A GRANDE VIGARICE


bicycle_thief

Este é um texto muito atrasado. Na verdade este blogue está com um atraso significativo em relação ao mundo à minha volta. Aos poucos a coisa foi-se entranhando. Uma dormência digital, uma abstinência critica, uma apatia militante, até mesmo um desencanto em equilíbrio.

E contudo ela move-se! Para começar move-se a Terra e com ela os homens que por cá andam ao mesmo tempo que eu. E ao moverem-se estes e outros homens, vão deixando umas marcas que às vezes até são capazes de fazer mover a tal da Terra. Outras apenas, e às vezes os mesmos homens, apenas fazem umas mijinhas na tentativa de marcarem um território.

Há já demasiado tempo que foi um sujeito, de nome Sérgio, empossado, emproado, montado no alto do cavalo neo-liberal, de lança em riste ainda pingando sangue do ataque sem tréguas ao transporte público de que é excelso capital-mor, com aquela voz estridente que o anuncia, proclamar a libertação da bicicleta do jugo medieval imposto por um Código da Estrada forjado desde sempre nas teias dos interesses que o mandam, a ele Sérgio e a outros cruzados de igual estandarte, combater.

Pelo meio de aplausos e vivas perdeu-se a besta -o cavalo- e deixou o bestial “cavaleiro” cair no escrutínio imparável do tempo, a máscara de menino aprumadinho. A verdade é que desde esse promissor anúncio, feito perante a mais extasiada das plateias, nada mudou. Nada! Recusaram-se projectos lei e aprovaram-se recomendações. Nada! Re-baixou do Plenário à respectiva Comissão Parlamentar uma salganhada legislativa que mete bicicletas e tudo… Nada! Tudo metido num saco do qual basta apenas ler os pareceres, por exemplo o enviado pelo Conselho Superior da Magistratura, para termos a certeza do que move o voraz privatizador Sérgio.

Sim, o autor destas linhas é um opositor às políticas de empobrecimento e retrocesso aplicadas pela tróica domestica a mando da tróica ocupante. Dissociar as políticas macro da micro importância da bicicleta é um erro porque não há política de mobilidade nem alteração de paradigmas sem um forte investimento público. E esse onde está? Nada!

Vamos com certeza continuar à espera que o legislador legisle no cumprimento da sua obrigação, no interesse da maioria dos cidadãos. Que o legislador legisle na protecção dos mais fracos e vulneráveis, não só no que convém à mobilidade mas em todo o resto. Eu seguramente que continuarei pouco esperançadamente à espera, sentado no selim da bicicleta. Mas não parado! E aqui me declaro de novo envolvido em fazer com que quem daí se der à vontade de me ler, se lembre que isto anda tudo ligado!

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Uma resposta to “A GRANDE VIGARICE”

  1. Paulo Guerra Dos Santos Says:

    Subscrevo!

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