À VOLTA DO PÓ


Estradas de terra batida são uma imagem que o desenvolvimento empurrou para longe do nosso quotidiano. Muitos quilómetros de ruas e estradas municipais foram primeiro pavimentados com gravilha e mais tarde, quando o poder autárquico viu os bolsos mais recheados e as urnas a precisar de votos, estendidos lustrosos tapetes de asfalto. Foi assim por aqui e foi mais ou menos assim pelo mundo e por algum deste mundo ainda é agora.

No entanto os elevados custos de manutenção das estradas asfaltadas já levou a que alguns Governos de Estados Norte Americanos tenham optado por repavimentar estradas com o produto resultante da reciclagem do asfalto que é mais duradouro, resistente e  -melhor! barato. Em 2008/2009 no Michigan foram mesmo repavimentadas 100 milhas (um pouco mais que 160km) com gravilha. Este processo de conversão chega a custar cinco vezes menos que reparar o asfalto gasto e esburacado. Um estudo de 2006 da Universidade do Minnesota defende que a gravilha é eficaz em vias com menos de 200 carros de tráfego diário.

O Governo finlandês desde 2001 que mantém um programa de intervenção em estradas deterioradas e de baixa utilização. Alguns municípios acordaram princípios sobre o que fazer nestas vias e imediatamente enfrentaram oposição e resistência ao que foi visto como um retrocesso na qualidade do serviço viário. No entanto as povoações servidas por estas estradas acabaram por concordar que a gravilha é mais confortável ao longo do ano e particularmente sob as rigorosas condições invernosas, do que o asfalto esburacado. O pó continua, no entanto a ser um problema não resolvido…

O aumento das preocupações orçamentais nas débeis economias liberalizadas e a escassez de recursos financeiros para continuar o modelo de desenvolvimento actual, tudo isto ligado com a crise energética, faz com que muito mais do que de gasolina se fale quando se ouve a palavra petróleo. O asfalto deriva da refinação do crude, é feito de betume e betume é coisa que não falta neste planeta já que é o principal ingrediente das areias de piche. Mais uma vez o problema não é de quantidade, mas sim de energia. A energia necessária para transformar as areias em asfalto.

De forma planeada ou não a gravilha está de volta às estradas e nuvens de pó podem ser de novo vistas no horizonte. Os carros e camiões terão que ser pensados de forma a oferecer conforto em diversos tipos de pavimento, com suspensões mais suaves, pneus estreitos e não terão uma tão grande propensão para a velocidade. Mesmo que seja apenas por caminhos menos movimentados, a  gravilha terá também a consequência de fazer o trânsito abrandar um pouco o ritmo, o que vistas bem as coisas, não é de todo uma má ideia!

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