UMA DAMA FRANCESA


A bicicleta transporta a cada pedalada várias revoluções técnicas desconhecidas de quase todos incluindo os que lhe carregam nos pedais. Os pneus ocos e as câmaras de ar, os rolamentos de esferas, as correntes de elos alternados e a roda de raios tangenciais, são alguns dos avanços tecnológicos que estão hoje presentes em praticamente todas as máquinas que usamos. E mesmo quando assim não é são componentes essenciais das máquinas que fabricam o mundo à nossa volta.

Desde que o homem começou a usar ferramentas a fonte de força exclusiva para as operar foi a das mãos, braços e costas. Embora o uso de roldanas e alavancas fosse já muito antigo nunca passou pela cabeça que poderiam ser impulsionadas pelos mais fortes músculos que temos: os das pernas. Além de ter tornado a bicicleta realmente utilizável, o sistema de transmissão tal qual hoje o conhecemos -pedais, pedaleira, corrente e carreto- é uma das mais eficientes forma de usarmos o nosso corpo.

Para alguns a bicicleta é uma forma divertida de se deslocarem, de se exercitarem, de serem apenas mais cada um, sem nunca lhe dedicarem muito pensamento para além do sentido meio inconsciente que é manter o equilíbrio sem esfolar os joelhos, cumprindo assim mesmo e já função para que cada par de rodas foi montado num quadro, equipado com uns quantos cabos e umas rodinhas dentadas que rangem a cada pontapé.

Para outros a bicicleta é uma máquina fantástica que representa o alcance da capacidade do homem em se transcender. À medida que as máquinas fabricaram a industrialização da vida e a cada dia punham novos desafios ao engenho do homem, a bicicleta ocupou um papel injustamente esquecido. Num tempo em que a par do lucro o que movia as ideias era a busca de melhores condições de vida e ainda antes das duas grandes guerras e do seu legado de destruição, a bicicleta foi motor de aspirações e libertações. Um pouco como volta a ser hoje.

Dificilmente darei a volta ao mundo a pedalar e tampouco seria o primeiro, muito menos o derradeiro mas quando vou ao mercado é também o mundo que gira por baixo dos pneus, sou também eu que parto um pouco por todas as estradas do mundo. Sou dos que para quem a bicicleta representa ambos os parágrafos anteriores e muito mais! E por isso lá vou coleccionando pequenos pedaços da história, símbolos belos e engenhosas máquinas de outrora. Agora foi a vez duma dama francesa elegantíssima como é a dama portuguesa que a vai vestir.

Uma Peugeot dos início dos anos oitenta senhora dum quadro mixte em aço Carbolite 103 azul celestial e com 10 velocidades. Luz de dínamo, grade traseira e uns lindos guarda lamas cromados. Está muito bem recuperada e original exceptuando alguns “consumíveis”, mas sobretudo em perfeito estado de utilização que é como as bicicletas, e já agora também as damas, se querem. Com tanto apelo às exportações sinto-me um pouco em contra corrente com mais esta aquisição em terras de sua majestade mas que raio… um homem não é de pau!

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3 Respostas to “UMA DAMA FRANCESA”

  1. Parabéns, mais uma preciosidade para a colecção!

  2. Uma dama vaidosa de elegantes curvas que o fará usufruir inesquecíveis sensações. Excelente aquisição e parabéns pelos textos.

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