LEVI STRAUSS, BICYCLE & CO. (actualizado)


Longe vão os tempos em que as Levis me chegavam de madrugada directamente de New York. Chegavam em sacos de lojas onde nunca tinha entrado. Nessa altura ainda as etiquetas diziam Made in USA, e escolhiam-se pela medida da cintura e do comprimento, comecei num W28 L30 e mais tarde W30 L32. As primeiras foram modelos 517 e 562, mais clássicos e largos, dum azul muito escuro e quase que ficavam de pé sozinhas, tal era a carrada de goma que as impregnava. As minhas primeiras aventuras com a máquina de costura foi para estreitar as pernas e fazer alguma bainha à minha vontade. Quem se lembra da moda das calças muito justas, com botas alentejanas ou de tacão alto? As aventuras na costura correram bem e guardo esses dotes até hoje com muito orgulho.

Com passar do tempo e muita informação partilhada, comecei a pedir outros modelos. Chegaram-me as primeiras 501 com a bandeira laranja no bolso, em azuis mais claros e aspecto usado. Eram mais caras e nem sempre os patrocinadores de então compreendiam as diferenças. Sem internet nem eBay, nesse tempo o google eram as revista importadas, a publicidade, de onde muitas vezes se recortava uma fotografia e entregava juntamente com o pedido e as notas de dólar. Mas a importação contra-bandista não se limitava apenas a calças. Vieram camisas de ganga, blusões, blusões com pelo e blusões de bombazine. Ainda guardo alguns blusões que espero façam as delícias do V logo que lhe sirvam como fizeram as da minha irmã. No início dos 80’s a Levis que se vendia por cá era caríssima e de inferior qualidade, o que até nem fazia muito sentido porque a marca tinha em Portugal alguma produção. Dizia-se então que a melhor Levi Strauss à venda fora dos states saía de cá. Anos mais tarde assistiria ao encerramento do escritório no Porto onde a marca controlava toda a produção adjudicada a fábricas portuguesas, num prédio da avenida de Boavista. Hoje, e apesar de não estar referenciada qualquer produção da marca no país vizinho, somos uma simples sucursal da Levi Strauss España S.A. Em Portugal havia em Março e segundo dados da própria marca, 26 empresas nacionais a produzir para a Levis. 

De regresso ao século passado, quem tinha o privilégio de mandar vir roupa do outro lado do Atlântico, para além das calças com a bandeirinha vermelha no bolso, havia quem preferisse as Lee ou as Wrangler, fosse pelo corte, a cor da ganga ou o tipo de linha usado nas costuras. Eu mantive-me sempre fiel às Levis! Houve até uma altura em que se podiam comprar falsificações muito aproximadas às originais por bom preço na feira de Carcavelos e noutros centros comerciais ciganol mas quem arriscava, rapidamente percebia a razão do “desconto”. Ao fim de um par de lavagens a cor desmaiava e as linhas cediam. A procura chegou a ser tal que o preço das americanas ultrapassou o das vendidas nas lojas. Realmente a cor da ganga e o corte não tinham par. A globalização começou a fazer das suas e em breve as Levis compradas em NY eram iguais às vendidas em Lisboa, o preço doméstico caia ao mesmo tempo que o dólar subia, até que a marca de São Francisco deixou de fabricar nos Estados Unidos a par da perda de implantação por causa da concorrência das novas marcas surgidas entretanto.

Hoje voltaram a fabricar no país de origem modelos exclusivos a preços equivalentes. Umas Levi’s made in usa custam muito acima dos 150 dólares e um blusão passa dos 200! Mais atenta às tendências do presente e revalorizando o encanto da ganga para lá do cowboy look, a Levis Strauss fabrica actualmente colecções para diferentes clientes. Uma das novidades é a linha a que deu o nome de Commuter, pensada para os ciclistas urbanos. A roupa está cheia de detalhes adaptados às necessidades de quem anda em cima duma bicicleta. Faixas reflectoras, respiradores nas camisas, materiais impermeáveis e até um suporte nas calças para cadeado em U, bolsos específicos, cinturas mais subidas, tornam estas peças bastante práticas e estão disponíveis em várias cores. Se a Levis não se esqueceu de nenhum pormenor, aparentemente ignorou que a comunidade ciclista feminina existe, e que se há peça de roupa que difere no género é um par de calças. Claro que semelhante tratamento discriminatório já motivou reacções na blogoesfera e mesmo um protesto formal junto da marca.

A série Commuter está disponível em Portugal e tem direito a chamada de capa, ou melhor, está bem presente na montra da loja no Chiado, em Lisboa. Por mim, e entrando na moda que parece ser uma vocação dos blogs cá da terrinha, anúncio a minha total disponibilidade para testar a roupinha. O meu número de calças é o W32 L32 e de camisa o 15,5!

Anúncios

2 Respostas to “LEVI STRAUSS, BICYCLE & CO. (actualizado)”

  1. Já há calças destas há uma ou duas semanas, pelo menos na loja Levi’s do Chiado. Custam 97 euros, várias cores.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: