VIVA O FIM-DE-SEMANA! v.1.2


De repente e num só fim de semana, aconteceram em Lisboa três iniciativas mobilizadores de ciclistas. A azafama começou no sábado com o Lisbon Cycle Chic versão 1.2, despertou o domingo no Lisbon Bike Tour 2011 e terminou à tarde no 1º Naked Bike Ride. Apetece perguntar que seria dos ciclistas alfacinhas se não soubessem inglês? Mas adiante que as questões de idioma são meras picuinhices.

Todo o país tomou conhecimento sobre as diferentes passeatas por via das abundantes reportagens televisivas, radiofónicas e impressas. Mas será que o país foi devidamente informado? Será que os três acontecimentos originaram uma reflexão minimamente séria sobre o que ocorreu neste mui sui generis último fim de semana de Junho? Não me parece. Seria pedir demasiado a uma classe automobilizada e desmobilizada de causas.

Tanto o LCC como o NBR são eventos que pela dimensão e adesão, e pelos meios logísticos envolvidos, não se podem comparar ao LBT. Enquanto em cada dos dois primeiros estiveram cerca de 200 bicicletas, no segundo participaram para cima de seis mil pessoas. Olhando as fotografias de todos os eventos, o único fator comum é a bicicleta, embora nas de domingo à tarde outro atrativo motivo de interesse rivalizasse com os pares de rodas. Sabe bem ver que a Federação de Cicloturismo se associa aos eventos amadores mas é triste que a organização do Tour da ponte deixe de fora quem mais e melhor pugna pela bicicleta no nosso país.

Se ao chic se associaram duas lojas ativistas e uma marca dentro do espírito, já ao nu nem um vendedor de havaianas ou designer de biquínis quis despir o seu nome de preconceitos. Por outro lado, no outro lado do rio, até um fabricante de automóveis se associou a outras grandes empresas nacionais e várias mais pequenas, mais as autarquias de Lisboa e Loures e, imagine-se, a Associação Portuguesa de Surdos! Só parceiros de media foram quatro incluindo a rádio e televisão públicas e um jornal de negócios…

O LBT é um acontecimento puramente comercial, onde a troco de umas bicicletas de supermercado -pagas pelos inscritos! uma série de entidades se promovem, sob a capa de nos consciencializar para a necessidade dum futuro melhor. Pragmaticamente a verdade é que se muita daquela gente que, enfiada dentro de autocarros fez um domingo mais poluído, nunca dará uso à bicicleta que leva para casa ao ponto de perceber que aquilo não vale um chinelo, também é verdade que prova que com o incentivo correto milhares de pessoas enfiam um capacete horrível e ridiculamente verde na cabeça e pagam para atravessar o Tejo de bicicleta. Mais de seis mil pessoas foram ciclistas por breves momentos, gosto de acreditar que alguns ganharam o bichinho…

Quem por aqui vai passando saberá da minha opinião sobre a importação do conceito cycle chic. Não há evidentemente em Lisboa, ou noutra cidade portuguesa, matéria prima suficiente para alimentar um blog de fotografias que faças jus ao espírito da coisa. O Miguel tem no entanto feito um trabalho hercúleo na dinamização do chic virtual e do chique concreto e o encontro do Campo Pequeno é disso prova. Claro que o facto de aparecerem uns crominhos de joelheiras e cotoveleiras ou umas betetes xispête-ó só pode ter que ver com a conhecida incompatibilidade dos portugueses com o inglês técnico.

A maioria dos jornalistas, porque não percebem como se pode andar a pedalar só porque sim às voltas em Lisboa, a não ser para dar nas vistas e sair de casa mascarado, logo reparam que afinal só havia um ciclista de sombrinha e uma ciclista de chapéu a la Côte d’Azure. E por aqui se fica a possibilidade de falarem e escreverem sobre os mitos das colinas e do esforço para as subir, do medo do trânsito automóvel, das aberrantes ciclovias do senhor Zé, ou até e simplesmente de como pode ser normal andar de bicicleta na cidade, apenas com a roupa do dia a dia! Cheira-me que com a precarização nos medium e a diminuição geral de rendimentos de quem vive apenas do trabalho, a classe jornalística será das que mais depressa porá os pés nos pedais… mas isso é outra história.

Arrisco-me a dizer que o LCC é uma excelente oportunidade para nos encontrarmos espalhados pelos bancos do jardim e estender as bicicletas na relva, e ao sabor dumas imperiais e ao som de amenas cavaqueiras, convivermos também a falar de bicicletas. Talvez o LCC possa ser uma coisa mais informal, sem batedores nem ambulâncias*, em que o prazer esteja na viagem que todos faremos para lá chegar e, porque não, num passeio de 15 minutos à volta dum par de quarteirões em vez de quase uma vintena de quilómetros à moda da Massa Crítica. Para mim isto do chic é uma coisa mais contemplativa, mais na onda do “e na próxima semana vou ser o mais chique de todos!”

Para o fim ficou o último mas que era sem dúvida o mais aguardado dos três passeios. Conhecendo a capacidade interpretativa dos media antevi que a nudez anunciada, mais ou menos efetiva, relegaria para secundaríssimo plano os principais propósitos dos organizadores. Como é evidente não existe uma cidade de qualquer país onde seja possível circular como se veio ao mundo. Lisboa nem nisso é original. A originalidade prende-se com o facto de aqui a polícia se dar ao trabalho de mais uma vez evidenciar ao mundo a tacanhez e o provincianismo dos costumes.

Se todas aquela gente que foi desde o Parque Eduardo VII até à Torre de Belém tivesse mesmo tirado toda a roupa, o que é que a polícia faria? Deteria todos? Distribuiria mantas do exército? Ofereceria preservativos? Carregava a cavalo? Despia as fardas e dançava apenas com os cassetetes na mão? Taparia os olhos dos desprevenidos transeuntes? Que imagem ofereceriam aos turistas os policias? É que para a maioria das pessoas que das beiras dos passeios assistissem ao desfile dos ciclistas nus, a novidade seria a reação das forças da ordem.

Desde que soube da ideia de se organizar um desfile nu em defesa da bicicleta pelas ruas de Lisboa, que achei que a visibilidade do acontecimento ficaria preso aos corpos dos ciclistas e nem reparariam nas bicicletas. Assim de repente só me consigo lembrar da parte debaixo dum biquíni preto e esta nem é a minha cor preferida para usar na praia… Proponho que no próximo Naked Ride se vá apenas vestido com capas de chuva transparente e se transforme a defesa por uma mobilidade sustentável na luta por uma mentalidade sustentada! Ao menos assim poderia ser que os jornalistas falassem das bicicletas na cidade… Que me dizem?

* Acrescento que não houve ambulância no LCC.

Houve foi uma viva argumentação entre alguns ciclistas mais militantes e experientes e um polícia menos habituado às bicicletas e pouco sensível ao espírito de quem em cima delas desfruta da vida.

A autoridade defendeu a obrigatoriedade da presença dum veículo desse tipo, ainda para mais sabendo que o organizador tinha ido de charola, com argumentação meramente formal como aliás lhes é habitual, à autoridade claro.

Num país onde a assistência médica de proximidade é cada vez mais gerida desde uma visão troiquista (não confundir com Trotskista!), é aberrante –to say the least– este tipo de exigências.

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26 Respostas to “VIVA O FIM-DE-SEMANA! v.1.2”

  1. Na minha opnião, da mesma forma que devemos aceitar quem quer andar de sombrinha ou nu, também o devemos fazer a quem anda de joelheiras, cotoveleiras, capacete de mota ou armadura do séc. XII. Considero e defendo que cada um deve andar da forma que se sente confortável, mesmo que isso passe por opções que nos pareçam absurdas.
    Eu nem quando estou a fazer modalidades mais radicais ando tão protegido como os “crominhos” mas no entanto sou o primeiro a defendê-los pelas razões acima apontadas.

    • Longe de mim ser segregacionista, refiro-me apenas à interpretação do espírito da coisa. É tão estranho como ir para uma festa pijama vestido com um fraque ou aparecer no casamento da prima com um fato de mergulho. Não discuto os gostos e muito menos as comodidades individuais e sou pela autodeterminação do “eu”, apenas realço a dificuldade nacional no entendimento do “inglês técnico”…

  2. Eu diria que esse fds começou, na 6ª-feira, com a Massa Crítica, seguida de “sardinhada crítica”. Sem grande esforço de divulgação, juntaram-se pouco mais de uma centena de pessoas, não como vieram ao mundo mas, sim, como vieram à rua, nesse dia, para trabalhar (salvo muito poucas excepções).

    Ou seja, é um cycle chic espontâneo e que, na minha opinião, é o melhor indicador da evolução actual: em Agosto de 2008, fomos 15 e, actualmente, mesmo com chuva, não baixa da meia centena. Tivesse a cobertura que tiveram os outros eventos e, sabe-se lá quantos seríamos…

    • Não referi a MC porque acontece com regularidade e já foi alvo de várias reportagens. O que tornou esse fds especial, foi que, para além da MC aconteceram três eventos mais.
      No artigo refiro exatamente a necessidade de tornar o LCC um acontecimento que não seja apenas a repetição da MC. Está lá escrito.
      Ah, e parabéns pelas sextas!

  3. Pedro dos Santos Says:

    Pois eu também senti que este fim de semana começou na Massa Critica. Quanto a dita sardinhada, que remédio tivemos todos, pois foi lá que terminou o percurso da massa critica, que infelizmente esta sexta feira já estava pré-definido e não decidido na altura.Aliás ouve pessoas que não foram a massa critica porque teriam de ir até telheiras.Se assim não fosse como seria?teríamos 2 massas criticas?E nada deu ao pessoal das bicicletas para alem de malta que faz barulho num largo em telheiras.O Cycle Chic mesmo assim pareceu muito interessante, com um percurso talvez muito longo, mas importante. O World Bike Tour, é só para vender bicicletas rascas ao pessoal que não a irá usar mais. A WNBR tentou chamar a atenção para as bicicletas e conseguia até certo ponto, mas parece que se ficaram no bikini preto as pessoas, é a tal pequinhes que se falava. As capas de chuva transparentes podem ser uma solução. Mas o que quer que seja todos estes acontecimentos quer este ou aquele concordem, fizeram as bicicletas estar nas noticias.

    • Eu cheguei atrasado à MC e, por isso, não apanhei a parte da decisão do percurso. No entanto, à semelhança do que já aconteceu noutras ocasiões, acredito que o percurso proposto tenha sido submetido à “votação” dos presentes. Se havia quem discordasse, e a sua proposta tivesse mais peso, ie, mais votos, estou certo de que seria aceite.

      Por outro lado, a MC não pode nem deve acabar sempre na zona sul/oeste da cidade. Eu também prefiro acabar no bairro alto, ou na baixa, porque depois sigo para oeiras. Mas há quem siga para odivelas, para a Amadora, para a Expo, etc.

      Além disso, graças à variedade de destinos da MC, fiquei a conhecer alguns sítios de Lisboa que, apesar da sua localização inicialmente pouco atractiva, até são interessantes. Por exemplo: MC a acabar no Parque das Conchas (belo jardim), MC a acabar em telheiras (afinal não é só cimento). Mesmo uma MC que acabou na expo (zona que evito ao máximo) acabou por ser um passeio muito agradável, prolongando-se depois em grupo mais pequeno no regresso ao centro da cidade.

      Quem não gosta do percurso, é livre de propor outro, de fazer apenas uma parte ou, simplesmente, ir-se embora.

  4. Se o objectivo do evento LCC é “ensinar” a pedalar de modo mais descontraído e informal, mostrando que é possível pedalar com a roupa com que se sai à rua todos os dias ou até com a roupa com que se vai para o trabalho… pergunto o que a distingue da MC, e o porquê de levarem batedores da polícia…

    Assim como saltou à vista a tal parte de baixo do biquini preto no evento Naked Ride, de repente o que salta à vista ou o que me vem à ideia é uma “separação das águas”, em que a MC é para a populaça, chungas e afins (nomeadamente alguns que só pelo aspecto nos fazem trancar o carro à sua passagem…) e a LCC para a elite, pessoal executivo, betos, tios, etc e tal… (até a escolha do local de partida não foi deixada ao acaso…)

    • Creio que a sua análise e comparação entre a MC e o LCC enferma de algum pre-conceito.
      Diria que a MC é um evento social de fim-de-tarde-de-sexta-feira-dia-de-trabalho e o LCC é um evento social de fim-de-semana-dia-de-descaso.
      São dois círculos que se interseccionam em vez de se tocarem apenas tangencialmente no ponto da bicicleta.
      Aliás, a MC é também um LCC (e versa-visse).
      Também acho que os batedores e demais aparato, não ajuda quem nos vê passar a ficar com a ideia de que andar de bicicleta na cidade é normal, quanto mais possível. E nós sabemos que é!

  5. Creio que na sua análise, quando, entre outras coisas, diz que para si isto do chic é uma coisa mais contemplativa, mais na onda do “e na próxima semana vou ser o mais chique de todos!”, também está a ser um nadinha preconceituoso (já para não falar na referência aos “crominhos”…)… eu não cheguei tão longe, e insinuar que, mais do que um passeio-de-fim-de-semana (exclusivamente de recreio/ lazer) acaba por ser uma “feira de vaidades”

    Mas a questão dos batedores é interessante, porque de facto em vez de contribuir para a integração da bicicleta no trânsito, este evento consegue fazer precisamente o contrário, contribuir para a “auto-segregação” com esta falta de autonomia e incapacidade de incusão e partilha do mesmo espaço, que é de todos.
    Não deixa de ser curioso, a ser verdade irem acompanhados de ambulância, o incentivo ao não uso do capacete (para não parecerem uns “crominhos”) , que não vale a pena, que é um exagero, porque não se trata duma prova desportiva, etc… (parece-me então que neste caso a ambulância é absolutamente redundante)

    Não me consigo identificar minimamente com nenhum dos dois movimentos “promotores” da bicicleta (MC e LCC) – o primeiro porque proclamam-no sobretudo como um acto essencialmente político (???) e o segundo porque o considero completamente estéril para a causa.
    Ando todos os dias de bicla (vou para o trabalho nela), contribuo individualmente para a causa, sem precisar de rolhas nem de batedores, e sobretudo tentando “apenas” cumprir o código, tal como se de automóvel fosse (porque afinal também somos/fazemos parte do trânsito – não vejo porque tenhamos de nos comportar de maneira diferente – se temos os mesmos direitos e os mesmos deveres). -Se queremos ter mais direitos há que lutar por eles… assim de repente não sei bem como, confesso, mas na minha modesta opinião não é nem com “carneirada” mais “chunga”/”pobretaina” a fazer rolhas nem com a “carneirada” mais “elitista” escoltada pela polícia, que vamos lá. Talvez se nos formos impondo diariamente e individualmente, duma forma mais séria e respeitadora seja esse o caminho. :-)

    • Não estou a ser preconceituoso, embora admita uma certa dose de pre-conceito na minha existência. O que eu digo é que não devemos deixar os nossos preconceitos afetar a análise que façamos. O apelido crominhos aplica-se na perfeição e não é pejorativo.
      Ser o mais chique lá do bairro é ao fim e ao cabo o que tentamos atingir quando escolhemos a forma de sair à rua, concorda? Não é nenhum pecado. Ou na MC não há chiques e betos? Haverá na mesma medida em que há aquilo que julgo ser o que chama de “chungas”.
      Mas o meu artigo tentava ir mais pelo lado do que a imprensa foi capaz de retirar deste tão ciclável fim de semana e não comparar os diferentes happnings.
      É normal que o movimento probicicleta esteja composto de diferentes ideias sobre as formas mais eficazes de promoção deste modo alternativo de mobilidade urbana. Não vale é a pena entrarem em competição estéril, visto que, mesmo que não se concorde com qualquer deles, a verdade é que nenhum, por mais incongruente que possa ser, não é prejudicial aos outros.
      E ainda bem que a Marisa, tal como eu, vai de bicicleta para todo o lado!

    • Marisa,

      Também não me identifico muito com o passeio LCC, embora goste da ideia que lhe está subjacente: pedalar todos os dias, com a roupa de todos os dias.

      No entanto, identifico-me imenso com a MC porque, precisamente, me parece um movimento apolítico, capaz de receber qualquer tipo de pessoa, sejam quais forem as suas convicções. É verdade que, num sentido mais lato, poderá sobressair, por causa de alguns elementos ou algumas atitudes, um ambiente mais politizado.

      Mas nunca achei que ofuscasse o que entendo por ser o verdadeiro espírito da MC: celebrar a bicicleta, seja qual for a utilização que se lhe dá. E, quando participo na MC, um dos aspectos que me parece mais interessante observar é, precisamente, a variedade de pessoas. Elas são de todas as cores (partidos, religiões, nações) e feitios (gordos e magros, velhos e novos, homens e mulheres), literalmente. E estão juntas por um único factor: a bicicleta. E isso, parece-me uma riqueza enorme.

      RF

    • * as designações “beto”/”chunga”, etc. seriam as que uma criança inocente utilizaria, vá lá. Foi uma maneira simplista (e grosseira) para melhor salientar as diferenças que me parecem mais evidentes entre os dois grupos (até pode ser mais outro preconceito meu :-) , mas, no meu entender, ao aspecto “janota” dum e doutro grupo/movimento está em princípio implícito um estrato social, ideais políticos, maneiras de estar e de se comportar em sociedade, etc. – era a todo este conjunto de factores associados a que eu me referia, lógico).
      E, claro, estou a falar no global, porque sempre existirão pessoas que estão à vontade para participar nos dois eventos, sem quaisquer tipos de comichão, em que o mais importante para elas é andar de bicicleta, todos os dias!

      • … tipo os “crominhos”!!! :-) … estão em todas e sempre no seu próprio estilo… (estes de facto não se inserem em nenhuma das “classes” que mencionei… :-) mas podemos arranjar aqui mais uma, a dos “crominhos”, que intersecta as anteriores). lol

  6. Pedro dos Santos Says:

    O que me parece é que todos nós temos um objectivo comum e isso sim me alegra. É a Bicicleta como meio de transporte preferencial. O não fazer nada, é que acho mal, pois o ambiente não pode esperar mais. A MC ou a LCC ou até a WNBR Lisboa, de uma maneira ou outra, vão pondo a bicicleta na discussão do dia-a-dia, porque o ciclista individual no meio do transito por si só não consegue nada, é só um obstáculo para os automobilistas e nada mais, e para eles nada de mais trará senão um aborrecimento de abrandar. A MC ocupa espaço, “ocupa pensamento”, como a LCC, ou como a própria WNBR Lisboa. No fundo todas elas são manifestações em prol do ambiente e em prol da bicicleta e por isso melhoram a vida na cidade. Por isso espero que continue a existir cada vez mais MC, cada vez mais LCC e WNBR Lisboa. Porque para mim, importa o meio de transporte que escolhi, a bicicleta, por ser saudável e amigo do ambiente. E agora gostava de dizer algo que nada tem a ver com a discussão em causa, mas com o blog, adorei a foto de fundo, do filme “Perfume de Mulher” a versão antiga ;) se não me engano… E só voltando ao assunto, a critica a mim não me mete medo, mete-me medo é que as pessoas não percebam que andar de carro não é a única solução, que existe outras soluções como os transportes públicos e como a nossa querida bicicleta.

  7. Boa análise Humberto, em especial no que diz respeito ao Lisbon Bike Tour e ao Lisbon Cycle Chic.
    Enquanto ao passeio nu de bicicleta este peca por isso mesmo e comunica a ideia contrária ao que é a promoção do uso generalizado da bicicleta. A atenção gerada fica perdida na forma mais do que conteúdo (p.ex. o que comentas sobre a malta olhar para os nus sem ver as biclas). É um evento só para uns maluquinhos nus participarem / não para todos… apesar da tua proposta das capas transparentes ser hilariante o Naked Ride não passará de ser um “one liner” pouco edificante na vida da cidade.
    Aguardamos mais observações tuas com este espírito crítico, independente e criativo, e aqui estaremos para mais passeios e as imperiais à beira do passeio!
    Abraço
    Oeiras Commute

    • Obrigado Bernardo,
      Não sou tão radical na avaliação da NBR e até acho que alguma coisa terá sido positiva na discussão sobre as formas de manifestação.
      Numa sociedade tão tolerante com feiras e festivais de sexo, é no mínimo hipócrita proibir um grupo de cidadãos maiores e os filhos de alguns deles, que resolvem criar um happening perfeitamente enquadrado e ainda mais por uma causa positiva, de desfilarem como quiserem.
      Tudo se resume a uma questão de bom senso: quem não quer olhar, não olha e pronto!
      Se pudesse ter sido feito um balanço entre quantos se chocarIam e quantos aderiram e aplaudiram, tenho dúvidas sobre a razão da “proibição”…
      A miséria humana com que me cruzo diariamente nas minhas cidades agride-me muito mais que um grupo de ciclistas em pelota a gritarem por melhor ambiente e a alertarem para a fragilidade de quem arrisca pedalar no meio da selvajaria do automóvel.
      Eu não sou de forma alguma contra a NBR. Sou pela integração do conceito na nossa realidade. Sou contra esta coisa pequenina de temos de andar a bufar à autoridade qualquer coisa que nos propomos fazer!

  8. E se vocês falassem menos e pedalassem mais?

    • Até agora ainda não tinha aparecido ninguém a mandar os outros fazer qualquer coisa ou deixar de fazer outra.
      Já cá faltava!
      Seja bem vindo mas não se engane que por aqui pedala-se o suficiente, obrigado. Ah, e gosta-se muito de falar!

  9. Miguel Barroso Says:

    Olá Humberto!

    Ficou-te a faltar um evento – o organizado pela FPCUB no Domingo também, o “Tejo Ciclável” que termina também com a travessia da ponte Vasco da Gama, logo a seguir ao WBT.

    Quanto à sugestão do “outro molde” para o evento Cycle Chic, está para breve o início dos Domingos Cycle Chic – um encontro informal, um pouco ao estilo do que sugeres, e que já acontecem em alguns locais do globo: http://www.cyclechicsundays.com/. Sem passeio obrigatório, sem organização, apenas um ponto de encontro. Fica para a “reentré”…

    O motivo do Evento Cycle Chic Lisboa ter tido batedores, prende-se ao cumprimento da Lei. Ao contrário da MC, que não é organizada por ninguém, e é criada por todos, o Cycle Chic tem uma pessoa à frente. E essa pessoa lança um desafio a outras para aparecerem num determinado local e a uma determinada hora fazerem um cortejo em grupo pela cidade – essa pessoa, perante a lei, passa a ser obrigada a solicitar os meios previstos pela mesma, e fica responsável pelo que possa acontecer a essas pessoas na sequência do seu convite. Percebam que eu dispensava a presença dos batedores, mas há lei, e neste caso, por muito que não goste, não me arrisco a não a cumprir.

    Por fim, e falando da Massa Crítica: em Lisboa, a MC é um acontecimento fantástico – principalmente nos moldes que tem acontecido nos últimos tempos. Civilizada e pacífica (e isto creio que se deve ao elevado número de elementos do sexo feminino que têm aderido à mesma), é um evento mais que Cycle Chic. Sim eu sei, muitos não se identificam com o CC, nem gostam que lhes digam que são Cycle Chic… Tal como o Humberto já referiu, a MC e o CCL são coisas diferentes mas são também a mesma coisa. Há muita gente que vai frequentemente à MC, e que marcou presença no evento CC Lisboa. Mas há muita gente também que nunca iria a uma MC e foi ao evento CC, e vice versa – pretende-se portanto, chegar ao máximo de pessoas. E isso é que interessa – mais gente a andar de bicicleta – muito mais gente. E se depois de irem a estes eventos, começarem a andar de bicicleta no seu dia-a-dia, ainda melhor!

    • Miguel,
      Ficou-me a faltar o Tejo Ciclável se nos cingirmos aqui à grande Lisboa, porque por este Portugal afora são várias as oportunidades agendadas de encontros de ciclistas e sus muchachas.
      As razões para haver batedores são conhecidas e compreensíveis. Por isso é que há que dar a volta a isto. A autoridades não vai nunca parar de fazer exigências absurdas ou deixaria de ser autoridade. Agora é os batedores e amanhã já é uma ambulância e depois uma fita laranja a delimitar o trajecto e depois e depois e depois.
      Mais gente a andar de bicicleta é o objectivo mas é mais, é um imperativo tal como são as condições para isso ser mais possível e, sobre tudo, a mudança de mentalidades. Por isso é que a forma como “chamamos” a gente é primordial.
      Tu és um exemplo de como se pode trabalhar nesse sentido.
      Tal como são os organizadores da MC.
      Abraços boa “reentré”!

  10. Jose Santa Clara Says:

    Li os 21 comentários acima e noto que falta a opinião típica dos dos “tios e dos betos”, que sou muito tentado a subscrever. Em minha opinião os eventos como o NBR não promovem o uso da bicicleta entre a população, antes pelo contrário, promovem a ideia de que a bicicleta é uma coisa utilizada por gente “esquisita”…
    O LCC já é o oposto, se as pessoas não forem equipadas como para uma prova de BTT, mostrando que qualquer pessoa normal pode (e deve) andar de bicicleta nas deslocações diárias em Lisboa.
    Vejo muito jovem, com pouco dinheiro, de profissões criativas e com preocupações ambientais a andar de bicicleta; vejo muito barrigudo mascarado dos pés à cabeça de ciclista profissional; não vejo quase mais ninguém… E faço mais de 34km em cada um dos muitos dias em que vou e volto do trabalho de bicicleta.
    Abraços a todos,
    José Santa Clara

    • Já agora, qual é a sua opinião sobre a MC? Eu acho que por lá se vê de tudo. A Marisa acha que é para os “chungas”…

      RF

      • A opinião de quem, Ricardo? Minha ou do José?

      • Jose Santa Clara Says:

        Nunca aderi à MC, primeiro por desconhecimento, depois por falta de disponibilidade de agenda para ir ver como é. No mês passado pela primeira vez cruzei-me com eles na Av. da República (eu ia de carro). Pareceram-me muito animados e irreverentes, mas não deu tempo para ter uma opinião.

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