lugares dedicados a eles e a elas -apaixonados e bicicletas- foram deixando de ser montras frias e homogéneas, onde as bicicletas eram arrumadas como gado barato, para se transformarem em espaços amplos, limpos, bem iluminados, chiques. As bicicletas foram ganhando mais e mais estatuto de objecto único pela cor e as suas formas valorizadas, os detalhes realçados. Acessórios simples como uma campainha é encarada como um autêntico anel de brilhantes no dedo da amada -para quem gosta de anéis, claro. Cestos de vime são importados de terras longínquas porque são os melhores e a nossa bicicleta só merece o melhor!

A bicicleta é uma paixão e as paixões também são às vezes modas. Em Lisboa já podemos entrar num café com bicicletas penduradas nas paredes e outras dobradas em prateleiras. Já é possível sentarmo-nos numa mesa rodeada de acessórios de bicicleta com um quase apelo sexual e bebermos um café vulgar. Em Lisboa já se encontram à venda algumas das mais emblemáticas marcas nascidas com o boom da paixão pela bicicleta que vai arrebatando corações por este mundo adentro. Finalmente já não somos obrigados a viver com uma bicicleta todo-o-terreno a vida inteira! A identidade da bicicleta passou a não estar apenas ligada à sua juventude mas sobretudo ao estilo que transporta. Literalmente.

Ainda há meia dúzia de anos, mesmo nos encontros e passeios urbanos de ciclistas, a grande maioria de bicicletas presentes tinham sido compradas em lojas de desporto e os seus ciclistas eram pouco mais que amantes da tecnologia e quase todos obcecados com a magreza -pelo menos com a magreza das suas meninas. Foram os tempos do domínio dos valores da competição desportiva, caminho mais fácil encontrado pelos fabricantes (que vivem de fabricar e alimentar algumas paixões) para tirarem à bicicleta o seu aspecto mais infantil, efemininado quase. Não quero com isto dizer que a Cannondale SuperSix EVO ou a Trek Super Fly são desprovidas de carácter ou incapazes de provocar paixões. Acho é que a coisa será muito menos platónica. Deslizar por um trilho sentado em cima de uns bons milhares de euros tem muito de carnal. Tem que ter! Claro que o tacto ao carbono mais rígido, o som da corrente a rolar com precisão aeronáutica pelos carretos, a souplesse do par bailador estrada fora, podem ser vividos com verdadeira paixão. Mas também sabemos que daqui a alguns meses, seremos servidos com novas Super-qualquer-coisa muito mais tudo que a Evo ou a Fly.

O movimento Cycle Chic e o Passeio de Bicicletas Clássicas são autênticos chás dançantes dos tempos actuais. Lugares onde vamos passear a nossa paixão e onde o estilo passou a ser traje de etiqueta. Qualquer estilo, desde que permita que a bicicleta seja exibida como mais um acessório, ou mesmo como O acessório, condicionando o conjunto homem/máquina mas sem o transformar em algo de totalmente excêntrico, (a)berrante. Até porque há momentos para diferentes paixões. Por exemplo, não passará pela cabeça do mais saudoso amante das pistas nevadas que, só porque é inverno e está a cair neve no Alto da Torre, ir de esquis passear para a Baixa. A paixão por pedalar tem tudo a ver com a bicicleta. Digamos que o prazer de pedalar pelas ruas da cidade pode ser vivido não importa o que se tiver no meio das pernas, mas há sensações de prazer diferentes de acordo com a montada.

Claro que o alvo da paixão pela bicicleta é a própria bicicleta. Ninguém pedala virtualmente sem um determinado quadro onde estão montados uns componentes e não outros. A bicicleta é que importa. É por ela que pedalamos porque sem ela somos apenas peões. É a bicicleta que nos transforma e transporta. São as características da bicicleta que nos definem enquanto ciclistas. É a personalidade da bicicleta de cada um que o enquadra num tipo específico de utilizador de bicicleta, que o faz membro de uma tribo ou de outra ou de nenhuma. É a bicicleta que nos leva a escolher a loja ou até a forma de comprar. Fazemos uns amigos e não outros de acordo com a bicicleta que pedalarmos. Tudo tem que ver com a bicicleta.

Podemos viver a vida inteira apaixonados sem nunca perceber com funciona o objecto da nossa paixão. Alguém percebe os homens ou as mulheres? Percebem onde quero chegar? A maioria dos apaixonados pelas bicicletas não fazem ideia como se ajusta um desviador ou qual a diferença entre travões v-brake e cantilever mas isso não os impede de pedalar ou sequer gostam menos de bicicletas. Gostam é de forma diferente. E nunca vão poder gostar tanto como se… A bicicleta pode perfeitamente ser apenas mais uma coisa nas nossas vidas, até mesmo mais uma das paixões que levamos no tal saco das paixões mas nesse caso nunca chegará a moldar-nos a forma. Para estes de nós a bicicleta será sempre uma peça inteiriça, mais ou menos decorada, mais ou menos atraente, mais ou menos prática. Desde que seja capaz de nos fazer apenas rodar o olhar ou ao ponto de nos virar a cabeça e mudar-nos o pensamento -o dia-a-dia? já a bicicleta cumpriu grande parte da sua função. Porreiro!

No entanto a bicicleta é muito mais que isso. Houve quem a tenha classificado como a maior das invenções e deve ter tido muito boas razões para isso. A simplicidade da bicicleta contrasta com a quantidade de detalhes históricos em que nos podemos perder. Desde as primeiras tentativas de fazer andar um par de rodas postas em linha, até às mais radicais variações permitidas pela tecnologia actual, a bicicleta é um mundo. Basta entrarmos em qualquer loja para ver a parafernália de peças e acessórios que podemos comprar. Alguns embalados como se fossem bombons outros com preços que mais parecem jóias. Últimos modelos de tudo e mais alguma coisa, o derradeiro design e a melhor tecnologia são anunciados qual santo graal. Um mundo onde a paixão é tudo menos casta!

Todos os móveis à venda em antiquários já foram novos um dia e ganharam, pela forma como resistiram à passagem do tempo, todo o valor que custam. Todos os objectos começam a envelhecer no momento em que são feitos e as bicicletas não são excepção. Poucos são os móveis, assim como raras as bicicletas que chegarão a ter estatuto de antiguidade, mas há monos que podemos sem arriscar muito, dizer qual o fim que terão. Até há pouco tempo não se encontravam bicicletas antigas à venda em bom estado, o que é normal já que as lojas preferem alimentar a paixão duma maneira digamos, lucrativa. Normal e compreensível. Para a maior parte dos apaixonados pela bicicleta, as coisas estão bem assim e nem podiam ser doutra forma. Ou será que podem?

Felizmente que podem! E o Vítor está disposto a provar isso mesmo na nova -verdadeiramente nova- loja que abriu em Algés. Com contentores de experiência e paletes de bicicletas inteiras ou às peças que trouxe da sua outra loja de Amesterdão, o Vítor abriu a primeira loja de bicicletas para quem gosta da bicicleta no seu todo, na sua essência. Para quem tem uma paixão maior por bicicletas. Para quem gosta de falar bicicletas. Para quem quer construir uma bicicleta, como dizem os ingleses, desde o rascunho. Para quem quer ter uma roda única na sua fixie. Para quem quer uma cor única ou um quadro Reynolds por medida. Para quem sonha pedalar uma senhora holandesa, pesada e com apenas três mudanças ou quer somente ver de perto uma Batavus. Uma verdadeira loja de bicicletas, cheia de órgãos usados mas ainda com muita vida para darem à nossa alma! Os apaixonados pelas modernas BTT não precisam fazer toda a Marginal mas quem procurar uma rígida old school para os trilhos da Arrábida, uma estradista em aço Colombus que já conheceu mundo ou uma BMX verdadeira, é na Rcicla que se vai perder de amores.

Poucas vezes aqui me senti a pisar o risco da publicidade gratuita e nunca aceitarei a outra, um pouco até à revelia da normal e também legítima união que existe entre a defesa da bicicleta e lojas ou marcas que vivem de e para a paixão pelas bicicletas. A Rcicla não é mais uma loja de bicicletas a fazer um esforço de originalidade para conseguir melhor vender as coisas do costume. A Rcicla é um conceito maior que um espaço comercial, onde se vai trocar dinheiro por qualquer coisa. Na Rcicla podemos até ver o nosso problema resolvido sem nunca gastarmos um euro. Há duas sensações comuns e frequentes quando entramos numa loja de bicicletas: sermos olhados como um porta-moedas recheado ou com tal indiferença que pomos em causa quem faz um favor a quem. Na Rcicla é diferente. É mesmo diferente! Na Rcicla o nosso problema é só mais um desafio.

A Rcicla não é um hotel de cinco estrelas onde levamos a nossa paixão uma vez na vida. A Rcicla é toda uma forma de viver a paixão, todos os dias. A Rcicla é uma escola para conhecermos a nossa paixão e nos conhecermos a nós mesmos. À Rcicla não se vai mostrar, vai-se para ver, para partilhar. Vai-se para discutir BikePolo e a felicidade. Na Rcicla há bicicletas para todos porque qualquer um pode fazer a sua própria bicicleta, como se fosse um alfaiate de bicicletas. Ali não há café nem queques mas há alguns dos melhores lugares para umas bifanas, b’jecas & afins. Não há carros por perto e há espaço com fartura para os miúdos correrem. Há o comboio à porta e autocarros de várias cores. Há vendedores de castanhas e às vezes um mercado do livro. A Rcicla é toda bicicletas. Finalmente abriu a Rcicla!

* É tudo sobre a bicicleta.

E SE A ORBITA FOSSE UMA CALOI

Posted in cycle of sighns with tags , , , on 27 de Novembro de 2012 by Humberto

O envolvimento das empresas fabricantes de bicicletas é fundamental para o sucesso de políticas que favoreçam a mobilidade em duas rodas. Somos o maior fabricante europeu de rodas e de quadros de bicicleta. Temos um clima mais que perfeito para o uso da bicicleta no dia a dia e atravessamos um período de grandes dificuldades financeiras que se reflecte essencialmente na drástica diminuição do rendimento das famílias. Em muitos lugares e para muitas pessoas, a bicicleta é uma real alternativa ao automóvel e mesmo aos transportes públicos. Com mais ou menos romantismo, a bicicleta faz já parte da paisagem urbana portuguesa e da agenda política. Tudo isto transformou a bicicleta numa moda e numa solução mas também numa enorme oportunidade de negócio. Num negócio que vive da exportação mas que pode viver também do mercado interno. Ou não? Então do que é que estão à espera?

APRENDER, APRENDER SEMPRE!

Posted in cycle to know with tags , on 20 de Novembro de 2012 by Humberto

Porque o saber não ocupa lugar, este pequeno filme é um dos muitos disponíveis na rede que fazem jus à máxima Leninista, e provam que a bicicleta é o verdadeiro veículo ao alcance de todos, mesmo na sua construção.

A simplicidade da bicicleta reside no facto de ter poucas peças mas muitas delas são de desgaste mais ou menos rápido, dependendo do tanto de uso que se lhe dê. Uns bons pneus durarão no máximo cinco mil quilómetros e menos que isso sobreviverá uma corrente e já sabemos que nessa altura trocaremos também os carretos, eventualmente a pedaleira e o desviador traseiro.

A verdade é que um ciclista habitual torna-se também um cliente regular, mesmo que se fique pelo essencial, sem falar nos ditos melhoramentos ou acessórios mais ou menos fashion. Num mercado pequeno -em crescimento mas ainda pequenino, como o nosso, o cliente nem sempre encontra o que procura e eu, como já sabem, recorro frequentemente a lojas estrangeiras, sobretudo no Reino Unido e na Alemanha.

Há pouco tempo precisei de comprar um espigão de selim e descobri que o importador apenas o mandava vir se eu garantisse que ficava com ele. Porque é um tipo de peça que não costumam ter em armazém por ser cara, foi-me dito. Pois bem, mas eu é que não posso comprar uma peça -ainda por cima cara! sem a certeza que me serve. E lá voltei à net! Até porque na net aceitam trocas… Enfim, nada a que não esteja habituado.

Mais recentemente, porque eu e um colega ciclista, precisávamos de substituir algumas peças gastas, pusemo-nos ao telefone com um par de lojas e visitámos outras quantas. Em alguns casos ainda estamos à espera que nos liguem a dizer se arranjam o que precisamos. “Não, não quero esse cubo, quero este“, “Esse é o modelo em preto, quero o cromado”. Porque raio tenho de comprar o que o vendedor quer e não o que preciso? Nem estávamos à cata de nada muito transcendente mas não havia uma só loja que nos arranjasse tudo.

Claro que prefiro comprar cá. Aliás, prefiro comprar português! Até já comprei punhos de cortiça portuguesa. Tive foi de os mandar vir da Califórnia! Desta vez encontrei uma loja Alemã, que tem a vantagem de não apresentar problemas de imposto, pois está dentro o espaço euro. Bons preços e sobretudo baixos custos de envio, ainda mais compensadores se a encomenda for grande. Oferta muito variada e fácil navegação com informação também em inglês. Pode ser visitada aqui e tem um serviço de apoio ao cliente eficientíssimo. Enviam por correio expresso e até aceitam devoluções!

ODE À BOA VIDA

Posted in cycle of live with tags on 11 de Novembro de 2012 by Humberto

Agora que o sol está menos quente e o céu muito mais fresco, agora que o ar molha e o frio nos agarra. Agora que o trabalho nos paga menos e nos prende mais. Quando as paisagens são mais brancas que quentes e os horizontes enublados, não nos podemos nunca esquecer porque razão aqui estamos. Como disse o Zenão pela voz da Senhora Yourcenar “pobre daquele que nunca deu uma volta na sua cela”.

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