Archive for the cycle to work Category

The good old ugly & the good new beauty 

Posted in cycle to work on 29 de Junho de 2016 by Humberto

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HÁ DIAS ASSIM

Posted in cycle to work with tags , , , , on 19 de Abril de 2012 by Humberto

Há dias assim. Sai uma pessoa de casa para enfrentar um segunda-feira já bem entrada no dia, monta na bicicleta e faz-se ao caminho com o sol pelas costas, quentinho. A nortada promete acompanhar a costumeira viagem e a temperatura é perfeita. Chegado ao túnel da praia, o mar ao fundo, a cadência descontraída, a maresia, a campainha que perdeu a mola e tilinta a cada buraco do caminho. A vida é tão simples em cima do selim!

Lá em cima os carros passam apressados, como que parecem fugir, como se tivessem medo de se deixar aprisionar pela beleza da paisagem. Tão perto e tão longe. Passo pela marina nova de Oeiras onde belos barcos embalam o mar e sonham com viagens por mares nunca navegados. Um cachorro leva a dona pela trela e um par de patins desliza em ritmo de câmara lenta.

Da curva surgem duas rodas a par, duas fardas iguais, dois agentes da autoridade. Um casal desvia-se das três bicicletas e ainda ouve a pergunta “já viu aquele sinal”. Outra bicicleta que pára e a mesma pergunta. O atlético corredor poderia levar nos auscultadores a informação de trânsito “congestionamento na Marginal” mas apenas se desvia. Ao fundo outro casal pára a comentar a cena “olha aquele já está”. Um par de olhos verdes em passo estocado fita-me tentando descortinar quem é o mau da fita.

Que ainda não estamos a multar mas que vamos começar”. “Que é proibido“. “Há sinais em todas as entradas”. “Já “houveram” acidentes graves, até com uma senhora grávida”. “Pois, terá de ir por… não sei, pela estrada”. “São 24 euros e 90 ou lá que é e mais 30 se não tiver o bê i e mais metade por causa do…”. “Pois pois que a bicicleta é um veículo e tem de usar capacete que vem no Código”. “Ai vem vem!”. “Está aqui, quer ver?”. “Não tens aí o Código? É que ‘tive a formatar isto e desinstalei o Código”.

Neste palavra-puxa-palavra claro que houve o “então e onde fica a minha segurança”. “Eu sou responsável apenas pelos meus actos”. “Qual é a diferença entre o antes de Abril e o depois de Abril”? “E quem fiscaliza a velocidade ali em cima”? “E o aumento de bicicletas”? “E os turistas e a imagem do país”?  “Capacete obrigatório? Olhe que não senhor agente, olhe que não”. “Isso é um Galaxy“? “Não tem internet“? “Ah ok, não é da polícia, é seu”.

Por fim o homem escreveu o meu e-mail no tablet espanhol barato e eu ganhei a promessa que me vai chegar o artigo do tal Código onde consta a obrigatoriedade de usar capacete quando conduzimos o veículo bicicleta. Calhando o Governo já alterou o Código da Estrada seguindo recomendações surpresa. Calhando os agentes estavam apenas equivocados. Calhando eu vivo num país onde tudo está sempre a começar. Calhando o e-mail foi parar ao filtro de spam.

Enquanto a conversa com o par de fardas durou, mais por militância minha que por convicção deles, foram admoestados os ciclistas que entretanto passaram. Todos perigosos radicais, com o ar mais ameaçador que se pode imaginar em cima duma bicicleta. Todos desejosos de serem escorraçados para o asfalto seguro da Marginal. Todos aliviados por nunca mais ali poderem pedalar! Todos orgulhosos das ordens e da autoridade que escrupulosamente zela pela nossa segurança… Epá, ‘pera aí… então eu nunca mais vou passar ali? Então quer dizer que já não vou parar numa daquelas esplanadas e beber uma imperial. Aquela gente dos bares vai perder clientes? Querem lá ver que isto anda tudo ligado?

Imaginem a seguinte situação: estão a ver aquela rua na Baixa de Lisboa que começa na Praça do Comércio, aquela com o arco? Sim essa, totalmente pedonal, a Rua Augusta. Agora imaginem que a polícia a vigia de carro. Estão a ver? Vigiar uma rua pedonal de carro? Pois é o que a PSP faz no passeio marítimo de Oeiras. Um passeio pedonal, onde não podem circular bicicletas, a policia faz vigilância de? Bi-ci-cle-ta! E andam aos pares e ainda por cima a par! Estão a ver?

Ontem foi dia de seca no aeroporto à conta do atraso do voo de Bilbo. Normalmente nestas situações começo a ter alucinações ao fim duma hora. Bem sei, estou a perder qualidades. Ontem a coisa foi grave, deu-me para ver chegarem e partirem alegres passageiros que se deslocavam de bicicleta. Poucos táxis, alguns autocarros e nenhuns carros. A maioria das pessoas chegavam de bicicleta ao aeroporto, em todo o tipo de bicicletas, eléctricas, dobráveis, singles, tandem, atafulhadas de bagagem, impecáveis! Iam e vinham por ciclovias perfeitas.

Mas quando a senhora conseguiu finalmente tirar o carrinho da bagagem de cima do meu pé, acordei deste desvario. Voltei a focar na realidade enquanto duas Koga passavam do outro lado do passeio carregadas com alforges ávidos de aventura. Ainda atravessei a estrada a correr mas acho que já não me ouviram quando gritei a pleno plumão: keep away from the sea in Oeiras!

SAIA DO ARMÁRIO!

Posted in cycle to work with tags , , , , on 12 de Abril de 2011 by Humberto

Agora que o sol e adjuvante calor, cocktail também identificado comummente e de forma um pouco sectária por bom tempo, se instalou com ar de quem por cá vai ficar, quando cada vez menos dúvidas restam que o preço dos combustíveis poderá vir a fazer mais pelo negócio das bicicletas do que os autarcas barrigudos; agora que o Governo nos entregou à comissão liquidatária do FMI, pode ser que mais de vós, ao por aqui passarem, daqui saiam com vontade de dizer -mas desta vez de verdade- sim, eu consigo!

A receptividade que teve nos meios de informação a criação do grupo de monitores da MUBI, os Bike Buddy, se por um lado denota uma maior atenção ao fenómeno da mobilidade em bicicleta por parte dos media, por outro prova que acções concretas e construtivas têm eco na opinião pública. Quem daqui sair com vontade de ir mais além das palavras, pode contar com esta malta para ir dar umas voltas pela cidade e constatar que o trânsito não é uma besta de sete cabeças. Tem apenas duas ou três.

Qualquer par de rodas perro pode perfeitamente servir para desenferrujar as pernas mas sem dúvida que um pouco de óleo na corrente e um ajuste de travões tornarão menos penoso o exercício e mais proveitosa a jornada. O estado da montada é muito importante mas não é per si determinante. A conjugação de vários factores fará com que a experiência de commuter seja repetida e a mudança de hábitos ocorra. Quero acreditar que o estimado leitor contará com as próximas linhas, que no seguimento dumas outras e de outras um pouco mais usadas pelos tempo, para o ajudar num problema que tem solução.

Respondendo às cinco perguntas formuladas aqui começo por chamar a atenção de que, independentemente das ganas com que começar esta nova aventura, o mais provável é que o tempo faça com que a sua atitude evolua ao sabor da idade, da experiência e de umas quantas mais parcelas adicionadas a esta complicada equação. Quero com isto dizer que mesmo que se sinta um bike ninja nada garante que não esteja brevemente convertido ao slow bike movement ou vice versa. Não sei se o seguinte ditado já foi enunciado mas aqui o deixo: diz-me que bicicleta montas que te direi quem és.

Para quem não esteja habituado a pedalar, poderá ser cansativo usar bicicletas de montanha ou de estrada num ambiente que exige uma atenção maior ao nosso redor. São bicicletas que têm uma posição de condução mais reclinada sopre o guiador. No entanto se a viagem for feita por caminhos acidentados e maus pavimentos, uma btt pode ser um bom compromisso. Da mesma forma, se tivermos de fazer todos os dias vinte ou trinta quilómetros de asfalto a uma velocidade média razoável, uma estradista tem bastantes vantagens.

Existem bicicletas que conjugam conforto na condução, uma postura mais recta do tronco, com alguma capacidade de enfrentar os passeios e pisos de terra e com sistemas de transmissão versáteis. São as bicicletas híbridas, de trekking. Pelo estado das nossas estradas e ruas, pela forma como acabamos a desenhar os nossos percursos com recurso a passeios e a tantos outros obstáculos, pelas velocidades médias que nos é permitido fazer, estas bicicletas são de forma geral a melhor opção. Atenção: de forma geral! São uma boa solução para quem pode comprar uma bicicleta nova. O problema é serem normalmente pouco baratas, para não dizer caras, já que o nível de equipamento é bom.

A distância a pedalar bem como a topografia do percurso que nos propomos a cobrir devem ser levados em conta na escolha da bicicleta. Existe uma relação entre o tamanho da roda pedaleira, a cassete traseira e o diâmetro das rodas da bicicleta. Sem grandes conhecimentos de física ou de mecânica, é fácil de perceber que a amplitude de relações ao nosso dispor tornar-nos-ão mais rápidos em plano ou menos esforçados nas subidas. As bicicletas com mudança no cubo têm menos opções de velocidades mas alguns sistemas cobrem uma gama de relações mais que suficiente para uma utilização urbana, com a vantagem de serem muito mais fiáveis e praticamente não necessitarem de manutenção.

O furo num pneu de bicicleta a caminho do trabalho não é a melhor maneira de começar o dia, se bem que com alguns conhecimentos e os apetrechos adequados tampouco é um bicho de sete cabeças. A escolha acertada de pneus tem a vantagem de reduzir a probabilidade de um azar deste acontecer. Tanto a Continental como a Schwalbe fabricam pneus com camada reforçada na zona de contacto. O agarre em piso molhado e a tracção em pavimentos mais brandos devem fazer parte das características a procurar num pneu. Ao fim e ao cabo são os pneus que nos mantém em contacto com o chão.

Pedalar com uma sacola às costas ou com uma mala de mensageiro a tiracolo não é seguramente tão prático como é fashion. Em matéria de conforto nada chega aos alforges, simplesmente porque não nos pesam nas costas. Tanto os maiores para montar na grade traseira como os mais pequenos levar ao lado da roda da frente, oferecem bolsas interiores ou têm tamanho suficiente para albergarem um computador portátil e o escritório móvel que queira transportar. Os cerca de 20 litros de capacidade permitem ainda levar com facilidade alguma roupa e, caso exista no destino condições para trocar de vestimenta e até tomar um duche retemperador, já que trabalhar fresquinho e lavadinho é melhor que a cheirar a desodorizante, pode tirar bom partido do espaço extra. Como é evidente pode pedalar com a roupa que tem no guarda-fato, mas se trabalhar aprumado e tiver de subir de Algés para Carnaxide, talvez queira reequacionar a questão do chic.

Existem por aí meio abandonadas e tristes belas bicicletas dos anos 80 e 90 do século passado que com algum carinho e jeito se transformam em soberbas companheiras do dia a dia. Se estiver numa de vintage, os sacos para prender ao selim ou na barra do guiador são além de bonitos, bastante resistentes e com a vantagem de ganharam com a passagem do tempo. Qualquer que seja o saco escolhido, arranje espaço para um conjunto de desmonta pneus, dependendo da perícia, uma câmara de ar ou um par de remendos, uma bomba das pequenas, uma ferramenta multi usos e um par de luvas de silicone. Se a bicicleta ficar parada e pouco vigiada previna as tristezas com um muito bom cadeado ou mesmo dois.

Felizmente ainda há quem possa escolher as bicicletas sem constrangimentos de ordem pecuniária, mas para a maioria de nós os tempos avizinham-se duros e implacáveis. Aos poucos vai-se percebendo o que vêm cá os senhores do FMI fazer. À laia de recomendação final, aposte numa máquina que já exista e use os seus recursos financeiros para a adaptar às novas necessidades. Feitas as contas, com uns guarda lamas, umas boas luzes e um dínamo, uma grade e um par de alforges mais uns pneus em condições, qualquer bicicleta de montanha ganha nova alma e não temos de vender a carteira ao diabo. Ajudei?

GREVE DE BICICLETA? SEMPRE!

Posted in cycle to work with tags , , , on 23 de Novembro de 2010 by Humberto

A história da bicicleta é também a história da industrialização e da proletarização. Ao mesmo tempo que o engenho inventivo foi convertendo o Dandy Horse no que viria a ser a Safety Bicycle, através da incorporação de dezenas de novidades tecnológicas, a bicicleta foi revolucionária também na mobilidade que possibilitou aos trabalhadores.

As novas indústrias poderiam instalar-se mais perto das fontes de energia e onde estavam as matérias primas, porque os operários dispunham finalmente dum meio de transporte que lhes possibilitava deslocarem-se diariamente para a fábrica. Era um tempo em que qualquer nova actividade industrial requeria abundante mão de obra e muita especialização, o que contrastava com a enorme dispersão pelo território e com a absoluta iliteracia das classes mais baixas, agricultores na maioria e pequenos artesãos.

Um destes dias de fim de Verão e ao passar por Canal Caveira, ali uns poucos quilómetros a sul de Grândola pela estrada nacional 120, meu pai contou-me dos quilómetros que palmilhara em miúdo pelo meio do montado, para  levar a bucha a meu avô que então trabalhava na construção dessa mesmo estrada e por lá pernoitava. Foi outra a estrada que ele e muitos mais construíram pois que dessa primeira restam apenas vestígios abandonados duma ou doutra curva. Houvesse já nesse tempo uma bicicleta na família e muita sola (se de sola se tratava) se teria poupado.

Mais a sul, onde existe uma casa que já foi de fado, chegam mãos de muitos lugares da Europa, mãos que agora têm a liberdade de ser pobres em qualquer lugar do mundo e escolhem o nosso Alentejo para vir colher alfaces e morangos que nascem já com sotaque inglês. Não terá sido seguramente o doce do fruto vermelho ou a frescura das hortas que clamou longe mas a verdade é que chegaram  jovens tailandeses para trabalhar nas estufas e por cada um destes improváveis agricultores alentejanos há uma bicicleta. Quando se deslocam para o trabalho ou vão à venda comprar a bucha não são peões, são ciclistas.

A bicicleta é não só um produto do desenvolvimento humano como é uma ferramenta para esse mesmo desenvolvimento. Hoje vivemos numa sociedade que volta a olhar, mesmo que seja de soslaio, para a bicicleta como chave para a solução de parte do problema da mobilidade. Uma sociedade construída também por operários que, do selim duma bicicleta ou construindo-as, produzem riqueza como nunca, ao mesmo tempo que vêm essa riqueza ser cada vez mais injustamente repartida. Uma sociedade que  permite a acumulação de mais valias recorde por parte dos senhores do capital. Uma sociedade dominada pelo poder financeiro, enfeudada na maximização do lucro e condenando à precarização todos os que do seu trabalho vivem. Uma sociedade onde quem pedala tem cada vez menos direitos.

ALL THE WAY RIDE!

Posted in cycle to work with tags , , , , , , , on 11 de Novembro de 2010 by Humberto

O ritual matinal foi cumprido. Pedalei até à estação da CP e apanhei o comboio. Um pouco antes das nove as carruagens já chegam compostinhas a Carcavelos e acabam de encher em Oeiras e Paço de Arcos. Caras sisudas, rostos fechados,  olhos perdidos nas notícias grátis e cabeças a transbordar de taxas de juros e equações onde a única constante é a incerteza do futuro. Há medos novos por aí que não deixam ninguém respirar um sorriso de esperança. Para onde nos estão a levar?

Eu fico-me por Algés, tomo um café no bar do turco e reajusto o selim. Sim, que hoje vim sentado num Brooks Flyer Special castanho novinho em folha. A Raleigh ganhou assento e pneus novos e veio à rua mostrar o que vale. Os pneus que a minha mais recente aquisição trouxe desde a sua terra natal eram largos demais para poder ter instalados os guarda-lamas, e de borracha de muito má qualidade. Resolvi troca-los por uns Schwable Marathon Plus de medida 25 para lhe devolver o ar original, melhor rolamento e acrescida protecção anti-furo. E resultou!

O selim de origem não é desconfortável mas as minhas costas habituadas que estão ao Thudbuster reclamavam de cada vez que me sentava nele. Resolvi investir umas massas num Brooks desconhecido mas com muito boas referências. O Flyer é um selim bastante polivalente que junta o conforto do clássico B66 com a performance do B17. O ideal para um quadro em aço a ser usado no dia-a-dia. Preferi o Special que tem os rebites mais largos e martelados à mão.

Apesar da mudança dianteira estar empenada e não ser fácil encontrar um Shimano Deore DX sobressalente, o sistema de transmissão funciona sem falhas e lá fiz a minha subida nas calmas, desfrutando do vento, do fresco, dos cheiros, dos sons, de mim. Mudar de roda pedaleira requer alguma habituação para não fazer saltar a corrente nem deixa-la a roçar, mas obriga-me a permutar mais moléculas com a bicicleta.

O dia de trabalho reservava-me uma viagem de carro longa e mais ou menos sem proveito, não fora a oportunidade de ver o trabalho do arquitecto Ricardo Bak Gordon na planície Alentejana e a garrafinha de azeite Andorinha Vintage. Nem tempo tive para provar o menu bufete que o chefe Sobral preparou para tão desmerecidos comensais…

O fim do dia estava bonito e como a ida tinha corrido sem sobressaltos mecânicos, arrisquei um regresso a casa livre de comboio. Fora da época estival a Marginal fica menos convidativa à bicicleta nas horas de commuter. Pela manhã ou é muito escura ou muito engarrafada e no regresso são sempre demasiados os motoristas nervosos e perigosos que regressam a casa muito acima do velocidade permitida. E como pedalar pelo passeio está fora de questão por razões religiosas, vou mais vezes de comboio que as que gostaria.

Mas hoje a Rali ia finalmente conhecer a Riviera da foz do Tejo: a Marginal. O sol caia sobre o azul-acinzentado do oceano salpicado de corajosos e crentes surfistas. O asfalto ainda húmido e brilhante das chuvas sento cortado pela preta lamina rolante impulsionada para a frente pela cadencia decidida da pedalada. O ar cheio e com cheiro a maresia e as nuvens altas e altivas envolviam-me em todas as dimensões. Os anormais que conduzem diariamente livre e impunemente  por esta estrada quase que me envolviam noutra dimensão. Ai as lindas orelhinhas das suas mãezinhas!…

O selim provava os créditos mostrando-se o mais cómodo de todos os selins novos que experimentei. A base é suficiente ampla para o apoio necessário e as molas conseguem aliviar o baixo relevo em que anos de tapa-buracos transformam o pavimento asfaltado. O couro castanho dourado, de tão novo e liso está ainda algo escorregadio, dificulta uma nadinha o agarre mas nada que impeça encontrar a posição de apoio correcta em cada momento da pedalada. Se é que me percebem…

Ao fim de tantos anos a pedalar numa posição mais endireitado, a D-bar vai-me questionando de cada vez que a agarro e dá-me algum trabalho a adaptar. Verdade seja escrita que já estava a chegar à praia de Oeiras quando o pensamento me levou a olhar o guiador. Não estou certo se a direcção -guiador e avanço- sofrerá alguma modificação. Estou indeciso entre um avanço com um ângulo mais aberto mantendo a drop-bar ou um guiador tipo Albatross ou Dove. Sempre com bar-end shifteres. Cool hum?…

Neste ponto da Marginal já os ouvidos se fartavam do vrum rasante, meti-me no túnel e segui pelo passeio marítimo sem olhar a proibições nem restrições. Pouca gente caminhava, alguma patinava, outra pedalava, a praia quase deserta, o mar mais próximo e o piso! ah o piso… como seria bom rolar sempre assim, suavemente.

O prazer de montar numa bicicleta clássica como a Randoneur, é imenso. Talvez desperte o mesmo tipo de sensações que conduzir um Jaguar descapotável, branco claro. A maneira como nos encaixamos e enredamos ao comando da máquina. A viagem ao tempo em que a simplicidade mandava e obedecia. Os materiais, o design, o som do “motor”, o cliq-claq-rchq da corrente, do desviador, da mudança, dão um sentido de vida que coloca a bicicleta entre as criaturas que respiram, gemem e sorriem.

DE VOLTA À CARGA

Posted in cycle to work with tags , on 1 de Maio de 2010 by Humberto

Chegou o tempo mais quente e o fim dum Inverno que nos fez recordar o quão vulnerável é a nossa existência na Terra. A de uns mais que a de outros claro está. Mesmo vivendo em Invernos geograficamente distantes, milhões de pessoas sentiram os efeitos de fenómenos naturais, alguns acentuados por um acumular de erros na ocupação e utilização do solo, da água e do ar.

Apesar de ter deixado de ter um impacto diário nas notícias, a verdade é que os combustíveis não pararam de subir. A escassez da matéria prima no mercado internacional ou a maximização do lucro não irão variar ao ponto de facilitar a vida a quem usa carro. O desenvolvimento sustentado e preservação da biodiversidade responsabilizam cada vez mais cada um de nós e são um permanente desafio ao nosso egoísmo.

Os primeiros dias de sol foram a tão almejada oportunidade para voltar a encher os pneus e dar umas voltas aos pedais. Por onde se passasse ciclistas aproveitavam o “bom tempo” para desenferrujar os joelhos. A bicicleta foi recuperando o terreno que tinha perdido com o frio e a chuva.

No ano passado chegámos a ter quase duas dezenas de bicicletas paradas no parque da SIC. Numa quarta-feira do ano passado, 18 funcionários da SIC não vieram de carro, não queimaram petróleo para vir trabalhar. Queimaram gordura!

Algumas (demasiadas?) primeiras quarta-feiras depois regressa o desafio, mais ao jeito de convite, para uma vinda até ao trabalho de forma diferente: de bicicleta!

SERÁ QUE VAI CHOVER?

Posted in cycle to work with tags , , , on 29 de Outubro de 2009 by Humberto

A próxima quarta-feira está já aí à porta e o Outono ameaça novamente entrar por ela dentro, pela porta e pela quarta-feira, e como no último SIC by BIKE day o risco de chuva afastou muito boa gente do caminho do bem, vamos, antes que se faça tarde, dizer à gente como se pode bem preparar para o caminho.

Com alguma informação positiva e os adereços essenciais, pedalar numa quarta-feira de chuva é tão fácil e, quem sabe mais prazenteiro que numa quarta-feira de sol radioso e quente.

Como ao pedalar aquecemos mais depressa, convém que usemos roupa respirável, que não acumule a humidade da transpiração. Contrariamente à ideia geral, o algodão não é muito eficaz nessa tarefa, ao contrário da lã que deixa o corpo respirar melhor.

As fibras sintéticas têm aqui grande vantagem, mas o importante é que usemos camadas finas que possamos tirar ou voltar a vestir no caso do tempo variar ao longo do percurso.

Um anoraque leve e que se dobre é uma boa peça para enfiar na mochila ou no alforge. Se for de cor clara tanto melhor e melhor ainda se for dos que têm umas tiras fluorescentes nas mangas e nas costas. Dar nas vistas na estrada, particularmente quando o céu se cobre a prometer chuva, é um seguro extra.

Até à próxima quarta, e para evitar surpresas, dê umas voltas lá pelo bairro ao lusco-fusco e mesmo de noite, para se habituar e confirmar como a noite é boa conselheira também a pedalar.

Na terça anterior, leve uns sapatos para a SIC e deixe-os na gaveta. Assim vai ter sempre o que calçar na quarta e não carregou peso extra na viagem. Calce umas meias quentes e use luvas porque pés e mãos quentes fazem toda a diferença!

Com o piso estiver molhado tenha cuidado reforçado na estrada. É muito importante que adapte a condução ao estado do piso e verifique os travões -onde é que eu já ouvi isto?

Se alguma das viagem for de noite, é essencial que monte luzes na bicicleta, de preferência alimentadas por dinamo, mas o mais provável é que arranje umas a pilhas. Ao menos que sejam recarregáveis. A luz de frente é tão importante com a de trás, pois a sua função é tornar-nos visíveis. Uma excelente solução para nos tornar também vistosos é o colete auto.

Mesmo quando chove, vem mais água do chão que do céu, pelo que um par de guarda-lamas ajuda e muito a manter-nos secos. Se a sua bicicleta não tem, está aqui uma boa oportunidade para passar a ter.

Por último, pare a sua bicicleta longe da chuva para que continue a funcionar bem. Se isso não for possível, um saco de plástico manterá o selim seco até à hora de regressar.

Depois de todo este investimento existem mais umas quantas razões para não se ficar apenas pelas quartas-feiras…

… lembrem-se o que custa é começar!

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