SAIA DO ARMÁRIO!


Agora que o sol e adjuvante calor, cocktail também identificado comummente e de forma um pouco sectária por bom tempo, se instalou com ar de quem por cá vai ficar, quando cada vez menos dúvidas restam que o preço dos combustíveis poderá vir a fazer mais pelo negócio das bicicletas do que os autarcas barrigudos; agora que o Governo nos entregou à comissão liquidatária do FMI, pode ser que mais de vós, ao por aqui passarem, daqui saiam com vontade de dizer -mas desta vez de verdade- sim, eu consigo!

A receptividade que teve nos meios de informação a criação do grupo de monitores da MUBI, os Bike Buddy, se por um lado denota uma maior atenção ao fenómeno da mobilidade em bicicleta por parte dos media, por outro prova que acções concretas e construtivas têm eco na opinião pública. Quem daqui sair com vontade de ir mais além das palavras, pode contar com esta malta para ir dar umas voltas pela cidade e constatar que o trânsito não é uma besta de sete cabeças. Tem apenas duas ou três.

Qualquer par de rodas perro pode perfeitamente servir para desenferrujar as pernas mas sem dúvida que um pouco de óleo na corrente e um ajuste de travões tornarão menos penoso o exercício e mais proveitosa a jornada. O estado da montada é muito importante mas não é per si determinante. A conjugação de vários factores fará com que a experiência de commuter seja repetida e a mudança de hábitos ocorra. Quero acreditar que o estimado leitor contará com as próximas linhas, que no seguimento dumas outras e de outras um pouco mais usadas pelos tempo, para o ajudar num problema que tem solução.

Respondendo às cinco perguntas formuladas aqui começo por chamar a atenção de que, independentemente das ganas com que começar esta nova aventura, o mais provável é que o tempo faça com que a sua atitude evolua ao sabor da idade, da experiência e de umas quantas mais parcelas adicionadas a esta complicada equação. Quero com isto dizer que mesmo que se sinta um bike ninja nada garante que não esteja brevemente convertido ao slow bike movement ou vice versa. Não sei se o seguinte ditado já foi enunciado mas aqui o deixo: diz-me que bicicleta montas que te direi quem és.

Para quem não esteja habituado a pedalar, poderá ser cansativo usar bicicletas de montanha ou de estrada num ambiente que exige uma atenção maior ao nosso redor. São bicicletas que têm uma posição de condução mais reclinada sopre o guiador. No entanto se a viagem for feita por caminhos acidentados e maus pavimentos, uma btt pode ser um bom compromisso. Da mesma forma, se tivermos de fazer todos os dias vinte ou trinta quilómetros de asfalto a uma velocidade média razoável, uma estradista tem bastantes vantagens.

Existem bicicletas que conjugam conforto na condução, uma postura mais recta do tronco, com alguma capacidade de enfrentar os passeios e pisos de terra e com sistemas de transmissão versáteis. São as bicicletas híbridas, de trekking. Pelo estado das nossas estradas e ruas, pela forma como acabamos a desenhar os nossos percursos com recurso a passeios e a tantos outros obstáculos, pelas velocidades médias que nos é permitido fazer, estas bicicletas são de forma geral a melhor opção. Atenção: de forma geral! São uma boa solução para quem pode comprar uma bicicleta nova. O problema é serem normalmente pouco baratas, para não dizer caras, já que o nível de equipamento é bom.

A distância a pedalar bem como a topografia do percurso que nos propomos a cobrir devem ser levados em conta na escolha da bicicleta. Existe uma relação entre o tamanho da roda pedaleira, a cassete traseira e o diâmetro das rodas da bicicleta. Sem grandes conhecimentos de física ou de mecânica, é fácil de perceber que a amplitude de relações ao nosso dispor tornar-nos-ão mais rápidos em plano ou menos esforçados nas subidas. As bicicletas com mudança no cubo têm menos opções de velocidades mas alguns sistemas cobrem uma gama de relações mais que suficiente para uma utilização urbana, com a vantagem de serem muito mais fiáveis e praticamente não necessitarem de manutenção.

O furo num pneu de bicicleta a caminho do trabalho não é a melhor maneira de começar o dia, se bem que com alguns conhecimentos e os apetrechos adequados tampouco é um bicho de sete cabeças. A escolha acertada de pneus tem a vantagem de reduzir a probabilidade de um azar deste acontecer. Tanto a Continental como a Schwalbe fabricam pneus com camada reforçada na zona de contacto. O agarre em piso molhado e a tracção em pavimentos mais brandos devem fazer parte das características a procurar num pneu. Ao fim e ao cabo são os pneus que nos mantém em contacto com o chão.

Pedalar com uma sacola às costas ou com uma mala de mensageiro a tiracolo não é seguramente tão prático como é fashion. Em matéria de conforto nada chega aos alforges, simplesmente porque não nos pesam nas costas. Tanto os maiores para montar na grade traseira como os mais pequenos levar ao lado da roda da frente, oferecem bolsas interiores ou têm tamanho suficiente para albergarem um computador portátil e o escritório móvel que queira transportar. Os cerca de 20 litros de capacidade permitem ainda levar com facilidade alguma roupa e, caso exista no destino condições para trocar de vestimenta e até tomar um duche retemperador, já que trabalhar fresquinho e lavadinho é melhor que a cheirar a desodorizante, pode tirar bom partido do espaço extra. Como é evidente pode pedalar com a roupa que tem no guarda-fato, mas se trabalhar aprumado e tiver de subir de Algés para Carnaxide, talvez queira reequacionar a questão do chic.

Existem por aí meio abandonadas e tristes belas bicicletas dos anos 80 e 90 do século passado que com algum carinho e jeito se transformam em soberbas companheiras do dia a dia. Se estiver numa de vintage, os sacos para prender ao selim ou na barra do guiador são além de bonitos, bastante resistentes e com a vantagem de ganharam com a passagem do tempo. Qualquer que seja o saco escolhido, arranje espaço para um conjunto de desmonta pneus, dependendo da perícia, uma câmara de ar ou um par de remendos, uma bomba das pequenas, uma ferramenta multi usos e um par de luvas de silicone. Se a bicicleta ficar parada e pouco vigiada previna as tristezas com um muito bom cadeado ou mesmo dois.

Felizmente ainda há quem possa escolher as bicicletas sem constrangimentos de ordem pecuniária, mas para a maioria de nós os tempos avizinham-se duros e implacáveis. Aos poucos vai-se percebendo o que vêm cá os senhores do FMI fazer. À laia de recomendação final, aposte numa máquina que já exista e use os seus recursos financeiros para a adaptar às novas necessidades. Feitas as contas, com uns guarda lamas, umas boas luzes e um dínamo, uma grade e um par de alforges mais uns pneus em condições, qualquer bicicleta de montanha ganha nova alma e não temos de vender a carteira ao diabo. Ajudei?

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3 Respostas to “SAIA DO ARMÁRIO!”

  1. Em relação à sempre presente problemática dos furos, deixo aqui uma sugestão simples, barata e eficaz: vendem-se em lojas de bicicletas e hipermercados sprays reparadores de pneu – isto é, são embalagens de spray que contém um líquido que sela o furo e enche em simultâneo o pneu. São quase obrigatórias para quem anda de mota – pela razão óbvia de que não há como transportar um sobresselente, a não ser que seja uma Vespa daquelas mais antigas, e poderão constituir uma boa alternativa a quem utiliza a bicicleta intensivamente no dia-a-dia.

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