UM DESEJO CHAMADO AUTOCARRO


O meu commuting é entre a periferia e a periferia. Vivo nos subúrbios e trabalho nos subúrbios. Embora faça uns “biscates” na cidade grande por conta própria, a maior parte das vezes que vou a Lisboa é ao volante do carro da empresa. Quem como eu passa a vida nos arrabaldes da cidade grande sabe o quanto é difícil tentar viver sem depender do carro. Não fora a bicicleta e ficaria frequentemente sem forma de regressar a casa, ou teria de palmilhar quilómetros a pé. Para quem vive e trabalha nos subúrbios, o transporte particular não é um luxo mas uma necessidade. Seja ele a motor ou não, carro ou bicicleta.

Os combustíveis pesam cada vez mais no orçamento das famílias e, mesmo com a redução das vendas, ainda são a principal razão pela dependência externa de Portugal. Se é verdade que com as políticas certas, o nosso país pode ser praticamente auto-suficiente em matéria alimentar, se em teoria podemos ser independentes em vestuário e calçado, como é verdade que já o fomos em produção de aço, vidro, construção naval e pescas, bem como em tantos outros sectores, a verdade é que muito dificilmente poderemos ser independentes em combustíveis.

Os transportes públicos ou colectivos são importantes na medida em que permitem que cada um de nós e todos em conjunto, dependamos menos do transporte individual. O transporte colectivo, mesmo que o preço do bilhete não cubra a totalidade do preço do serviço, e dessa forma nos custe um pouco a todos pela via dos impostos, poupa-nos muito porque reduz a necessidade de importarmos combustíveis. É fundamental tornar os TC numa real alternativa. É imperioso tornar mais pessoas “dependentes” dos TC.

Infelizmente estamos numa situação em que o discurso oficial desvaloriza os TC, reduz a oferta e a qualidade do serviço e aumenta os preços, afastando por essa via passageiros existentes e não cativando novos, para lá, claro está, daqueles a quem não resta escolha. A bicicleta é uma alternativa para uma imensa minoria com vantagens para a imensa maioria de quem pedala mas também para quem vê pedalar, da mesma forma que os TC são uma vantagem para todos, para os que os usam e para ou outros. Ainda para mais na situação actual do país. Bem ao contrário do discurso dos governantes.

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