DE ALGÉS AO COL DE LA MADONE


Bicycle-FlorencePara alguém que já viajou um pouco ou teve até a oportunidade de viver durante numa cidade dum qualquer país europeu, e falo além fronteiras, terá muito provavelmente a memória de espaços urbanos mais ordenados que estes por onde andamos diariamente. Longe de mim partilhar a opinião que Portugal é o pior lugar do mundo para se viver, mas em questões de urbanidade e mobilidade, somos efectivamente muito atrasados. Nada de novo até aqui e daqui se poderia ir agora para muitos lugares e por outros tantos caminhos.

Escolho um que nos põe em cima da bicicleta em Florença quinze anos atrás. Conta-me uma colega que por lá andou e morou e estudou e trabalhou, enfim, por lá viveu, que se lembra de parques perto de estações de comboio com centenas (ou seriam milhares?) de bicicletas. Onde, se ao chegar não se encontrasse a respectiva, outra serviria. Cidade onde existiam, repito há mais de 15 anos! tomadas para recarregar veículos eléctricos. Onde existia uma razoável rede de ciclovias, embora os ciclistas as preterissem pelo largo tapete de asfalto.

Esta conversa acompanhou-nos num encontro de café matinal e foi consequência da colega ter decidido tirar a bicicleta do armário para ir experimentar a ciclovia ribeirinha do Tejo. Apesar da experiência não ter sido convincente uma vez mais por causa do traçado e do pavimento, foi suficiente prazenteira para dar alento a que no próximo dia dois de Setembro sejamos mais um cycle-Wednesday-buddies. Aqui chegados, tenho perante este texto, nova encruzilhada. Para onde continuar agora? Retomar o debate sobre o papel das ciclovias na promoção da bicicleta? Não me apetece.

Vou então agarrar a oportunidade de ter alguém ao alcance da retórica, com vontade de se juntar na próxima primeira quarta-feira. Especialmente alguém que me surpreende particularmente. Muitas vezes os preconceitos à nossa volta têm a capacidade de meterem outros preconceitos na nossa cabeça, com menos palavras e tempo perdido, já eu deveria ter desafiado esta colega a se nos juntar. Bom, mas o importante é que se deu um passo na boa direcção e outra parte interessante é que vamos poder combinar o trajecto de forma a virmos juntos desde Algés até cá acima. Esta perspectiva deixou-a um pouco apreensiva, pois está em crer que terá de competir com o ritmo de quem vai a subir para o Col de la Madone na peugada dos fantasmas do Tour.

Ir para o trabalho de bicicleta não é uma prova de velocidade ou de resistência. Quanto muito será prova de persistência, vontade, disponibilidade e bom senso. Apagar a ideia que pedalar é uma actividade desportiva pura e passar a olhar para uma bicicleta como algo que serve primeiramente para nos levar do ponto A ao ponto B, é uma passo importante na mudança de mentalidade e dos preconceitos com que muitos de nós ainda olhamos a bicicleta. Espero que a vontade não se lhe esmoreça, porque será seguramente um excelente exemplo para muitos outros colegas.

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